Combustível, reajustado mais que o esperado
No final do mês de outubro, os preços futuros do petróleo alcançaram US$ 55 o barril (um novo recorde histórico), o que corresponde ao aumento de mais de 70% desde o início do ano e poderá impactar a economia americana e européia, conforme preconiza o FMI - Fundo Monetário Internacional.
Entre nós, a Petrobras providenciou, desde o dia 15 de outubro, um reajuste de 4% no preço da gasolina e de 6% no preço do diesel em suas refinarias, o que corresponde a um acréscimo de R$ 0,03 no litro da gasolina e de R$ 0,06 no diesel.
O preço médio da gasolina (25% de álcool anidro) chegou a R$ 2,20, contra os R$ 2,10 antes do aumento. No que tange ao diesel, o valor de venda nos postos alcançou R$ 1,60/litro, quando antes do reajuste era de R$ 1,40. No início do ano, a gasolina era vendida nas bombas a R$ 2,00 e o diesel, a R$ 1,30.
A alteração, conforme os analistas, é insuficiente para a estatal e em consonância com o clima político anterior às eleições municipais.
Dessa forma, a Petrobras deverá determinar sucessivas majorações dos preços dos derivados e o novo ajuste poderá ocorrer nos primeiros dias de novembro.
Há especialistas que preconizam uma primeira correção de pelo menos 10%. Quando o barril (159 litros do petróleo) estava sendo comercializado a US$ 40, na primeira quinzena de junho deste ano, tivemos um aumento na gasolina de 10,8% e de 10,6% no óleo diesel.
Com o fito de eliminar a atual defasagem existente em relação aos valores praticados nos EUA, seria indispensável a evolução de 20% na gasolina e de 30% no diesel. Contudo, a tributação da gasolina brasileira é da ordem de 51% e a norte-americana, de 25%.
As autoridades fazendárias, preocupadas com a inflação, recomendam que as novas alterações dos preços aconteçam, paulatinamente, no último bimestre deste ano. Em decorrência, não repercutiria na meta inflacionária de 8% fixada para 2004. Alguns postos, depois do aumento da gasolina e do diesel, resolveram reajustar o preço do álcool hidratado, passando a cobrar R$ 1,20/litro.
Contudo, a demanda do álcool está firme, diante do excepcional crescimento do seu uso nos modernos carros bicombustíveis (flex fuel), cujas vendas atingiram 35% do total dos veículos novos de passeio comercializados em setembro deste ano.
Todas as montadoras terão motores flexíveis em 2005. Para a safra 2004/05, as projeções são de a indústria sucroalcooleira fabricar mais de 15 bilhões de litros, com as exportações alcançando 2,5 bilhões de litros de álcool, o que assegura ao Brasil a condição de principal exportador mundial do combustível renovável e ecológico da cana.
Após as modificações havidas nos valores dos derivados do petróleo, as distribuidoras já registram uma queda de consumo acentuada.
Não existe nenhuma evidência que o preço do petróleo possa diminuir. Diversos fatores, entre os quais o terrorismo internacional, o rigoroso inverno no hemisfério Norte e o crescente consumo na China contribuem para isso. A economia chinesa cresceu 10% entre janeiro e setembro. O consumo do petróleo na China subiu 15% neste ano, para 6,5 milhões de barris.
O Brasil, com uma produção média da ordem de 80% das suas necessidades, estaria razoavelmente protegido de um eventual desabastecimento, dos malefícios e reflexos da desestabilização dos preços do petróleo. Com a manutenção dos preços em torno de US$ 50/barril, são cada vez mais promissoras as perspectivas para o crescente aumento e utilização do álcool, bem como do biodiesel.
O biodiesel é um energético extraído de vegetais, como a soja, dendê, girassol, amendoim, algodão, babaçu e mamona. A sua adição aos combustíveis derivados do petróleo melhora, substancialmente, as emissões de gases nocivos e diminui o volume de gás carbônico da atmosfera das nossas cidades.
A indústria brasileira já domina, inteiramente, a tecnologia de produção do biodiesel e a viabilidade econômica, com os preços vigentes do petróleo, será alcançada. Recentemente, os europeus tornaram obrigatória a mistura, inicialmente, de 2% de óleos vegetais ao diesel e o governo brasileiro, a partir de dezembro, liberou a adição na mesma proporção.
Existem, ainda, entraves a serem superados, entre eles a carga tributária, bem como haverá a necessidade de concessão ao biodiesel do mesmo tratamento proporcionado ao Proálcool, nos anos de 75/80, com a outorga de financiamento à produção agrícola e industrial.


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