Estado dá financiamento para o biocombustível
O banco de fomento Caixa-RS passará a operar com uma modalidade de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes) específico para o segmento de biodiesel no Estado. As condições se estendem da fase agrícola das oleaginosas, produção de óleo bruto, armazenamento e aquisição de maquinário até o beneficiamento de co-produtos. O empréstimo é de até 90% dos itens passíveis de apoio para projetos com selo combustível social (que atendem uma série de medidas de inclusão na agricultura) e até 80% para os que não tem. O anúncio foi feito ontem durante o seminário Biodiesel - Combustível Verde, em Porto Alegre.
De acordo com o vice-presidente da Caixa-RS, Rogério Augusto de Wallau, o Estado tem uma grande produção de oleaginosas, como a soja e o girassol, e potencial para canola e mamona. “Na época do Proálcool, o Estado não fez os investimentos e acabou ficando de fora”, lembra.
A partir de 2008, a adição de 2% de biodiesel no óleo diesel será obrigatória no Brasil, passando para 5% cinco anos depois. O presidente da Brasoja e vice-presidente da Federasul, Antônio Sartori, observa que, se for feita uma projeção de adição de 2% de biodiesel ao óleo diesel, isto representará uma demanda de 900 mil toneladas/ano de óleo vegetal até 2008 e 2,7 milhões até 2013. “Os produtores e a indústria estão otimistas com a possibilidade de o País ter uma opção de fonte alternativa”, diz.
Para Sartori, o setor público ainda não se engajou no desenvolvimento do produto. Ele destaca que em outros mercados, como Estados Unidos e Europa, a implementação do biodiesel é considerada estratégica e realizada com o apoio dos governos. “Nenhum país tem potencial de produção e venda como o Brasil, tanto para o mercado interno como para o externo.”
O presidente da Comissão de Biodiesel da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e sócio-diretor da Granol, Juan Diego Ferrés, defende a desoneração tributária nos próximos cinco anos para o segmento, “para que o produto consiga ser competitivo”, diz.
Granol investe R$ 20 milhões em Cachoeira do Sul
A Granol vai investir R$ 20 milhões na reativação e expansão da planta industrial da Centralsul em Cachoeira do Sul, desativada há mais de 20 anos. O anúncio e a assinatura de um protocolo de intenções com o governador Germano Rigotto ocorreram ontem, no Palácio Piratini, em Porto Alegre. A unidade entra em operação em 2006 com o processamento de soja e a produção de óleo e farelo. O acordo entre o governo do Estado, Granol e a prefeitura do município prevê também, para 2009, a produção de biodiesel combustível.
A estimativa inicial é de geração de 160 empregos diretos e 640 indiretos. A capacidade diária inicial de processamento da é de mil toneladas de soja, 60 mil toneladas de óleo bruto de soja e 240 mil toneladas de farelo do cereal. Entre 2007 e 2008, deverá ser ampliada a capacidade de recebimento de soja, secagem e armazenamento de grãos.
Com a remodelação tecnológica e logística prevista para a navegação no rio Jacuí, a capacidade de processamento subirá para 450 mil toneladas ao ano. Na segunda etapa, serão gerados mais 40 empregos diretos e 160 indiretos. Já na terceira fase, em 2009, a capacidade de esmagamento de soja passará para 500 mil toneladas por ano e terá início a produção de biodiesel a partir de oleaginosas. Serão 100 novos empregos diretos e outros 400 indiretos.


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