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Brasil não tem destino certo para glicerina gerada por biodiesel

No ano que vem, com a entrada em vigor do B-2 - mistura obrigatória de 2% do biodiesel no óleo diesel - o Brasil vai produzir, no mínimo, 800 milhões de litros do biocombustível. Mas, o aspecto ecológico desta iniciativa pode ser arranhado se o País não encontrar uma destinação para as cerca de 80 mil toneladas de glicerina que serão geradas a partir da fabricação do biodiesel. Não há definida na Política Nacional de Biodiesel uma alternativa para absorver este volume.

Normalmente, o mercado da glicerina é formado pelas indústrias químicas de cosméticos, perfumaria e limpeza e consome apenas 30 mil toneladas do produto por ano. Adriano Duarte Filho, da Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), acredita que, com o baixo preço da glicerina, resultante do excesso de oferta, haverá uma acomodação natural no mercado. "Novas aplicações vão surgir naturalmente", diz.

{sidebar id=1} Mas, para o pesquisador Instituto Químico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Cláudio Mota, o País está sim diante de um passivo ambiental gerado a partir do biodiesel. "Terá que se encontrar uma alternativa para colocar esse produto no mercado, pois mesmo as pesquisas mais avançadas que visam essa reutilização vão demandar, no mínimo, mais dois a três anos para terem aplicação comercial", avalia Mota. Ele se refere ao estudo de desenvolvimento de derivados da glicerina para uso como aditivos para a gasolina, em andamento na UFRJ.

A dificuldade de acomodação de uma oferta de glicerina quase três vezes maior que a demanda se agrava porque a glicerina resultante da produção de biodiesel tem características diferentes da que é utilizada na indústria de higiene, segundo Gilberto Campello Brasil, assessor técnico da Secretaria de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente (MMA). "Há impurezas e colorações diferentes, o que dificulta seu uso em fábricas de glicerina tradicional", resume Brasil.

Outro problema, segundo ele, se refere à logística de distribuição dessa matéria-prima, pois existem 12 unidades que refinam glicerina no País, e todas estão na região Sudeste. "Não há nenhuma no Nordeste ou Centro-Oeste, onde a produção de biodiesel é maior", pontua.

Ele explica que não há no Brasil legislação específica sobre a forma de descarte dessa glicerina, apenas para efluentes industriais em geral. "São as secretarias estaduais de meio ambiente que controlam a forma de descarte desse produto", explica. Mas, de forma geral, a as duas formas de descarte possíveis (nos rios ou queima) geram problemas ambientais. "Nos rios, provoca consumo excessivo de oxigênio, podendo matar a população aquática. A queima libera na atmosfera a cloreína, substância de caráter cancerígeno", afirma o assessor do MME.

A usina Barralcool S.A., localizada em Barra do Bugres, a 160 quilômetros de Cuiabá (MT), começou a produzir biodiesel em novembro de 2006 com capacidade de produção anual de 57 milhões de litros. Até agora, cerca de 400 toneladas de glicerina foram produzidas, e a alternativa encontrada pela empresa foi armazenar o produto em tanques, até encontrar uma destinação.

"Estamos negociando a venda do produto para uma empresa. Também estamos pesquisando a agregação de valor a essa matéria-prima, projeto ainda em segredo tecnológico mas que pode sair do papel já em 2008", diz Silvio Rangel, gerente de biodiesel da Barralcool, que tem planta de biodiesel integrada a uma usina de álcool e açúcar.

Fabiana Batista
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Comentários  

+5 Vitor Beltrão
05 Junho 2007 - 08:57 am

Acroleina precisa de pressão e temperatura controlada em reator para ser gerada.
vendo equipamentos para queima de glicerina (boiler / trocador de calor) essa história de emissões de acroleína é mentira, tenho relatórios tecnicos sobre o assunto, varias usinas de biodiesel no mundo usam, no Brasil tem por exemplo a Granol.
Portanto senhor Gilberto Campello Brasil do MME antes de afirmar algo, procure se informar melhor! pois prejudica quem tenta desenvolver produtos/soluções para o Brasil.
1
0 Barbosa
09 Junho 2007 - 07:33 am

Caro Vitor Beltrão, tenho interesse em saber mais informações sobre o equipamentos de vende para queima de glicerina. pr favor mande mais informações para meu e-mail:
2
0 Gilson Leite de Moura
25 Junho 2007 - 10:38 am

A glicerina só existe porque inventaram o biodiesel. Glicerina também passaria a ser energia desde que se usasse o próprio óleo nos nossos motores. É isso aí!! estou falando daquele produto simples que o nosso homem do campo já sabe fazer desde o tempo da minha bisavó.
Quem tem que se adaptar são os motores, nunca os combustíveis que são a coisa rara e escassa do nosso planeta.As multinacionais fabricantes de motores já poluiram demais. Temos que dá ouvido agora a mãe terra que está agonizante. É hora de disseminar a produção de óleo, resolvendo também um grande problema social no campo. Liberdade rima com criatividade!
3
0 almir monteiro
04 Julho 2007 - 06:59 am

Existe n aplicações da glicerina para a industira, a questão é que as Instituições de Pesquisas e outras não prucuram a iniativa privada com projetos realizavéis e viaveis economicamente para uso racional do produto. Está na hora de movimentar-se, não adianta criar "terrorismo" com uma coisa tão útil, existe demanda basta tão somente inteligência e vontade de resolver.
4
0 Francisco Belchior
06 Julho 2007 - 10:25 am

Estou de acordo com Gilson Leite. Quando o primeiro motor "diesel" foi inventado, ele não usava combustível fossíl. Ele utilizava óleo de amendoim. A indústria de motores, incentivada pelas empresas petrolíferas que adaptaram o motor para o diesel. Que tal voltar no tempo, dar a mão a torcer para quem criou o primeiro motor deste tipo, e usar a tecnologia para que ele possa utilizar óleo vegetal, descartando o uso de combustíveis fosséis! Quanto à glicerina atual, enquanto durar esta geração de motores "híbridos", pode ser estocada e estudada uma maneira de uso correto deste material. Não tenho informações sobre as caracteristicas desta glicerina que é produzida, mas se ela for isolante, pode ser usada como óleo isolante de equipamentos elétricos, em lugar do atual óleo mineral.
5
0 Ananias Baracuhy
14 Agosto 2007 - 18:55 pm

Nessa conversa de glicerina,o que está faltando é CONHECIMENTO que gera liberdade que rima com criatividade.Nós brasileiros, não temos costume de investir em pesquisas e sem elas,poderemos entregar o ouro ao bandido.O problema de glicerina está sendo maximizado tendo em vista o tamanho da nossa ignorância mas um produto com tantos usos que já sabemos,certamente encontraremos soluções vindas exatamente de pesquisas.
6
0 DÉCIO PEREIRA DOS SANTOS
12 Março 2008 - 08:48 am

Realmente o que falta no Brasil e pesquisa,conhecimento já realizei varios estudos e ja desenvolvi varios produtos com glicerina loira entre eles resinas alquidicas , plastificantes para polimeros , estou testando aditivos a base de glicerina que melhora a queima da gasolina e etc , e que falta é recurso para podermos nos aprofundar no assunto.
7
+1 ARIEL ORLANDO DESTEFANO
21 Setembro 2008 - 17:23 pm

transformação da glicerina em um aditivo para agricultura.
8
+1 Frederico Neves
05 Setembro 2009 - 14:31 pm

Caro Vitor Beltrão, a Granol deixou de queimar glicerina por problemas de emissão de gases poluentes, favor se informar melhor sobre o assunto.
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