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Bio

A rápida evolução dos biocombustíveis


. - 16 ago 2006 - 09:49 - Última atualização em: 10 nov 2011 - 22:16

A demanda por biocombustíveis se expande rapidamente em todos os cantos do globo. Na medida em que o atual cenário de preços elevados do petróleo se consolida, a antes difícil aceitação da quebra do paradigma dos baixos preços dos combustíveis fósseis vai se transformando em velocidade crescente. Fatos novos como os da Bolívia (gás natural) e da Venezuela (petróleo) na América do Sul e a Rússia (gás natural) na Europa, onde os países das regiões efetivamente sentem a desagradável dependência de poucos e o uso da energia para fins da dominância, se somam às constantes crises do Oriente Médio, Nigéria e outras áreas.

O balanço dessas ações negativas tem o seu lado positivo nas reações dos países buscando as opções corretas. Em 2006, a liderança dos movimentos vê, de fato, ocorrendo nos EUA. Desde o final do mês de janeiro/06, com o discurso do Presidente Bush, aquele país reassume a liderança global na reação ao consolidado novo cenário mundial dos biocombustíveis.

É interessante observar as ações e o mercado tanto do etanol como do biodiesel, nas várias regiões, assim como a introdução das novas tecnologias e o seu efeito sobre o mercado. Na Europa, o biodiesel lidera o movimento, sem grandes novidades sobre o campo tecnológico, com dificuldades de competição com o óleo diesel: isso tem levado a uma luta interna na União Européia em termos de política tributária, com diferentes países em diversas atitudes. No início de 2006 a capacidade produtiva do biodiesel na União Européia era de 3,75 milhões de toneladas e se espera que seja de 4,5 milhões de toneladas em dezembro de 2006 e 5,3 milhões de toneladas em dezembro de 2007. A Alemanha lidera as expansões de produção (50% do total em dezembro de 2005). Nos EUA, em 2005 a oferta foi de 75 milhões de galões (284 mil toneladas); em 2006 dobrarão a produção para 500 mil toneladas. A grande diferença entre a União Européia e os EUA aconteceu agora em 2006: os EUA saltaram a frente com legislação e ações e a União Européia segue com dificuldades de ações como um bloco. O Brasil começa a mudar a antiga e infantil posição do pequeno (mamona) contra o grande (soja) que levava ao velho caminho do nada! A recente descoberta da Petrobrás de um novo processo onde se utiliza o óleo vegetal diretamente no refino do diesel fará o Brasil assumir a liderança mundial no uso dos óleos vegetais para a produção de energia. Na Argentina, finalmente, há legislação (apesar de muito criticada pelos produtores locais) que dará suporte ao biodiesel e ao etanol.

As novidades, no campo do biodiesel (além do Brasil) ficam por conta da Ásia – Malásia, Indonésia, Tailândia, Filipinas, Índia e China. Todos constroem plantas de biodiesel, com base em palma e coco. No campo do etanol, os EUA, lideram a verdadeira correria por demanda a ser atendida, seguidos pelo Brasil, alguns países da América do Sul, Central e Caribe, países da Ásia (Índia, China, Japão, Coréia do Sul, Indonesia e Filipinas), pouca coisa na África (Sul) e, na Europa, novamente a dificuldade da necessária coesão de bloco: a Suécia é um exemplo extraordinário que os europeus outros insistem em não ter como exemplo e inspiração. Na União Européia, só se fala em protecionismo e dificuldades, em ritmo muito distinto da linha aberta e sem barreiras comerciais defendida pela Suécia. Até agora, sequer conseguem os países da União Européia atender a sua Diretiva.

Mas o que, de fato, é novo?

1) Os EUA do Pres. Bush e a potencial demanda espetacular a ser criada pelos FFV, na lógica do que ocorreu no Brasil, incluída a ajuda estratégica à Ford e à GM....... se discute intensamente a possibilidade do 7,5 bilhões de galões (28,4 bilhões de litros) serem transformados, como meta, em 12 bilhões de galões! É uma discussão real.

2) O Brasil e a tecnologia H BIO – Petrobrás para o óleo vegetal, que significará sensacional demanda global para os óleos vegetais. A expansão da demanda causada pelos FFV completam o momento positivo dos biocombustíveis no Brasil.

3) A possibilidade de E10 mandatório na União Européia (10% de álcool na gasolina e talvez Bio no diesel) ainda no ano de 2006.

4) Japão – a joint Petrobrás – Mitsui acelera os 3% a 5% “mandatórios” no Japão, com grande aquecimento na demanda global (a Coréia do Sul vindo em seguida).

5) China e Índia como potenciais aceleradores da demanda do etanol e do biodiesel.

6) Enfim, biocombustíveis “commodities”. Um exemplo do processo de amadurecimento dos biocombustíveis como tema global é a recente intensa discussão, nos EUA, sobre uma possível retirada da taxa elevada de importação sobre o etanol (US$ 0,54/galão).

7) Vale salientar, também, a posição extraordinária do governo sueco, com meta definida de “Suécia livre de combustível fóssil em 2020”.

É sempre importante lembrar que, o momento vivido deixa transparecer claramente as profundas diferenças entre os países e seu interesses, que, sem dúvida, acentuam as dificuldades que se reduzem com o tempo, mas que são reais.  

Luiz Carlos Corrêa Carvalho