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  1.  Denunciar
    Pela criação de uma EMPRESA BRASILEIRA DE AGROENERGIA, a exemplo da memorável campanha “O petróleo é nosso”, que resultou na histórica criação da Petrobrás.

    1 – O Brasil tem urgência de construir um instrumento capaz de fazer de seu amplo potencial de produção de agroenergia renovável um fator de libertação, emancipação do povo brasileiro e justiça social – uma EMPRESA BRASILEIRA DE AGROENERGIA.

    2 – Se não se tomar esta decisão estratégica e inadiável, a ocupação do território brasileiro por corporações e capitalistas estrangeiros para a produção de energia renovável, seguramente se transformará em ruinoso aumento da dependência, em mais perda de soberania e na dominação do nosso povo, com conseqüências dramáticas e imprevisíveis, a julgar pelo que hoje acontece no Iraque.

    APRENDER COM A HISTÓRIA
    3 – As lições da história devem estar vivamente presentes na mente dos brasileiros: quando o Presidente Getúlio Vargas percebeu o assédio dos paises imperialistas sobre as nossas fontes energéticas e minerais, na década de 30, tomou medidas indispensáveis para a defesa dos interesses nacionais, nacionalizando o subsolo e, mais tarde, criando a Petrobrás. A conspiração das forças imperialistas e de seus representantes internos levou à derrubada de Vargas em 1945 e, novamente em 1954, levando-o ao suicídio em 1954. Essas forças jamais aceitaram os atos soberanos e independentes do presidente brasileiro. Hoje, há idêntico assédio sobre as fontes de energia renováveis. A terra, a biomassa, a água e as usinas de álcool em pleno funcionamento estão sendo apropriadas por corporações estrangeiras, o que obriga o governo e o povo brasileiro a uma posição à altura dos riscos sinistros que cercam a Nação, sob o silêncio e a desinformação cúmplice da mídia teleguiada pelos poderes externos. A estratégia usada tem sido controlar a distribuição e manter os produtores nacionais – pequenos produtores – esmagados. Para isso, os norte-americanos já criaram quatro empresas de âmbito mundial, com sede nos EUA, e uma Câmara de Comércio de Energia Renovável, sob a presidência de Jeb Bush, irmão do presidente Bush, sendo representante do Brasil Roberto Rodrigues, ex-Ministro da Agricultura. Rodrigues representa a FIESP e é ligado à multinacional norte-americana Monsanto e ao agronegócio estrangeiro, inimigos do pequeno produtor nacional. Ou seja, enquanto o Império monta seus instrumentos, no Brasil foi demolida a Secretaria de Tecnologia Industrial, que implantou o PRÓ-ÁLCOOL.

    4 – Enormes extensões de terra estão sendo desnacionalizadas, passando ao controle de grupos poderosos comandados por bilionários como Bill Gates e George Soros; as maiores usinas de álcool do País estão sendo compradas pela Mitsubishi, pelo Reverendo Moon e por bancos franceses e fundos de investimentos dos EUA, sob a direção do ex-presidente da Petrobrás, Phillip Reichstuhl – sob cuja administração foi quebrado o monopólio estatal do petróleo e alienada a maior parte das ações da Petrobrás na Bolsa de Nova York. Jamais a exportação de matéria-prima promoveu a prosperidade dos produtores, bastando lembrar que a gigantesca exportação do ouro, no Brasil Colônia, deixou aqui imensa pobreza. O mesmo vem acontecendo com a soja, da qual o Brasil é o maior exportador mundial, embora o controle pertença a cinco corporações norte-americanas, que dominam 85% dessas exportações e mantêm os produtores nacionais em condições precárias.

    5 – O Brasil precisa assumir agora o controle nacional e soberano sobre a produção e a distribuição das energias renováveis – únicas capazes de resolver o futuro energético mundial com o colapso do petróleo. Só poderá fazê-lo por meio de ação de Estado. Do contrário, a continuidade do processo de desnacionalização conduzirá à ocupação do nosso território por interesses imperiais vinculados à indústria bélica e ao Pentágono norte-americano, pois a questão energética é, para os EUA, uma questão militar! O Congresso está em dívida com a Nação brasileira e assim permanecerá, enquanto não aprovar lei que garanta a soberania nacional sobre o território, revogando o entulho entreguista irresponsável da “Era FHC”, sobre quem devem pesar as punições do Código Penal Militar, que veda a desnacionalização em questões de soberania nacional, como território, energia e água.
  2.  Denunciar
    6 – Assim, do mesmo modo que, na Era Vargas, as forças populares, os sindicatos, os estudantes, as donas-de-casa, os militares nacionalistas saíram às ruas, em aliança com o governo, para lançar a memorável Campanha Popular “O petróleo é nosso!”, o Brasil está hoje diante de desafio histórico de semelhante envergadura, envolvendo o futuro suprimento energético mundial. Ou lançamos a campanha “A agroenergia é nossa”, patrimônio para a libertação e para a melhora das condições de vida do povo brasileiro, ou teremos a dominação dos brasileiros com a ampliação da rapina sobre nossas riquezas naturais. Isso já ocorre, por exemplo, com o alumínio, o nióbio, o urânio,o ferro, o silício, o quartzo, a tantalita, a cassiterita, exportados a preços vis!

    7 – Vargas enfrentou o poder do império e fez com que o Estado assumisse soberanamente o controle sobre o petróleo, o carvão, a siderurgia. Seu exemplo é referência para o processo de nacionalização em marcha na América Latina: Venezuela, Bolívia e Equador. O Brasil não pode fechar os olhos às lições de sua própria historia frente à ocupação estrangeira, a invasão por meio dos dólares, por enquanto sem agressão militar!

    8 – A guerra no Oriente Médio, que analistas credenciados prevêem poder transformar-se em conflito global, é uma guerra de domínio da energia que o II Fórum Mundial de Energias Renováveis (Bonn, 2005) classifica de “energia do passado”. As energias do futuro, segundo documento do mesmo Fórum, estão nas regiões tropicais com água, são de origem vegetal e implicam o domínio de extensas terras férteis. O Brasil, único continente dos trópicos, com imensa fronteira agrícola, está sendo submetido a acelerado processo de transferência de controle de seu território para corporações e grupos externos. As concessões em favor de grupos suspeitos, como as recentes na região amazônica, são sinais de como está sendo introduzida em nosso território a guerra das potências militarmente hegemônicas, com o objetivo de se apoderar das terras vinculadas à “energia do futuro”. Todos querem um quinhão do nosso território, privilegiado do ponto de vista energético, mineral e de água.

    ESTADO E PRIORIDADE SOCIAL DA AGROENERGIA
    9 – A criação de uma EMPRESA BRASILEIRA DE AGROENERGIA (EBA) é a alavanca indispensável para viabilizar a nacionalização da energia renovável. Só com um instrumento de Estado pode-se sustentar a implantação de 2 milhões de microusinas de álcool e de processamento de oleaginosas em pequenas propriedades de agricultura familiar e em assentamentos de brasileiros, que querem e necessitam trabalhar em benefício de nosso povo. Caso contrário, sob a hegemonia do latifúndio e do dinheiro externo, sem o controle do Estado, a produção de energia renovável não será submetida a políticas públicas traçadas com a participação de amplas camadas de produtores rurais. Esses estão hoje em fase pré-falimentar, e os inviabilizados assentamentos rurais ou de sem-terras, aguardam, em posição de luta, a desobstrução do programa da reforma agrária. Ao mesmo tempo, desperdiça-se o potencial da nossa extraordinária vocação de supridor mundial de energias renováveis e limpas, enquanto a humanidade caminha para o colapso econômico, por causa do fim das reservas de petróleo, objeto de invasões militares. As extraordinárias vantagens comparativas da natureza e do domínio de tecnologias para produzir biomassa tornam este País um território ambicionado por todos.

    10 – A EMPRESA BRASILEIRA DE AGROENERGIA, sob controle majoritário do Estado, teria como função planejar e executar a política de energia renovável. Sua meta inicial seria a conversão do padrão energético dos fosseis (petróleo, carvão mineral e seus derivados) para os combustíveis vegetais renováveis, criando a nova civilização da fotossíntese. Esta possibilita o futuro da humanidade num caminho possível e sustentável, de paz mundial. Todo o mundo deposita esperanças na liderança do Brasil nesse magnífico empreendimento de peso global.
  3.  Denunciar
    11 – É correta a decisão do governo Lula em transformar a energia renovável em saída estratégica para o Brasil, e até mesmo para a redução do aquecimento climático global, a contaminação das terras e das águas. Para uma transformação de tal envergadura são necessários instrumentos de Estado, tal como fez Getúlio Vargas que criou a Petrobrás, a Vale do Rio Doce, a Companhia Siderúrgica Nacional, a Frota Naval Petroleira e o Instituto do Açúcar e do Álcool. Não se pode deixar uma questão tão essencial ao arbítrio do mercado, controlado por cartéis, manipulado por interesses estrangeiros imperiais, que têm lançado mão de todo tipo de expedientes para impedir o nosso desenvolvimento e a nossa emancipação, benéfica para a paz mundial e para o desenvolvimento autônomo dos povos.

    12 – Através da EMPRESA BRASILEIRA DE AGROENERGIA (EBA) o Brasil poderá estabelecer uma política de estoques reguladores de álcool e outros combustíveis vegetais, necessária para que os preços não sejam artificialmente manipulados, como hoje ocorre por tarifas odiosas que impedem a livre concorrência. Um conjunto de leis deverá ser implantado – também tomando o exemplo de Vargas – para garantir direitos aos trabalhadores canavieiros e dos demais. É urgente uma legislação adequada aos novos tempos, que proteja os trabalhadores, de forma compatível com a dignidade humana.

    AGROENERGIA E SEGURANÇA ALIMENTAR
    13 – Também deve ser função desta Empresa o desenvolvimento tecnológico para a exploração dos vários combustíveis, hoje sem um conhecimento sistematizado. Não se têm aplicado recursos proporcionais à importância estratégica do setor, como denunciou o Fórum Mundial. De fato, o mundo aproxima-se dos colapsos
    energético e ambiental, superáveis pelas energias renováveis e limpas dos trópicos. Além disso, a EBA se encarregará da aplicação de estímulos produtivos à agricultura familiar e assentamentos, instituindo isenção fiscal pelo cumprimento de uma cotaalimentação, (produção alimentícia mínima, conforme extensão e vocação das terras). Desse modo, a produção de agroenergia e de alimentos tornam-se complementares, ao invés de excludentes, o que ocorrerá fatalmente, se o controle da produção continuar exclusivamente nas mãos da oligarquia aliada aos capitais estrangeiros espoliativos. O sistema de cotas-alimentação deve ser combinado com um modelo de compras diretas e antecipadas, como o praticado pela CONAB. Além disso, compras, pela Petrobrás, de cota de álcool da EMPRESA BRASILEIRA DE AGROENERGIA, justificada por garantir o cumprimento da dimensão social do programa de energia renovável. Este gera emprego e renda, realiza reforma agrária, protege o meio ambiente e promove o desenvolvimento regional descentralizado. Entretanto, sem o controle e planejamento estatais, e sem instrumentos adequados, prevalecerão condições sociais intoleráveis e o absurdo de o álcool ser exportado com isenção fiscal, sendo, porém, para entrar nos EUA, obrigado a pagar uma tarifa, com duplo prejuízo para o Brasil.

    14 – A fixação de cotas produtivas e de estoques reguladores serão obrigações da EMPRESA BRASILEIRA DE AGROENERGIA. Essas medidas acabarão com o absurdo de o governo não dispor sequer de informações confiáveis sobre produção de álcool no País e evitarão as manipulações e aumentos artificiais de preços, hoje regra geral. É também indispensável instituição do monopólio estatal do comércio exterior de agroenergias renováveis. Legislação especial de nacionalização da produção agroenergética deverá ser apresentada pelo governo, pela qual os capitais externos interessados em investir no Brasil deverão obrigatoriamente associar-se como sócios minoritários à EMPRESA BRASILEIRA DE AGROENERGIA, a exemplo do que se faz na Venezuela, onde assim se procede no caso da exploração do petróleo. Sem isso, agravar-se-ão os já sérios problemas de segurança nacional, decorrentes da desnacionalização fundiária.
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    RECURSOS FINANCEIROS
    15 – Apoiamos decididamente a decisão do governo ao optar pela energia renovável. Mas esta só será viabilizada, se tivermos instrumentos de ação, legislação especifica, créditos (atualmente o BNDES esta prestes a liberar recursos para centenas de projetos agroenergéticos de grandes empresas multinacionais, nenhum deles para a agricultura familiar ou para assentamentos). A liberação de créditos, através de planejamento coordenado com a EBA, deverá envolver 2 milhões de pequenas propriedades, para implantar microusinas, dinamizando a industria nacional de equipamentos, de forma descentralizada. Para os que indagam acerca de onde virão os recursos, lembramos que, segundo estudos já realizados, para a conversão de toda a matriz energética de combustíveis fósseis em combustíveis renováveis, seriam necessários investimentos de 3 bilhões de reais ao ano, durante 10 anos. E basta comparar a implantação das 2 milhões de micro-usinas, estimadas em 50 mil reais cada, com a enorme quantidade de recursos que o BNDES entregou a empresas estrangeiras para dilapidar o patrimônio público, por meio das privatizações na nefasta “Era FHC”. Além disso, cite-se que, somente com o pagamento dos serviços de juros da divida pública, o governo despende, sem retorno algum – 170 bilhões de reais ao ano, totalizando cerca de dois trilhões de reais
    nos últimos quinze anos. Somente com a cobrança de taxas de serviços, os bancos arrecadam por ano 52 bilhões de reais. Assim, estamos falando de recursos módicos, comparativamente às economias e ganhos, à importância estratégica e à geração de emprego. Com o suporte institucional de cerca de 2 milhões de pequenas propriedades rurais pela EBA, cada uma gerando minimamente 3 a 5 empregos diretos, teremos o emprego de 6 a 10 milhões de brasileiros, em propriedades que se tornarão autosuficientes, e que tornarão as micro regiões igualmente autosuficientes. Na realidade, o Brasil está muito longe de ter conferido prioridade à energia renovável. Basta lembrar que a produção brasileira de óleo combustível vegetal não alcança 1 por cento da produção da Alemanha, país que nem é tropical. Além disso, o governo decidiu-se por investir 23 bilhões de dólares no gás natural, cujas reservas no Brasil são limitadas, e tem grande impacto poluidor, mesmo que em medida inferior a outros combustíveis fósseis. Ao contrário dos derivados da biomassa, o gás natural não constitui, nem de longe, vocação nacional.
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    DISTRIBUIÇÃO RACIONAL
    16 – Outra função importante da EBA será controlar a qualidade da produção e da distribuição, sob planejamento regional descentralizado, evitando o absurdo de grandes viagens das matérias-primas e dos combustíveis, encarecendo o preço final, e a construção de grandes alcooldutos, como já decidido em círculos governamentais, ligando São Paulo à Bahia, ou o Centro-Oeste à refinaria de Paulínia, em São Paulo. A grande vantagem comparativa da agroenergia é sua descentralização, permitindo a auto-suficiência regional, gerando emprego e renda em qualquer região vocacionada para a sua produção, desestimulando a concentração caótica em grandes centros. Para tanto, deve vir acompanhada de planejamento estratégico da EBA, elaborado democraticamente com a participação de produtores rurais, trabalhadores sindicalizados (CONTAG, FETRAF), dos assentamentos (MST), dos pequenos agricultores (MPA), de cientistas e técnicos, e também dos militares, já que tratase de decisão de poder estratégico, permitindo inclusive a ocupação de regiões cobiçadas. A maneira mais adequada de desaconselhar possíveis invasões militares estrangeiras é ocupar os territórios vazios com brasileiros, como propugnam alguns de nossos melhores estrategistas militares. Dado as vantagens comparativas das regiões tropicais brasileiras para a agroenergia, seriam instalados, pela EBA, em núcleos regionais, centros tecnológico-industriais para o desenvolvimento tecnológico visando à criação de indústrias químicas, tendo por base o álcool, a mamona, entre outras matérias-primas de origem vegetal, visando à produção de plásticos, resinas e adubos, com a superior vantagem de serem biodegradáveis. São produtos não-tóxicos, aceitos no contacto de organismos animais, ao contrário dos da indústria petroquímica, em fase de declínio, determinado pelo colapso a curto prazo da produção de petróleo ou pelo grau de contaminação ambiental nas águas, no ar e nas terras, além da conseqüente contaminação alimentar e do meio-ambiente. Os centros tecnológicos dariam oportunidade à juventude rural para elevação educacional, bem como de empregos em sua região rural, pois as agroenergias podem perfeitamente transformar a realidade camponesa, melhorando as condições de vida, saúde, educação, trabalho e cultura, por meio da instalação de escolas, centros técnicos culturais e de serviços de saúde. O desenvolvimento da alcoolquímica favorece a descentralização, com a instalação de centros agroindustriais para produzir derivados dos combustíveis vegetais em regiões estratégicas. Estimula a geração de empregos especializados na agroindústria rural, contra-arrestando a concentração nas capitais, reduzindo a favelização, a violência urbana, a criminalidade e a prostituição, malefícios de excessiva urbanização sem alternativas de emprego.

    INTEGRAÇÃO ENERGÉTICA RENOVÁVEL DA AMÉRICA DO SUL
    17 – A criação da EBA viabilizará, ademais, a integração regional sul-americana, cujo potencial já se vislumbra a partir da proposta do presidente Hugo Chávez de comprar toda a produção de álcool combustível brasileira, sem aplicação de tarifas alfandegárias, com o que fica evidente o contra-senso que seria firmar um acordo com os EUA. Ao mesmo tempo, fica claro que uma operação deste porte necessita de uma Empresa Brasileira de Agroenergia, para que possa aproveitar a produção dos pequenos e médios produtores e da agricultura familiar. Seria, assim, favorecida a integração regional latino-americana com base na energia renovável, combinando a produção energética com a alimentar, conforme as metas de integração energética definidas na Conferência Energética do Sul, realizada na Venezuela em abril último. Isso também pode tornar realidade uma “OPEP Verde”. Para tal, seria recomendável que os paises da UNASUR também criassem suas respectivas empresas nacionais de agroenergia - na Bolívia, Peru e Colômbia, a produção de coca pode ser substituída pela agroenergia alimentar e combustível - viabilizando um sistema continental do sul de empresas interconectadas.
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    UMA CAMPANHA POPULAR
    18 – Não há dúvidas de que pelas dimensões, pela importância histórica e pelo desdobramento internacional que o potencial da agroenergia concentra, este poderia vir a ser o grande programa do Governo Lula, gerando emprego, trabalho e autodesenvolvimento sócio-econômico, além de descentralizar o meio rural, reduzir drasticamente a contaminação ambiental, gerar tecnologia baseada em fontes energéticas renováveis e limpas, exportável para o mundo como parte essencial da nova civilização da fotossíntese. Nesse processo, a indústria química seria novo vetor econômico de peso mundial (alcoolquímica, rícinoquímica e demais químicas de produtos vegetais dos trópicos).

    19 – Entretanto, uma decisão desse porte enfrentará os mais encarniçados inimigos externos e seus representantes internos, os quais estão já contando quanto lucrarão com a desnacionalização desenfreada do território brasileiro para produzir combustível vegetal exclusivamente para a exportação, desprezando os aspectos sociais, de extrema importância para o povo brasileiro. O modelo predominante será o de “plantations” com alta mecanização, que dispensa o trabalhador.

    20 – Certamente, farão uma agressiva campanha midiática contra possível decisão governamental, pois o presidente Lula já mencionou a intenção de criar uma empresa pública de agroenergia. A campanha de manipulação e desinformação que fazem hoje contra a criação de uma TV Pública, contra a soberana decisão governamental de quebrar patentes de medicamentos ou contra a importantíssima adesão brasileira ao Banco do Sul, será multiplicada e envenenada contra a criação de um instrumento soberano de Estado para uma política estratégica de Energia renovável. Esse é a EMPRESA BRASILEIRA DE AGROENERGIA, instrumento institucional essencial para tornar realidade a vocação nacional das energias renováveis, setor estratégico de âmbito mundial.

    21 – Assim, somente com um forte apoio popular, com uma campanha da mesma dimensão do que foi a Campanha “O Petróleo é Nosso”, será possível dar sustentação ao Governo para tomar esta histórica decisão. Para isto, necessitamos que o movimento sindical transcenda sua posição defensiva na defesa da CLT (também uma conquista da Era Vargas), para discutir o apoio à criação da EBA, inclusive impulsionando a reativação da indústria metalúrgica para a produção de 2 milhões de micro-usinas, de peças e equipamentos, de meios de transporte. A geração de renda e emprego no meio rural ativaria toda a indústria de bens de consumo duráveis e leves, já que há enorme demanda reprimida por sapatos, roupas, utensílios etc.

    22 – É indispensável que o movimento estudantil ganhe novamente as ruas, tal como a UNE fez, quando da campanha “O Petróleo é Nosso”, e que nas universidades sejam discutidos planos pedagógicos para o desenvolvimento de tecnologias para uma alcoolquímica nacional e para a multiplicação de centros tecnológicos em várias regiões do país, superando a grave alienação energética da universidade brasileira, incapaz de reconhecer que a miséria brasileira está pisando sobre o maior tesouro energético da face da terra. Que os CEFETS que serão criados, sejam multiplicados em número e que incorporem o desenvolvimento de técnicas para a alcoolquímica. Que nossas universidades superem a dependência tecnológica, patente, por exemplo, no não desenvolvimento de motores capazes de aproveitar as características do combustível vegetal, queimando o óleo a frio – já testados e com um rendimento comprovadamente superior – ao invés da submissão que obriga a adaptação do combustível aos motores das transnacionais automobilísticas, uma dependência que pode ser rompida através de forte impulso ao desenvolvimento tecnológico a partir da EBA, tal como a Petrobrás realizou no campo do petróleo. É urgente que os governadores e prefeitos coloquem o tema na ordem dia, como uma prioridade ante a sinistra ocupação estrangeira, inclusive tomando iniciativas a partir do executivo, com a convocação, dos movimentos sociais, para a criação de mecanismos de desenvolvimento local da energia renovável.
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    23 – Que sejam incorporados na direção deste plano os nacionalistas, militares, grandes patriotas com uma história de lutas em favor dos brasileiros e que sempre defenderam a energia da biomassa como instrumento de desenvolvimento e de soberania nacional. Este pode ser a base de um modelo de autodesenvolvimento econômico, com justiça social e que permite a utilização no trabalho de milhões de brasileiros desprotegidos e sem os meios efetivos de produção. Diante da sinistra onda de alienação territorial, os verdadeiros nacionalistas não têm qualquer justificativa para a omissão, a letargia, especialmente num contexto mundial de crescentes intervenções militares como extensão das políticas energéticas dos países imperiais! Nunca o povo brasileiro dependeu tanto como agora de seus patriotas, apesar dos seus grandes feitos do passado que construíram a Nação. Atualmente, o Senado dos EUA, de modo inexplicável, debate projeto de lei que abrange as diretrizes básicas da agroenergia no Brasil !!!!

    24 – Que os intelectuais, os artistas, os pensadores, a Igreja popular, as pastorais, os movimentos sociais, especialmente o MST, o MPA, a CUT, o MAB, a Contag, as universidades, a Assembléia Popular, os partidos progressistas, sejam, todos, protagonistas desta campanha que encontrará os mais intransigentes obstáculos: a reação mundial dos ideólogos do neoliberalismo não se fará esperar, como não se fez esperar contra a renacionalização dos recursos petrolíferos na Venezuela e na Bolívia; a ojeriza ao Estado como elemento agregador e promotor do crescimento de uma Nação levará as elites ao paroxismo. Mas é isso que se exige dos governantes atuais: entrar para a História em nome da luta heróica pela soberania nacional deixada por Vargas, por Sepé Tiaraju. Terminar com a execução de brasileiros, às centenas de milhares a cada ano, por um modelo econômico criminoso. Levantar o povo brasileiro em torno desta campanha, o início de nova luta pela independência, pela libertação e pelas transformações sociais do Brasil.

    17 de junho de 2007

    Campanha Popular “A AGROENERGIA É NOSSA! “

    Comitê Empresa Brasileira de Agroenergia - Coordenação Provisória da Campanha (*):

    Bautista Vidal (Físico)
    Beto Almeida (Jornalista)
    Adriano Benayon (Economista)
    Manoel Bonfim (Engenheiro)
    Marcelo Guimarães (Engenheiro agrônomo)
    Reginaldo Lopes (Deputado Federal PT-MG)
    TV Cidade Livre (Canal Comunitário de Brasília)
    Eduardo Dumont (Economista)
    José Artur Poerner (Jornalista e escritor)
    Mário Augusto Jakobskind (Jornalista)
    Beth Carvalho (Cantora)
    Celso Agra (Metalúrgico)
    Heloisa Toledo (Teatróloga)
    Osvaldo Maneschy (Jornalista)
    Irae Sassi (Jornalista)
    Federação das Associações de Moradores do RJ
    Associação dos Metalúrgicos Anistiados do ABC
    CUT (RJ)
    Rede Bio-Brasil
    (*) A Comissão é provisória, sujeita a novas adesões de
    organizações e personalidades a serem oficializadas nos
    próximos dias.
    Contatos:
    Em Brasília (DF)
    TV Cidade Livre de Brasília
    Endereço: SIG Quadra 2 Lote 430
    Cep 70.610-400 - Brasília - DF
    Telefone: (61) 3343-2713
    Fax􀀯61) 33431317
    E-mail - tv@tvcidadelivredf.com.br
    Em Belo Horizonte (MG)
    Escritório do Dep. Reginaldo Lopes
    Av. Álvares Cabral, 344
    Sala 11 04 – Centro
    CEP 30170-911
    Telefone: (31) 3273-9837
  8.  Denunciar
    A corrupção, a imoralidade, o autoritarismo, a vilanice, a semvergonhagem, a falta de escrúplulos, o corporativismo, a vaidade, a impunidade tomaram conta dos poderes da Nação tornando inóquoas as leis que regem os relacionamentos instituicionais de nossa Pátria e tornando ineficaz os instrumentos políticos da República. Diante disso, a única saida está no poder civil. Pela ação coletiva do voto expurgando os maus políticos ou pela ação individual em fazer a coisa certa. Não tendo vocação para o primeiro caso arrisco-me no segundo utilizando os elementos corretos e ainda disponíveis em nosso meio que são: o homem e seu trabalho ( mão de obra) a terra ( o meio ambiente e recursos naturais) e o capital ( instrumento para que o homem possa interagir com o seu meio ambiente e prover seu sustento). Essas relações tem que transcorrer em liberdade, sem imposição por qualquer uma das partes, numa livre negociação onde o papel do Estado é o de apenas garantir essa liberdade, protegendo as partes para que nenhuma se sobreponha à outra. Felizmente vivemos numa República Democrática em que se o Estado não cumpre a sua função, porque mal administrado, pelo menos não subjuga a nenhuma das partes, o que nos dá a esperança de poder fazer alguma coisa nesse sentido. Nessa linha de raciocínio, temos duas estruturas economicas que sobressaem na área produtiva dos recursos da terra: o cooperativismo e a Industria. No cooperativismo é onde reunimos a mão de obra que trabalha a terra, lança a semente, cultiva e colhe. a Industria onde predomina a teçnica e o conhecimento para a transformação dos produtos primários em manufaturados para o consumo. Uma terceira estrutura de nossa economia está no sistema financeiro que dado o seu poder insaciável e autóctone a todos subjuga No entanto, nos emaranhados de suas armadilhas de juros, taxas e serviços, encontramos saidas que podem nos auxiliar sem essas pesadas amarras. São as SPE (Sociedades de Propósito Específico) que tem a função de estruturar a securitização de recebíveis. Numa ação conjunta entre a Cooperativa, a Industria e a SPE, o produto originário do cooperado, trnasformado pela Industria e colocado no consumo, pela sua venda, cujo preço final é obtido através do recebível emitido pela SPE e transformado em recursos de liquidez pela colocação dos mesmos no Balcão de Negócios da Bolsa de Mercadoria e Futuros, onde os investidores aplicarão seus recursos. E esse dinheiro é levado para a cadeia produtiva mesmo antes do produto ser produzido.
    E isso nos podemos fazer sem a intervenção do Estado ou de quem quer que seja. É um ato de nossa própria vontade. Basta querer. E querer é poder. Dessa forma.
    Xerxes de Carvalho
    xerxes@viazul.com.bt
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