Biodiesel: exigências afastam agricultores
Pesquisadores de universidades e institutos científicos, em diversas partes do mundo, têm se dedicado à busca de alternativas aos combustíveis derivados do petróleo. No Brasil, as pesquisas com o biodiesel ganham força. No meio rural, plantações de dendê e mamona estão se expandindo. Elas fornecerão a matéria-prima para o biodiesel, uma alternativa capaz de aliviar os sobressaltos do consumidor diante das constantes subidas do preço do barril de petróleo. Para o professor Geraldo Narciso da Rocha Filho, pesquisador do Departamento de Química, do Centro de Ciências Exatas e Naturais, da UFPA, o Pará pode se tornar um importante pólo produtor de biodiesel, mas a legislação ainda impõe barreiras a serem transpostas.
Na avaliação do pesquisador, a empresa Agropalma tem tudo para se firmar na área. Seu processo industrial aproveita tudo do dendê, fruto de uma palmácea que fornece óleo de duas qualidades, um extraído da polpa e outro da amêndoa. O óleo de palma, usado na área alimentícia, e o palmiste, na indústria de cosméticos, são produzidos pela empresa. Em Tailândia, município no sul do Pará, a empresa possui várias usinas de extração de óleo de palma e palmiste. A produção está verticalizada. O óleo bruto é transportado para uma refinaria no Tapanã, em Belém. O resíduo gerado no processo de refinamento serve como base para a produção do biodiesel. Geraldo Narciso não tem dúvida sobre a viabilidade econômica do novo combustível. Do ponto de vista técnico, há químicos capacitados no Pará. Pelo lado tecnológico, o processo automatizado reduz os custos com mão-de-obra. "A Agropalma optou por uma prática salutar: está financiando os pequenos agricultores de Moju e comprando toda a produção. Esse tipo de consórcio está no rumo certo porque representa um salto qualitativo para os pequenos agricultores", afirma.
A maior barreira para a produção do combustível, segundo o pesquisador, vem sendo imposta pelo governo federal, ao incentivar os pequenos agricultores a tornarem-se produtores. Chegar ao biodiesel exige muito investimento porque ele é o último subproduto da cadeia produtiva. É fabricado a partir de sobras, depois da extração do óleo de palma, do palmiste e do processo de refinamento. E mais: torna-se necessária a produção de álcool, a instalação de um catalisador para acelerar a reação química e a utilização de hidróxido de sódio, popularmente conhecido como soda cáustica.
Para fabricar biodiesel, os pequenos agricultores teriam que industrializar álcool e soda cáustica, ou então comprá-los, o que concorreria para a elevação do preço ao consumidor. "A produção de biodiesel em baixa escala é cara, não tem rentabilidade", alerta o pesquisador da UFPA. Por isso, avalia que a saída para os pequenos agricultores pode ser a organização em cooperativas, "do contrário, teríamos que imaginá-los concorrendo com a Petrobrás, por exemplo".
Outro ponto que preocupa bastante Geraldo Narciso é a qualidade do biodiesel. Explica que a Universidade Federal do Pará dispõe de um laboratório para fazer análise de combustíveis, mas não para o biodiesel. A montagem de um laboratório exige investimentos em equipamentos caros. A manutenção é igualmente onerosa. O produtor precisa de um laudo laboratorial que ateste o cumprimento de, pelo menos, vinte parâmetros analíticos. Na UFPA, 70% dos testes podem ser feitos, mas outros 30% ficariam faltando. São fatores que tendem a afastar os pequenos agricultores do processo de produção.
Com a adoção do biodiesel, o governo federal pretende diminuir os custos do setor de transporte rodoviário, além de trazer maior proteção ao meio ambiente.
Vantagens do biodiesel no brasil
1) Oferta de matéria-prima, tanto com relação à quantidade necessária quanto à possibilidade de uso de espécies regionais;
2) Desenvolvimento de mercados para os sub-produtos (ou deriva dos) do processo
3) Redução na emissão de poluentes;
4) Possibilidade do uso de catalisadores nos veículos ciclo diesel;
5) Redução na importação de petróleo e derivados;
6) Exportação de créditos de carbono relativos ao (Protocolo de Kyoto);
7) Diminuição do Efeito Estufa;
8) Dinamização da economia interna com reserva do fluxo de capitais no setor de combustível para motores ciclo diesel.


.gif)

