Ter21102014

    Lembrar | Esqueceu a senha? Não é assinante? Assine já!
Back Notícias Biodiesel Diesel pode voltar a abastecer automóveis

Diesel pode voltar a abastecer automóveis

Carros brasileiros podem voltar a rodar com diesel, que custa quase a metade do preço da gasolina. O uso mais intenso do biodiesel, que começa a chegar aos postos hoje, deve acelerar as discussões no governo para a liberação do combustível, banido para uso em automóveis desde o fim da década de 70, na crise do petróleo. Montadoras já testam a mistura de 30% de biodiesel ao diesel, o que diminuiria a dependência da importação, abrindo espaço para o abastecimento de veículos leves.

Dois modelos fabricados pela PSA Peugeot Citroen, o 206 e Xsara Picasso já rodaram mais de 160 quilômetros com 30% de biodiesel brasileiro. Os testes foram feitos no País em conjunto com o Ladatel, laboratório ligado à Universidade de São Paulo (USP). "O carro pode rodar com essa mistura sem qualquer modificação técnica", diz o diretor-geral da PSA no Brasil, Pierre-Michel Fauconnier.

O coordenador do Grupo de Trabalho Interministerial do Biodiesel (ligado à Casa Civil), Rodrigo Augusto Rodrigues, afirma que a liberação do diesel para automóveis deveria ocorrer no médio e longo prazos, mas a comprovação da eficácia de uma mistura de 30% de biodiesel pode antecipar as análises do governo. Junto a isso, diz ele, "é preciso ter oferta disponível do produto para substituir a importação de diesel, além de preços compatíveis para não prejudicar o consumidor."

Dos 40 bilhões de litros de diesel consumidos anualmente no Brasil, 5% são importados. O biodiesel pode acabar com essa dependência, além de ser renovável e de reduzir a emissão de poluentes em até 15%. O biodiesel é derivado da reação entre um óleo vegetal (obtido da soja, dendê, mamona, babaçu, amendoim, algodão, entre outros) com álcool etílico.

Pelos testes da PSA, que usou o biodiesel feito com óleo de soja e álcool etílico, os resultados da mistura brasileira são melhores do que a utilizada na França, feito à base de óleo canola e metanol. "A redução de emissão é de 16%", informa Rodrigo Junqueira, diretor de relações corporativas.

A PSA é a maior fabricante mundial de motores a diesel de baixa cilindrada. Na Europa, metade dos carros vendidos hoje são movidos a diesel, embora custem em média 20% mais que versões a gasolina. A compensação vem do consumo é menor e do preço mais baixo. Além disso, a emissão de poluentes como monóxido de carbono e hidrocarbonetos é nula, afirma Henry Joseph Junior, presidente da Comissão de Energia e Meio Ambiente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea). "A vantagem também é a durabilidade do carro e menos gastos com manutenção."

Proibição

O Brasil é o único país que proíbe o diesel para carros de passeio, diz o diretor de comissões técnicas da Sociedade de Engenheiros da Mobilidade (SAE Brasil), Luso Ventura. Para reduzir despesas com importação de derivados de petróleo, em 1976 o governo restringiu o uso apenas aos veículos de transporte de cargas e passageiros (ônibus, caminhão e picape grande). Por vários anos o diesel recebeu subsídios do governo, política não mais praticada.

Luso acredita que chegou o momento de o País liberar o produto para automóveis e sugere uso gradativo, começando por frotistas e taxistas. Além de já ter conquistado a auto-suficiência na produção de petróleo, o Brasil enfrenta a crise com a Bolívia, que pode afetar o abastecimento de gás, hoje o combustível preferido por taxistas por causa da economia em custos.

O diesel, entretanto, é mais vantajoso. De acordo com os preços médios cobrados em São Paulo, para percorrer 100 quilômetros um motorista gasta R$ 12,50 com diesel e R$ 14,50 com gás. A diferença é superior se comparada ao preço da gasolina, que ficaria em R$ 24,50 para percorrer o trajeto, e ao álcool, que consumiria R$ 20.

Outra vantagem em relação ao gás, lembra Luso, é a eliminação dos cilindros que ocupam quase metade do porta-malas dos veículos adaptados.

Joseph Junior diz que não há, atualmente, nenhuma ação conjunta das montadoras para pleitear a volta do diesel aos automóveis. "Mas, a partir de agora, com a auto-suficiência do petróleo e o uso do biodiesel certamente é uma discussão que vamos ter de forma mais séria."

A maioria da montadoras detêm a tecnologia da produção de carros com motores a diesel, pois produzem veículos para exportação. Algumas adaptações seriam necessárias, diz Joseph Junior, porque o diesel brasileiro tem alto teor de enxofre.

Na Europa, o uso do diesel vem crescendo nos últimos dez anos. Nos Estados Unidos, começa a ser adotado agora em utilitários esportivos. Na Argentina o uso é intenso principalmente por taxistas. Problemas como barulho e emissão de fumaça preta já foram superados com novas tecnologias.

Quem leu esta notícia também se interessou:


Leia também

Adicionar comentário


Tudo sobre biodiesel