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A opção estratégica pelo biodiesel

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quinta, 18 agosto 2005 . EMBRAPA CERRADOS - Daniel Ioshiteru Kinpara - pesquisador da Embrapa   
O Brasil possui interessantes experiências com o uso de combustíveis alternativos para veículos. Aqui predomina soluções para o uso dos motores de combustão de ciclo Otto ou ciclo Diesel.

Em outros países, contudo, o foco está em motores híbridos (elétricos e a combustão). Um grande motivador disso são as inúmeras possibilidades de obter-se hidrogênio de várias formas, que não só a partir da hidrólise da água, e o advento da célula a combustível (fuel cell). A célula a combustível resolveu o problema de como obter energia elétrica sem a necessidade de ter baterias para o seu armazenamento. Outro grande apelo por essa alternativa é a produção de água como resultado da oxidação.

A tecnologia do hidrogênio tem três grandes obstáculos a superar para popularizar-se:

1) obtenção de hidrogênio de forma barata, não só em termos de custo, mas de balanço energético (gastar pouca energia para obtê-la);

2) seu armazenamento, pois o baixo ponto de ebulição e de fusão obriga o uso de tanques sob alta pressão ou criogênicos;

3) e transformação da energia química em mecânica de forma eficiente e barata, já que os materiais utilizados para a fabricação da célula a combustível e dos motores elétricos são metais nobres (cobre, platina, níquel, alumínio etc.).

Existem várias frentes de pesquisa que procuram solucionar cada um desses entraves. De cloroplastos artificiais para a obtenção do hidrogênio, a tanques de altíssima pressão, pequenos, leves e seguros. Quanto aos motores, permanece o problema dos materiais, com estudos na direção de melhorar a sua eficiência e diminuir a quantidade de material utilizado na sua construção. Porém, há muito que se estudar até obter-se uma solução viável em larga escala e acessível.

São exatamente essas dificuldades que colocam a biomassa como uma forma vantajosa de fonte de energia para veículos no curto e médio prazos. Apesar de toda ciência do homem, ainda não existe forma mais eficiente de captar e armazenar energia solar (que é de onde toda a energia na Terra provém, com exceção da nuclear) do que os processos fotossintéticos dos seres clorofilados.

O biodiesel é uma opção estratégica para o Brasil. Cria uma solução viável para a questão energética e deixa o País em uma posição de vantagem na importação do petróleo e do gás natural. Some-se a isso a questão do mercado de carbono e a utilização de uma fonte renovável de energia. No caso específico do biodiesel, existe uma vantagem adicional por ele não produzir compostos de enxofre na combustão.

O Brasil tem um ambiente favorável para o desenvolvimento do biodiesel. Existe disponibilidade de áreas agricultáveis e uma enorme diversidade de espécies oleaginosas nativas ou exóticas, perenes ou de ciclo anual. O clima tropical define uma maior insolação - mais energia - e maiores períodos favoráveis para o cultivo. Existe a disponibilidade de mão-de-obra, seja de agricultores procurando novas opções produtivas, seja apoiando uma política pública de fixação do homem no meio rural. Várias tecnologias agrícolas, como a de inoculação da soja, já estão dominadas, proporcionando uma base de conhecimento sólida para o incremento de produção de oleaginosas. E, finalmente, as instituições públicas têm experiência adquirida com o Proálcool.

Por ser estratégica a sua adoção, é fundamental que existam políticas públicas atentas às complexas relações que se estabelecem entre os mercados. Essa desatenção quase fez o álcool combustível desaparecer do mercado em função dos bons preços no mercado do açúcar.

Outro exemplo é o gás natural veicular (GNV). Antes mesmo do governo lançar legislação regulamentando o seu uso, vários usuários e empresas de fundo-de-quintal utilizavam bujões de gás liqüefeito de petróleo (GLP) de 13 kg indiscriminadamente, oferecendo risco ao usuário, à população e ao ambiente. Esse artifício só não se disseminou em função dos preços proibitivos que o GLP alcançou nos últimos anos.

Assim, é preciso incentivar a pesquisa e o desenvolvimento de uma solução brasileira para o biodiesel. A demora na geração de conhecimento pode causar um descompasso grave entre as necessidades da população e as potencialidades desta inovação. Esse conhecimento não é apenas de tecnologias produtivas e dos custos de produção, mas de estudos de mercados, das articulações dentro da matriz energética brasileira, dos impactos no custo Brasil; (na logística, nos transportes), na produção de alimentos, na redistribuição da riqueza e, principalmente, na contribuição desta tecnologia na solução da grave desigualdade social brasileira. A Embrapa Cerrados está atenta a essas questões.
Daniel Ioshiteru Kinpara
kinpara@cpac.embrapa.br
pesquisador da Embrapa
Cerrados (Planaltina-DF)

Revista BiodieselBR
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