Faça sua Assinatura
Esqueceu a Senha? Ainda nao tem uma conta? Registrar
 

O verdadeiro PORTAL do BIODIESEL

Participe da Conferência BiodieselBR 2008
Iniciar arrow Notícias arrow Biodiesel arrow Especial Ceará: resistência no campo põe em risco o Programa do Biodiesel

Quer conhecer uma usina de biodiesel?

Participe da Conferência BiodieselBR em Curitiba. 29 de agosto

Especial Ceará: resistência no campo põe em risco o Programa do Biodiesel

Imprimir E-mail
sábado, 16 fevereiro 2008 . Diário do Nordeste - CE   
Revista BiodieselBR
Assinar
Por mais de três meses, José Miguel de Sousa dedicou a força de seus braços e o suor de seu trabalho a uma pequena faixa de um hectare para o plantio da mamona no distrito de Horizonte, em Crateús. Com a usina da Brasil Ecodiesel erguendo-se a poucos quilômetros dali, ele embarcou na euforia que contagiou os moradores da região em 2005, aderiu ao programa de incentivos e se comprometeu a fornecer para a indústria. Mas todo o seu esforço foi em vão: com poucas chuvas, a colheita foi pífia. Depois de tanto trabalho, a terra seca do sertão só lhe devolveu 57 quilos da oleaginosa, vendidos por R$ 31,35 à empresa.

A situação de seu Miguel é o extremo de uma realidade que persiste nas áreas zoneadas para o cultivo da mamona no Ceará: apesar do extenso rol de incentivos ofertados pelo governo no âmbito do Programa do Biodiesel, produtores permanecem desinteressados por um cultivo que consideram de baixa rentabilidade e de difícil interação com atividades econômicas tradicionais, como a pecuária e o plantio de milho.

Frustração com as experiências das décadas anteriores, risco de contaminação do gado pelas toxinas da mamona e incerteza quanto à garantia de compra do item. Na avaliação do presidente da Fetraece (Federação dos Trabalhadores Rurais do Ceará), Moisés Braz Ricardo, estes são os maiores empecilhos à ampliação da lavoura da oleaginosa no Estado.

´O último obstáculo é o mais difícil a ser transposto, apesar da assinatura de contratos que prevêem a compra integral da produção´, afirma. Segundo ele, de 2005 para cá, houve períodos em que os estoques de mamona na região de Crateús, onde funciona a Brasil Ecodiesel, superavam a marca de 150 toneladas.

Governo aposta em incentivos

O titular da SDA (Secretaria de Desenvolvimento Agrário do Estado), Camilo Santana, reconhece os entraves apontados, mas assegura que todos os termos previstos nos contratos assinados entre os produtores e as usinas, com intervenção do governo do Estado, serão respeitados.

´O Ceará tem o programa mais ousado do Nordeste. Nosso objetivo inicial é garantir que haja a produção e que se estruture o melhor mecanismo de gestão para os produtores´, afirma Santana. Para combater a resistência cultural dos produtores, motivada, como admite o próprio titular da SDA por experiências negativas nos anos anteriores, o governo está garantindo a compra de toda a mamona que for produzida pelos agricultores cadastrados junto a uma das duas usinas.

´Quando o governo federal lançou o programa do biodiesel, muita gente acreditou que bastava produzir para conseguir vender, sem assinar nenhum contrato de fornecimento com as usinas´, relata.

Ele atribui a esta ´produção independente´ a causa pelos encalhes que se formaram em vários municípios. Em sua avaliação, está ocorrendo um ´processo muito semelhante ao que houve com o álcool.
 

MISÉRIA

R$ 31 é o valor pago ao agricultor José Miguel de Sousa, de Crateús, por sua produção de mamona em 2005. Seu roçado só rendeu 57 quilos do grão


A principal diferença é que enquanto o Pro-Álcool era um programa de exclusão social, que concentrava mais riqueza nas mãos dos grandes produtores, o biodiesel tem o objetivo de promover a inclusão social através da mobilização da agricultura familiar´.

E as usinas estão sendo praticamente forçadas a recorrerem ao pequeno produtor familiar para fabricar o óleo, que desde janeiro é presença obrigatória em todo o óleo diesel do País. Com o início da obrigatoriedade pela comercialização do chamado B2 — mistura com 2% de biodiesel e 98% do óleo tradicional — abriram-se as portas para um mercado que tem demanda de consumo superior aos 840 milhões de litros de biodiesel por ano.

Mas quem quer usufruir dos incentivos dados pelo governo tem de recorrer a agricultura familiar para obter pelo menos 50% de toda a sua demanda por oleaginosas.

Ou seja, as usinas terão de recorrer a fornecedores que, no semi-árido, carecem de capacitação técnica e são completamente vulneráveis às oscilações climáticas.

LEÔNIDAS ALBUQUERQUE
Diário do nordeste

Textos Relacionados:

Revista BiodieselBR
Comentarios (9)add comment

Telmo Heinen disse:

  É uma pena que um programa de tamanha magnitude tenha mais uma vez sido desvirtuado.
A miséria continuará!
Anos de 2004, depois 2005 - agora 2008, prestes a ir para 2009 e nada... de resultado benéfico.

Solução? A solução é o implante de culturas perenes. A grande vantagem das culturas perenes é que apesar de elas também carecerem de chuvas, não tem tanta exigência quanto ao dia em que vai chover.

Eu fico intrigado porque a desculpa sempre argumentada é a da demora na produção pelas culturas perenes.
Entretanto, logo já terão se passado cinco (5) anos desde o início da discussão ou seja, é burro mandando outro burro pastejar.
Até a macaúba produz em cinco anos e quase o pequi também.

Brasil: Fazer o que precisa ser feito não é o nosso forte... o problema é a nossa própria burrice.
1

16.02.2008 - 20:08

Silva Filho disse:

  Em 2007, realmente a produção de sementes aqui no ceará foi uma tristeza ! Não obstante o incentivo do governo, não houve mobilização dos agricultores. Este ano., os incentivos estão sendo bem maiores, certamente a produção será maior. Vamos aguardar. Estamos tentando influenciar o DNOCS, a EMATERCE, a própria Secretária do Desenvolvimento Agrário do Ceará, a começar oficialmente, a plantar o pinhão manso,
mesmo a título de experiência, para não se perder tanto tempo ! Temos experiências isoladas dessa planta, entretanto são poucas. A EMBRAPA, muito respeitada aqui no Nordeste, agora que começou suas pesquisas
com o pinhão manso. Há que se ter muita paciência para se ver a cultura do pinhão manso deslanchar !
2

17.02.2008 - 08:01

Univaldo Vedana disse:

  No Ceará tem um experimento com 3,5 anos na fazenda Normal da Ematerce em Quixeramobim. Em outubro de 2005 estive no primeiro dia de campo realizado na fazenda. As mudas enviei do MS de avião para Fortaleza no final de abril de 2005, foram plantadas em 6 de maio e em outubro já estavam produzindo.Veja no link abaixo foto da época:
http://www.pinhaomanso.com.br/fotos-jatropha.html
A foto 05/24 . O que houve no ano seguinte foi um certo abandono na plantação por parte dos interessados. Não sei como se encontra hoje. Foram plantados 1.250 plantas. Se voce pudesse visitar esta plantação e nos trazer os resultados seria ótimo.
3

17.02.2008 - 08:38

Wilson de Oliveira disse:

  O Sertão Nordestino viveu do trinômio: Algodão arbóreo X Milho X Boi. Com o advento do bicudo o algodão saiu de sena. Hoje, com o aquecimento global, as oleaginosas temporárias, principalmente as que dependem de chuvas, é carta fora do baralho.
A ÚNICA OLEAGINOSA PERENE QUE PODE RESOLVER O PROBLEMA DO PEQUENO PRODUTOR CHAMA-SE "LEUCENA". Ela tanto serve para BIODIESEL como atende a alimentação de caprinos e ovinos.
Não tem outra igual.
4

20.02.2008 - 15:41

Telmo Heinen disse:

  Ótima cultura. Algodão saiu de cena mas pode retornar. Que tal um algodão transgênico quase livre de pragas ?
Leucena, excelente idéia - tem estimativa de colheita por área ?
5

20.02.2008 - 16:25

Univaldo Vedana disse:

  Estas três plantas 'PERENES salvarão o seco e árido nordeste. O cabrito, o boi a galinha e o porco comem leucena e moringa. O Homem tambem pode se alimentar da moringa, tanto as folhas como as vagens e também os grãos. Tudo na planta á altamente proteico.
Estas tres plantas não precisam de dia e hora marcada para chover e poderem produzir. Elas vão iniciar sua brotação após a primeira chuva, não importando se esta acontecer em dezembro, janeiro ou março. Dificilmente se perderá uma safra por falta de chuvas.'
Estas plantas não devem alterar o que já o pequeno produtor vem fazendo. Isto é algo a mais.
A leucena e a moringa para alimentação animal e humana.
O PINHÃO MANSO PARA A TÃO PROCURADA RENDA EXTRA. Afinal o óleo de pinhão vale hoje no mínimo R$ 2,00 o quilo....e a torta volta para o sitio como adubo...
6

20.02.2008 - 16:38

Fernando Chaves Lins disse:

  No Seminário Brasileiro de Sementes, realizado em Fortaleza, Ceará, nos dias 4 a 11 de junho de 1973, foi prestada homenagem ao prof. e pesquisador Guimarães Duque, dando seu nome ao Método de Lavoura Seca usado pelo Infaol – Instituto Nordestino para o Fomento do Algodão e Oleaginosas em seus campos no Nordeste com resultados expressivos no aumento da produtividade.
Alguns meses depois o Infaol patrocinou a vinda do Chefe de Seção de Conservação de Solos do Instituto Agronômico de Campinas – SP, Dr. José Bertoni que visitando os campos do Infaol no Nordeste (6.000 hectares com algodão e oleaginosas) apresentou relatório com a seguinte conclusão:
•”O trabalho desenvolvido pelo Infaol, visando estabelecer as culturas de algodão e oleaginosas em bases técnicas, com fundamento na conservação da água e do solo, será de grande projeção no futuro para o desenvolvimento do Nordeste;
• A prática já adotada nos campos do Infaol, de sulcos e camalhões, deverá proporcionar um grande aumento na produção de algodão e oleaginosas;
• Os efeitos de tal prática são tão evidentes que a extensão deve aproveitá-los no máximo para o seu fomento e divulgação”.
Há algum tempo o Governo Cearense promove o uso dessa metodologia que beneficia pequenos agricultores, com baixo custo. Sessenta e um Municípios do Ceará – diz a imprensa – “encontraram na captação da água de chuva In Situ a alternativa para garantir o bom desempenho da lavoura de sequeiro em épocas de baixas precipitações, comuns na região do semi-árido nordestino. No Estado, 1.006 famílias de agricultores cultivam 822,8 hectares, divididos em 537,5 hectares de milho, 248,3 hectares de feijão, 23 hectares de mamona, 14 de algodão. O sistema se baseia nos métodos Guimarães Duque e Sulcos Barrados, técnica desenvolvida pela Embrapa Semi-Árido, de Petrolina, Pernambuco, (melhor dito pelo Infaol: grifo nosso) que aproveita ao máximo a água da chuva nas lavouras, evitando perdas decorrentes do escoamento sobre a superfície da terra, tecnologia que pode ser implementada usando a tração mecânica ou a animal”. Entre diversas prioridades estabelecidas pelo Banco do Nordeste para financiamento agrícola, “captação em situ” (MÉDOTO GUIMARÃES DUQUE: grifo nosso), é uma delas. Ao meu ver falta no Programa Nacional de Biodiesel incentivos para que se adote tecnologias apropriadas ao cultivo em regiões semi-áridas, alguma coisa parecida com os incentivos que o PROALMAT estabeleceu para dinamizar o aumento da área e produtividade do algodão no Mato-Grosso. O resultado todos nós sabemos...
Fernando Chaves Lis - fc.lins@yahoo.com.br - Membro da Academia Pernambucana de Ciência Agonômica
7

20.02.2008 - 18:18

Leônidas Albuquerque disse:

  Olá a todos. Sou o repórter do Diário que fez o caderno especial petróleo do sertão, que vocês tem comentado. Gostaria de dizer apenas que fico muito satisfeito pelo trabalho estar gerando discussões entre especialistas na questão. Espero que tenham gostado da reportagem! Qualquer comentário ou sugestão, é só ligar no Diário - (85)3266-9784/85
8

23.02.2008 - 21:33

Simão Toledo disse:

  Parabéns Leônidas pelos textos. Mostram a realidade cearense e as dificuldades enfrentadas.

Agora como ficamos com todos esses problemas? incentivos são necessários em toda a cadeia,o campo as usinas. Não estou falando (só) de incentivos financeiros, mas técnico e organizacional.
9

3.03.2008 - 15:34

Escreva seu Comentario

busy
 



Manual de Biodiesel

Mapa do Biodiesel

Guia do Biodiesel

Análises Semanais

Comentários

Não vai morrer mesmo!  Não vai morrer mesmo! Vocês podem retirar os meu...
Quando o mundo saber?  ...quando mundo saber da verdadeira historia de se...
Só que poderia ser muito mais nosso !!!  Infelizmente já têm muitas multinacionais do ram...
BONFIM CRATEÚS DIZ,TELMO HEINEN,GOSTARIA D...  BONFIM CRATEÚS DIZ,TELMO Gostaria de saber,porque...
Biodiesel  Acho muito importante a questão do Biodiesel numa...
Custo da análise de biodiesel é elevado s...  Para realizar ensaios de controle de qualidade no...
melhoria  oi.com mais esse empredimento o grupo mostra que q...
biodiesel de gordura animal  No Brasil não existe restrição nenhuma para se ...
Comentario  Fazendo uma simples analise do volume de Biodiesel...
governo susta meta  Não é a primeira vez que o governo brasileiro pa...
Mais comentários...

RSS Feed