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Entrega de biodiesel à Petrobras do primeiro leilão está atrasada

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quinta, 01 junho 2006 . .   
A Petrobras adiou para o dia 12 de junho o recebimento de 6,4 milhões de litros de biodiesel, dos 14 milhões contratados para entrega até ontem. Até agora, só 7,6 milhões de litros estão nas mãos da estatal. Das quatro empresas de biodiesel selecionadas no leilão da Agência Nacional de Petróleo (ANP) em novembro — Agropalma, Brasil Ecodiesel, Granol e Soyminas —, apenas uma conseguiu atender ao pedido contratado na primeira entrega.

Segundo a Petrobras, as empresas tiveram problemas com a produção e havia pouco combustível disponível no mercado. Fontes do setor informam que as empresas produziram as quantidades combinadas com a Petrobras, mas elas estão fora da certificação de qualidade exigida e tiveram de reformular a produção.

Enquanto a Petrobras afirma não haver mais biodiesel a ser retirado, as empresas dizem estar com os estoques abarrotados do combustível e que a empresa não o retirou porque enfrenta problemas logísticos.

De um lado, a Petrobras Distribuidora afirma desconhecer problemas logísticos com a armazenagem do biodiesel, pois ela já administra a comercialização de 40 bilhões de litros de diesel por ano. Segundo o diretor de suprimentos da Petrobrás, Edson Nobre, as empresas tiveram dificuldades para honrar os compromissos de fornecimento. “No início do ano, houve problemas com a produção e havia pouco combustível”, afirma. O executivo não detalhou os problemas, mas, segundo fontes do setor, as empresas não produziram as quantidades exigidas pela Petrobras e tiveram problemas com a qualidade do produto.

As empresas se defendem dizendo ter cumprido seus compromissos com a estatal. A Brasil Ecodiesel , do Piauí, já entregou 17% do volume contratado no primeiro leilão. A empresa não entregou o restante porque chegou a parar a fabricação de biodiesel, pois seus estoques ficaram completos. “Falta coordenação na retirada da Petrobras”, afirma o presidente, Nelson Silveira. “Mas todos estão em fase de estruturação para aprender a trabalhar com esse novo combustível e as retiradas foram totalmente normalizadas no mês de maio”, minimiza o executivo. Silveira reconhece que a própria Brasil Ecodiesel enfrentou dificuldades no início da operação. “Foi difícil criar um fluxo de certificação dos produtos”, destaca o presidente da empresa, que garante que hoje as operações estão normalizadas.

A Soyminas, de Cássia (MG), também teve problemas. Fonte da empresa garante que a produção está parada a um mês, pois não há onde estocar o biodiesel. Segundo a mesma fonte, apenas quatro caminhões da Petrobras retiraram o combustível da Soyminas desde o início do ano, totalizando apenas 59 metros cúbicos, dos 8.870 que a empresa precisa entregar até o fim do ano. Mas a Soyminas informou que as retiradas de biodiesel da Petrobras serão retomadas a partir de hoje e que a fábrica volta a operar na segunda-feira.

A Agropalma, do Pará, é a única empresa vencedora do primeiro leilão da ANP que afirma não ter tido problemas com a distribuição para a Petrobras. De acordo com o diretor comercial Marcello Brito, a empresa foi favorecida por já fornecer biodiesel para a BR Distribuidora desde agosto de 2005. “A unidade deles próxima à nossa fábrica em Belém já estava preparada para receber o biodiesel”, comenta Brito. A Agropalma conseguiu cumprir a meta estabelecida no edital do leilão, para a entrega de 20% do total vendido até ontem.

Burocracia

A Granol , de Goiás, ainda não pôde entregar os 18,3 mil metros cúbicos de biodiesel vendidos no leilão da ANP. Mas o problema é com a burocracia da agência, que até agora não liberou a licença de autorização para produção e comercialização de biocombustível à empresa.

Segundo a diretora financeira da Granol, Paula Ferreira, a ANP já deu o aval técnico para a concessão da licença. “O que falta é a chancela do órgão que só pode ser concedida pela diretoria.”

A ANP informa que as licenças precisam da autorização de três diretores, do quadro composto por cinco profissionais. Desde março, a agência conta com apenas dois, mas o órgão informa que o senado deve anunciar nos próximos dias dois novos nomes para os cargos em aberto.

Para tentar resolver a situação, a Granol encaminhou ao departamento jurídico da ANP uma sugestão de concessão de licença ad referendum (sujeita a aprovação posterior). O instrumento permitiria à empresa obter a licença temporariamente, até que o futuro quadro de diretores do órgão estivesse completo. Segundo a empresa, o departamento jurídico da agência ainda não se manifestou sobre o pedido nem deu prazo para isso. A empresa vai aguardar o posicionamento do órgão para decidir o que fazer.

Sem poder entregar o biodiesel à Petrobras, a Granol está com a produção parada desde o dia 16 de maio. Isso porque a capacidade dos estoques está no limite, com cerca de 3 mil metros cúbicos do biocombustível, produzidos em uma planta arrendada na cidade de Campinas (SP). O volume representa um capital imobilizado de aproximadamente R$ 5,7 milhões. “Não temos mais condições de armazenagem e estamos acumulando prejuízos com estoque, com produção e também com custos financeiros”.

A Granol solicitou do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) um financiamento de R$ 60 milhões para construir duas plantas de produção de biodiesel em Anápolis (GO) e Cachoeira do Sul (RS). As plantas só entrarão em funcionamento no segundo semestre, com capacidade total para 220 mil metros cúbicos de biodiesel por ano.

Novos Leilões

A Granol não pretende participar de novos leilões da ANP, até que a licença seja concedida. A Agropalma também informou que não vai participar do terceiro leilão se os preços forem fixos, como consta nas regras atuais. “Pode haver muitas flutuações de preço durante um ano e não queremos correr o risco“, diz Brito.

Até dezembro, deverão ser entregues 70 milhões de litros de biodiesel à estatal.

O modelo brasileiro, de qualquer forma, está sendo copiado. A americana Chevron anunciou ontem a criação de uma nova divisão voltada para biocombustíveis. A petrolífera quer operar nos mercados americanos de etanol e biodiesel. A primeira planta de biodiesel da companhia entrará em operação até o final do ano e terá capacidade de produzir 100 milhões de galões de biodiesel por ano. A estratégia reflete o crescimento do mercado americano de biocombustíveis, cuja produção de biodiesel passou de 25 milhões de galões, em 2004, para 75 milhões, em 2005.  

Fonte: Daniel medeiros - DCI

Revista BiodieselBR
Comentarios (5)add comment

normando costantini :

falta de coordenao
como é que pode termos uma entidade que tem que ter 5 diretores e ´so possuir dois],atravacando o progresso-e os compromissos do produtor?
 
5.06.2006 - 20:10
Votos: +1

lavouras :

Lavouras
Senhores!
Esta noticia não me surpreende, a questão toda esta em quem ira distribuir todo o Biodiesel produzido!Com certeza não será a ANP.A administração da Petrobrás não esta nas mãos do governo, mesmo que este detenha a maioria das ações.Não vejo nenhuma dificuldade em entender isso.Se os produtores de matérias prima usadas na produção do Biodiesel pensaram que iriam aumentar suas rendas ou iniciar uma nova fonte de renda esqueceram que na melhor das hipóteses deverão dividir com a petroleira, que por sua vez traz de arrasto os interesses tributários do governo.
Faz dois anos que o governo decidiu o incremento e o interesse no combustível renovável oriundo de oleaginosas, será que não houve tempo para adequação do sistema, os produtores do Biocombustivel não seriam tão irresponsáveis a ponto de não observar as normas de fabricação.
Essa conversa ainda vai longe.
 
5.06.2006 - 20:51
Votos: +0

chicoseverino :

Esta na cara.
Se os produtores de biodiesel, ficarem sob o controle de estatais,vai tudo para o brejo.
Veja se possvel algu魩m acreditar, que uma empresa no possa funcionar, por falta da assinatura de um burocrata.
O Brasil ser sempre um pa㡭s do futuro.
 
6.06.2006 - 11:27
Votos: +0

Paula :

petrobas
A ANP "Agencia Nacional de Petroleo" Foi Criada para controlar os produtos não renovaveis. pois bem, deveria a União Criar a ANER "Agencia Nascional de Energia Renovável" Orgão que Regularia a produção e comercializacao destes produtos como Alcool, BioDiesel e Gas produzidos em biodigestores. Certamente os responsáveis por estas cadeiras poderia aliviar a sobrecarga dos ANPs.
Vamos descruzar os braços e enfrentar este problema de logística com inteligência e patriotismo valorizando nosso potencial energético.
 
11.06.2006 - 01:54
Votos: +0

Lozada :

Empresas, empresas, Em Presas é o certo?
Dizia um consultor de Vendas da necessidade de "botar" na cabeça do vendedor que ele era vendedor e não vende dor. Sabemos da necessidade de investir na ponta final, do contato com o cliente para poder passar confiança do nosso produto. Levá-lo a acreditar que nosso "peixe" é que realmente ele está procurando, é a sua necessidade naquele momento. Sob esse aspecto, vejo que nós estamos vendendo o peixe, estamos fazendo nossa parte, preparando todo o mercado para receber os compradores, nossos clientes. Mas notamos um certo descaso, despreparo, atraso no cumprimento de programas, ora exigido pelos nosso clientes. Nós somos EMPRESAS e não em PRESAS. O trato da matéria exige mais seriedade, não somos PRESAS a nada, somos capazes de aceitar desafios, desenvolver tecnologias e aplica-las. Mais do que isso, precisamos que seja instalado no meio público um processador de alta velocidade, para poder acompanhar as EMPRESAS desse ramo. Exigência de mercado nos tempos atuais. Senão seremos novamente atropelados pela conhecida "BUROCRACIA", óbce da não vinda de investimentos estrangeiros. Conforme solicitado e exigido pelo nosso cliente, nosso peixe está pronto para ser vendido, somos sim VENDEDORES com muito orgulho.SDS.Lozada
 
25.10.2006 - 17:45
Votos: +0

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