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      CommentAuthorNeddo Zecca
    • CommentTime24/11/2007 editado
     Denunciar
    Acessando o portal da BiodieselBR.com, tomei conhecimento do texto do engenheiro, mestre e pesquisador da EMBRAPA, Sr. Liv Soares Severino (comentário 8), e de suas observações com relação ao plantio do pinhão-manso como matéria-prima para o biodiesel.

    Destaco uma parte da declaração do Sr. Liv:
    “Eu sou pesquisador da Embrapa e geralmente
    acompanho as discussões sobre pinhão-manso sem me
    manifestar. Mas como uma opinião do outro lado foi
    solicitada eu resolvi escrever também.”

    Em seguida, refere-se a essa alternativa como “canoa furada” em que o agricultor poderá embarcar. Como sou do outro lado, respondo sobre a “canoa furada”.

    Fico admirado pela veemência com que o consultor especialista em mamona tem combatido e alertado o País, em especial os agricultores familiares, dos riscos que estarão incorrendo se plantarem o pinhão-manso. Minha leitura é a de que referidas conclusões constituem ato falho do pesquisador, pois na realidade o pinhão-manso começou a tomar parte do espaço da mamona bem como a soja, girassol, cambre, sebo animal, algodão e outras que, no final, tratarão do enterro da mamona quando for destinada para o biodiesel, embora não necessariamente como fonte geradora de renda para o agricultor familiar, até porque a mamona pode ser consorciada com o pinhão-manso.

    Na refutação ao manifesto referendado pelo Sr.Liv, muito provavelmente a mando do MDA, já havia me expressado e pensava que já tivéssemos superado essa fase. Resposta pública incluía 239 fontes de referência (estão disponíveis aqui no fórum BiodieselBR refutação ao manifesto) para ajudar a esclarecer as divergências. Deveríamos estar remando (desculpe o uso da analogia plagiando-o) para o desenvolvimento da cultura. Mas suas reincidências dificultam os avanços necessários.

    Chegou a revista BiodieselBR

    O verdadeiro PORTAL do BIODIESEL

    Expus minhas dúvidas e numa informação alertei sobre a “albumina 2S” no plantio da mamona, porque sei que o Sr.Liv e outros que referendaram são incentivadores da cultura da mamona. Aguardo o contraditório quanto ao passivo de saúde denunciado, para o qual ainda não obtive resposta. Preocupa-me esta falta devido ao risco de morte potencial. Tenho por hábito nas questões criticas expressar minha observação apoiada em literatura consistente. Eu não peco por omissão, sobretudo quando está em jogo o futuro do Brasil como produtor e fornecedor mundial de biodiesel, alavancando renda e emprego para nossos agricultores familiares, especialmente os que vivem no nosso sofrido Semi-Árido.

    É realmente lamentável que, contando com um Presidente com vontade política para implantar o biodiesel no Brasil como instrumento de sustentação de nossa segurança energética e, ao mesmo tempo, da geração de emprego e renda para os menos favorecidos, venha um pesquisador muito provavelmente formado com recursos da sociedade brasileira, registrar tamanho despropósito. Receio que seja de propósito.

    Por ser o Sr. Liv colunista importante da BiodieselBR e membro do corpo técnico da EMBRAPA, fico realmente temeroso e preocupa-me sua insistência com declarações cada vez mais fortes e contrárias ao pinhão-manso, sugerindo que os incentivadores dessa fonte de matéria-prima sobre a qual se debruçam importantes empresas e países fossem levianos, irresponsáveis e inconseqüentes e tivessem interesse de só vender sementes e mudas.

    Na vasta bibliografia que serviu de embasamento do manifesto referendado fiz minhas ponderações. Gostariam de saber quais as novas fontes lhe dão tamanha certeza quanto à canoa furada do pinhão-manso. Necessito da nominação para atualizar-me no assunto. Digo isto de forma a informar que, existindo embasamento técnico, revejo minha posição e adoto o melhor para o sucesso do Programa Brasileiro de Biodiesel. Penso ser o foco de todos e acho que o seu também, Sr. Liv Severino, embora tenha minhas dúvidas.

    Tenho a EMBRAPA como uma referência impar no Brasil e internacionalmente. Qualquer membro de seus grupos de trabalho que, vindo a público se manifestar, traz um peso de opinião significativo, quase um axioma. Todas as vezes que o Sr. Liv se expressa, faz questão de mostrar o vínculo e causa estragos importantes, o que se reflete, em outros órgãos públicos envolvidos no PNPB. Temo que se configure como porta voz da instituição EMBRAPA e, se o for, causará um novo e irreparável prejuízo à nação brasileira. Perdemos, no passado, anos de pesquisas com fatos e atitudes similares.

    No passado a EMBRAPA investiu na cultura do pinhão-manso e deixaram o barco à deriva. Isso talvez seja bem pior do que a tal canoa furada a que o Sr. Liv associa o pinhão-manso. A leitura do documento da EMBRAPA-EPAMIG (de 7 folhas ao final deste) relata o assunto. Pesquisa não pode ter vontade política envolvida como delineador do certo ou do errado; sustentável ou não sustentável; viável ou não viável, determinada por qualquer grupo político que ocupe o poder.

    Tenho acompanhado as dificuldades criadas por sucessivos governos com a curta liberação de verbas e recursos para pesquisas na EMBRAPA, mesmo com brilhantes resultados. Pesquisa não é como promessas de campanha que não são cumpridas, pois são resultados alcançados por trabalho constante não vinculado a mandatos. São anos de desleixo e abandono. Um exemplo grave é a situação do centro de pesquisas do dendê na Amazônia. Um trabalho de 20 anos sendo jogado no lixo. Perdas duras e graves. Não concordo absolutamente com isto e é exatamente por essa razão que outros países, com potencial agrícola muito inferior ao Brasil, dominam o mercado de óleo de palma e pretendem fazê-lo também com o biodiesel. Alias, já estão fazendo. É bom lembrar que a palma é uma das oleaginosas eleita como um dos pilares de sustentação do PNPB e da inclusão social da agricultura familiar. Isso sim é que poderíamos chamar de canoa furada talvez de forma proposital, porque não conseguimos encontrar um mínimo de racionalidade ou coerência nessa situação.

    Alguns órgãos estão retomando pesquisas devido à liberação de recursos do MDA para o programa de plantio do pinhão-manso. Penso, mas não imagino que pressões políticas estejam sendo capazes de alterar posturas e princípios fundamentais que norteiam a pesquisa. Seria de uma gravidade singular, isso para usar um adjetivo razoavelmente isento de juízo de valor.

    O Sr. Liv relata suas pesquisas, viagens e participações em Congressos nomeando um realizado em Wageningem, Holanda, patrocinado pela ONG Facts, na verdade uma versão atualizada da companhia das índias orientais. Verifique seu braço econômico na Tanzânia, a Diligent, seus objetivos e metas no setor de biocombustiveis. Ser a maior fornecedora de matéria- prima para produção de biodiesel para a comunidade européia baseada no pinhão-manso. Diz o ditado que “não existe almoço grátis”. A reunião patrocinada teve por objetivo buscar informações nessa maravilhosa canoa!!!!!

    Tomo como base o conceito de Bachelard sobre as criticas, tanto suas como de todos. Que os interesses relativos de criticar o plantio do pinhão-manso sejam de fato os reais objetivos da preocupação. Assinar o manifesto a mando do liberador de verbas deixa uma grande interrogação sem resposta: quais seriam as verdadeiras razões?

    Li suas observações ao programa indiano de biocombustiveis, em especial do biodiesel e do pinhão-manso frutos da sua viajem e dados coletados in loco. O Sr. informa, peremptoriamente e concomitantemente, que não devemos embarcar na “canoa furada”, pois será um fracasso.

    Tenho me mantido informado sobre o projeto indiano, mas diante da sua veemência com afirmações tão sombrias me senti obrigado a solicitar junto ao Governo indiano dados oficiais para confrontá-los com suas afirmações e rever meus pontos de vista. Não fui à Índia. Sua posição é tão veemente que imaginei pudesse, com essa iniciativa, reciclar-me com relação ao plantio do pinhão-manso.

    Da Índia recebi por e.mail uma cópia, do documento oficial e passo a transcrever em seqüência fatos e dados que considero relevantes para sua apreciação e a de outros participantes deste fórum de debate. O documento oficial e seus desdobramentos são os seguintes:

    Fonte: GOVERNO INDIANO DOCUMENTO OFICIAL DO PROGRAMA DE BIOCOMBUSTIVEIS. Fig.1:
    001
    001b

    Mensagem (fig.2 e 3):
    Figura 2:
    Mensagem do primeiro ministro
    Figura 3:
    Mensagem do primeiro ministro 02

    Documento da comissão de planejamento: (fig.4 e 5).
    Figura 4:
    Documento da comissão de planejamento
    Figura 5:
    Documento da comissão de planejamento 2

    No documento de 214 páginas estão as diretrizes básicas e os princípios que norteiam o desenvolvimento dos programas de biocombustiveis etanol e biodiesel da Índia. De forma sucinta extrai e transcrevo minha leitura do documento e onde tomei conhecimento da fonte oficial de dados que divergem um pouco das declarações do visitante Sr. Liv.

    O programa tem objetivos definidos e claros. Iniciaram com diagnóstico da situação e o objetivo final a ser alcançado. Traçaram um planejamento estratégico com diversos cenários, fizeram as análises de consistência técnica e econômica, estudos de pré-viabilidade, modelos-piloto, análise de logística (fator crucial), estudos de viabilidade e lançamento do programa. Um pouco diferente do brasileiro, talvez por ter confiado demais em conclusões na linha das expressas pelo Sr. Liv.

    O objetivo maior do programa da Índia é dar autonomia energética a um universo de 300 milhões de indianos que não têm acesso à energia elétrica, saneamento básico, água potável etc. E reduzir a dependência do petróleo importado, naturalmente.

    Buscaram no mundo e no seu território espécies agrícolas que permitissem gerar as formas de biomassa factíveis de serem usadas em regimes de sustentabilidade dentro da realidade indiana. Chamou minha atenção o fato de a Índia ser o maior produtor mundial de óleo de mamona e a terem descartado nesta primeira fase. As opções foram pela jatropha curcas lineus, moringa oleífera, com foco em culturas perenes, porque nessas o pequeno produtor vai gradativamente se livrando da tutela do crédito rural e também vai ganhando autonomia como agente econômico e cidadão. Tão simples como isso.

    Passo a detalhar os fatos relevantes do programa indiano com relação à jatropha curcas. Iniciaram verificando as ocorrências mundiais da jatropha curcas para obter as melhores fontes de sementes e matrizes em busca dos melhores genomas. (fig. 6)
    Figura 6:
    Distribuição global da Jatropha curcas

    Figura 7:
    Coleção nativa

    Identificaram e delimitaram os zoneamentos agrícolas para a cultura da jatropha curcas (fig.8). Destaco o estado de “Rajahstan” com as setas vermelhas mencionado pelo nosso viajante Sr.Liv como um local que não plantaram jatropha curcas. É obvio o local não fazia parte do plano diretor do programa mesmo tendo 10 ocorrências nativas. O motivo verdadeiro é que a região apresentava características precárias. O pinhão-manso não suporta condições inóspitas. É importante destacar que nenhuma planta sobrevive sem água, fator fundamental para a fotossíntese, e nem a variações climáticas extremas da região mencionada.

    Figura 8:
    Área delimitada

    As setas indicam a região mencionada pelo nosso visitante e mostra que se encontra fora do zoneamento do plano diretor. Ou, para ser um pouco mais claro: ele e comitiva foram, ou foram levados, exatamente para onde não havia a menor possibilidade de se encontrar um pé de pinhão-manso ou, então, encontrá-lo morrendo à própria sorte.

    Após o zoneamento foram selecionadas quatro áreas macro para a partida dos testes. (fig.9)
    Figura 9:
    Plantação de jatropha

    As quatro macro regiões foram subdivididas em 200 micro-regiões para um universo significativo e representativo do território indiano. Foram modestos: 400.000 hectares de jatropha curcas testados. (fig.10 e 11)

    Figura 10:


    Figura 11:


    Dentre estas áreas, mereceu especial atenção uma cooperativa de mulheres miseráveis, cabendo a cada uma um lote de 2 hectares no Estado de Maharashtra. O quadro total das áreas e suas localizações dos experimentos encontram-se em anexo. (fig.12).

    Figura 12:
    áreas e suas localizações dos experimentos

    Os resultados deram respaldo ao governo indiano para a real (apoiada em ciência) possibilidade de implantar um programa bastante ambicioso e extenso. (fig.13). Uma dimensão que contradiz frontalmente com a visão e a leitura que nosso ilustre viajante embrapiano Sr.Liv viu, informa e agora já atesta como conclusão.

    Figura 13:
    Programa bastante ambicioso e extenso.

    Todos os setores envolvidos fizeram suas tarefas, ensaios, os custos foram delineados e confrontados com as premissas iniciais. Destaco os trabalhos de base, em especial das pragas e doenças. Os resultados geraram diversos livros e publicações. É comum quando um conhecimento está consolidado virar livro. Diferentemente do que o Sr. Liv informa, já existe no mundo alguma bibliografia que está disponível aos interessados verdadeiramente na pesquisa e no plantio: (fig.14).

    Figura 14:
    Bibliografia que está disponível aos interessados verdadeiramente na pesquisa e no plantio
    Bibliografia que está disponível aos interessados verdadeiramente na pesquisa e no plantio

    Minha recomendação seria este pequeno manual de 577 paginas. Sua leitura certamente seria muito mais útil e gastaria menos tempo do que a tal viagem à Índia, pelo menos da forma como foi feita.
    Testes junto a DaimlerChrysler com o biodiesel produzido pelo pinhão-manso foram realizados, os quais apresentaram conformidade e características de enquadramento na norma européia EN 14214 (laudo em anexo). (fig.15)

    Figura 15:
    Laudo

    Nas planilhas de custos, o preço do biodiesel sinaliza ser inferior ao diesel importado. (fig.16)

    Figura 16:
    Laudo

    Nas curvas de sensibilidade preço do biodiesel vs sementes do pinhão. estabeleceram os cenários ideais de trabalho. (fig.17)

    Figura 17:
    cenários ideais de trabalho

    Após esta etapa estão nas fases subseqüentes. Culturas consorciadas referendadas nas ementas indianas regionais. Há várias delas, cabendo mencionar que num estudo que comentarei mais a frete, da EMBRAPA-EPAMIG, é possível consorciar pinhão-manso com mamona. (fig.18)

    Figura 18:
    Pinhão manso em consórcio
    Fonte Kumar

    Não sei se minha leitura tenha dado uma idéia do programa, sempre persistirão dúvidas. Sugiro a todos os que sentirem a necessidade de aprofundamento buscarem outros dados e fontes pertinentes e omitidos nas falhas da minha busca com relação ao programa indiano. Entre os diversos Kumares indico. (fig.19)

    Figura 19:
    Kumares
    Fonte Kumar

    Da viajem a Índia, o grupo brasileiro foi conduzido por 15 dias no País de Gandhi, (favor corrigir se minhas informações estiverem erradas). Dez (10) dias foram dedicados à visitação de plantações de mamona. Tirando os dias de ida e volta, o que sobrou ficou para a observação das plantações de pinhão-manso. Estiveram em Tamil Nadu, na Universidade e nos seus campos. Achei estranho que não tivessem mencionado uma coleção de publicações sobre o plantio da jatropha curcas do professor Maharshi, normalmente oferecida aos interessados no assunto. Para que não haja duvidas fiz uma consulta formal do preço e condições de entrega: existem ainda exemplares disponíveis. (fig.20)

    Figura 20:
    Compra

    Sr. Liv talvez tenha cometido o mesmo erro que Colombo quando viu a América e confundiu-a com a Índia. Pois a Índia que ele descreve é um pouco diferente da que os indianos informam.

    Do trabalho indiano resultou a parceria formatada entre o TERI e a BP. Os ingleses viram o ovo! (abaixo)

    “Release date: 02 February 2006
    BP announced today that it is to fund a $9.4 million project by The Energy and Resources Institute (TERI) in the Indian state of Andhra Pradesh to demonstrate the feasibility of producing biodiesel from Jatropha Curcas, a non-edible oil bearing crop. The project, which is expected to take 10 years, will cultivate around 8,000 hectares of land currently designated as wasteland with Jatropha and install all the equipment necessary – seed crushing, oil extraction and processing - to produce 9 million litres of biodiesel per annum. A full Environmental and Social Impact Assessment of all elements of the supply chain and life cycle analysis of greenhouse gas emissions will be completed as part of the project.
    “Recent developments have made green fuels economically attractive in view of the resource potential of this option and the environmental benefits associated with it, along with employment generation and empowerment of the rural population,” said TERI Director-General, Dr RK Pachauri. “We at TERI are very pleased to join forces with BP and are confident that integrating the strengths of the two organizations will provide a significant breakthrough for the country in this field, which is full of promise.”


    Para confirmar estas informações, podem ser usados os seguintes contactos:
    Vineet Handa ……………….….LocationTERI Phone:+91 (0 11) 2468 2100
    Sanjeev Lowe............... Location.BP India Phone :+91 (0 11) 2375 5344
    Wendy Silcock............ LocationBP London Phone: +44 (0) 207 496 4358

    A BP esta investindo no pinhão-manso desmentindo a afirmação do Sr.Liv e suas insinuações descuidadas, para não dizer viesadas ou maldosas. Pena que seja na Índia e não no Brasil que o pinhão-manso é nativo. Bastava folhear o “Dicionário das Plantas Úteis do Brasil” de M. Pio Corrêa do século passado, volume V, página 484/485. Pesquisadores especiais os nossos que criticam antes de pesquisar ou se inteirar corretamente.

    Vamos à Nicarágua e o biodiesel de jatropha. Sugiro a leitura do livro publicado e teses de mestrado e doutorado coordenados pelo professor Mittelbach da Universidade de GRAZ, Áustria. Mostrara o universo de erros e acertos com relação aos programas de biodiesel, biogás com o pinhão-manso. (fig.22) Para que cada um tire suas conclusões.

    Figura 22:
    Nicaragua

    Deverá ser lido também o relatório da empresa KEK CDC CONSULTANTS (auditor independente terceira parte). Para todos os esclarecimentos. Verão que as plantações de pinhão-manso sobreviveram a uma formidável erupção vulcânica, a anos de guerra, abandono e ao desatino de três grupos de sindicatos todos querendo o poder de mando e posse resultando numa gestão desastrosa. Para os interessados, consultar e solicitar cópia junto. (fig.23)

    Figura 23:
    Evolução

    Volto ao Brasil e à nossa realidade e ao permanente e desagradável desconforto de refutar. Não estou confortável e me desagrada à situação de tornar públicas estas observações.

    Sr.Liv Severino tenho observado vossa forma educada e lisonjeira como se refere aos defensores do pinhão-manso onde me incluo como fomentador. Tenho por hábito, quando me expresso ou escrevo, buscar algum fundamento em fatos, pesquisa, visitas, troca de correspondências, livros, projetos etc. Com relação ao pinhão-manso minhas primeiras leituras sobre o assunto foram de um pesquisador da própria EMBRAPA-EPAMIG Octávio Almeida Drummond, documento de 1986 da mesma instituição onde o Senhor trabalha. Este documento protocolado junto ao MCT, faz parte do acervo de documentações da EMBRAPA encaminhado ao coordenador do programa, Antonio Álvaro C. Purcino.

    Gostaria de saber de Vossa Senhoria os motivos pelos quais não devo acreditar nestes dados da EMBRAPA-EPAMIG e confiar no Senhor e em sua pesquisa atual? Sempre tive imenso respeito pelos pesquisadores da EMBRAPA e não posso seguir seu conselho. Observo que o documento em anexo foi escaneado do original da EMBRAPA e que a leitura ótica não permite corrigir os erros de português. Sugiro uma leitura completa e depois formem suas próprias opiniões e tirem suas conclusões, prezados senhores. (abaixo) são 7 folhas no original:

    ------------[INÍCIO DO DOCUMENTO]----------
    Folha 1
    EMPRESA DE PESQUISA AGROPECUARIA DE MINAS GERAIS
    Antonio Álvaro C. Purcino
    Octavio A.Drummond
    Coordenador Projeto Pinhao Pesquisador EMBRAPA—EPAMIG

    INTRODUÇÃO
    Esta oleaginosa, Jatropha curcas L., esta sendo estudada pela EFAHIG, com o apoio da FINEP, desde 1982, quando foi feito o primeiro plan tio, em areá de um hectare, sob regime de irrigaço por infiltraço, em Janaiba. Este plantio foi feito com semente por plantio direto, de Araçatu ba, SP.

    Outras areas foram plantadas nos anos seguinces,estando atual mente esta cultura sendo estudada nas seguintes fazendas da EPAMIG:
    1 — Janaba — 1 ha — plantio em Dez 82
    2 — Jaba — 10 ha em 84/85 plus 20 ha em 85/86, total 33 ha.
    3 — Acau — 10 ha em 84/85 — 20 ha em 85/86, total 33 ha
    4 — Governador Valadares — 1 ha em 84/85 — 5 ha em 85/86, tota 1 6 ha.
    5—Felixl&ndia—2haem83—2haem&4—3haeni85—2Ohaem8S/86 —
    total 27 ha
    6 — Lambari — 0,02 ha em 84 ha
    TOTAL GERAL — 94,02 ha

    O lote em Janaba, com irrigaço e situado em terreno de boa fertilidade, de baixada, onde havia antes um bananal, começou a produzir logo no 29 ano, atingindo 2.000 kg/ha de sementes em 84; devido o adensamen to das copas das plantas, dispostas no espaçamento de 3 x 2 m, todavia, sua produço caiu em 85. Uma poda geral e desbaste foi feito em fins de 85, pa ra os espaçamentos 6 x 2 e 6 x 4 m, com o fim de se garantir s p]antas maior insolaço, o que devera concorrer para o aumento de sua frutificaço.

    O lote da Jaba, plantado em solo de boa fertilidade, plano, esta muito bem desenvolvido, iniciando a 1? parte plantada aproduço,em 86.

    Folha 2
    O lote em Acau, a parte plantada em 84/85 tem sofrido bastante com o ataque intenso da formiga saGva, apesar dos constantes combates a esta praga. A saiva ta síria praga desta regio,. at& extensos eucaliR tais ttn sido por ela destruidos, caso no recebam proteço continuada. Es te plantio est& situado em terras altas, de fertilidade mdia, originaria — mente de mata seca.

    Governador Valadares tem seu pinhal plantado em rea amorra— da, originariamente de pastos. o plantio situado no clima mais quente, de todos eles. Apresentou, o lote de 1 hectare, boa produço em 86, mas as plantas situadas na parte mais alta da encosta apresentaram apenas uaterço do desenvolvimento das plantas nas partes mais baixas, por questes de fertilidade do solo e regimen de seca no inverno.

    Em Felixlndia temos feito v&rios experimentos de espaçamen — to, densidade de plantio, (plantas por cova), adubaço orguica e mineral sistema de plantio (por sementes, por manivas do caule, de raiz nua), con— srcio com milho, sorgo, feijo, mamona, plantio em camalho, profundidade de covas, cons6rcio com mandioca, plantio por mudas de raiz nua de diversas idades. Todos estes plantios foram feitos em solo muito pobre, de cerrado típico. So experimentos novos, que produziro a partir de 87/88.

    Temos tambm seleço de plantas matrizes, em todos os plan — tios com bom desenvolvimento.

    Em Lambari temos pequena moita de pinho para testes em clima frio, sujeito a geadas.

    Em Gro Mogol, em terreno de cerrado no muito pobre, de planalto, temos acompanhado tambm o plantio de 15 hectares de pinho, a realizado pela CVRD (Companhia do Vale do Rio Doce), em 1984. Este lote esta com titno estande, mas de desenvolvimento lento.
    Temos -tido tambm o apoio dos laboratrios de Fitopatologia Entomologia, Solos, Analise Foliar, do CIAP (Centro Integrado de Apoio Produço) da Secretaria da Agricultura de Minas Gerais, para, estudos cornple mentares do piriho, em laboratrio e em casa de vegetaço.

    CONCLUSÕES

    O pinho uma planta bem adaptada aos períodos de seca do [Folha 3] norte de Minas, perdendo suas folhas com a entrada do frio, agravado pela falta de chuvas. Tem boa capacidade de armazenar gua no caule, bem eviden ciada no plantio em Grão Mogol, onde a planta ainda nova desenvolveu nota vel espessura na base do caule. A praduço da planta, todavia, pode ser bem afetada pela baixa fertilidade do solo, pelo regimen de seca intensa,pe lo frio ocasional. Enquanto nossos plantios no cerrado e em terrenos secos est&o ainda com baixas produçes, o de JanaGba, feito em terreno rico em mataria organica e irrigado, j deu as seguintes produçes em quilos por hectare:
    1 ciclo de colheitas, do 119 ao 199 mas aps o plantio, Outubro 83 a junho 84:
    covas coto 1 planta — 6.112 kg/ha
    covas com 2 plantas — 5.951 kg/ha
    covas com 3 plantas — 4.922 kg/ha
    Mdia Geral — 5.662 kg/ha
    II ciclo de colheitas, Janeiro a março 85:
    covas com 1 planta — 1.845 kg/ha
    covas com 2 plantas — 2.261 kg/ha
    covas com 3 plantas — 1.961 kg/ha
    va—se que a produço caiu sensivelmente em 85 (apesar de faltarem ainda os dados das ultimas colheitas deste ciclo). Esta queda da pro— duço pode ter sido devida ao excesso de irrigaço e ao adensamento das copas do pinhal, com as plantas por demasiado prximas, 3 x 2 metros. Esses defeitos foram corrigidos em fins de 85, com o raleamento e poda das plantas, deixadas agora a 6 x 2 e 6 x 4 metros, e suspenso da irrigaço.

    A produço do pinhao depende grandemente da fertilidade do sc 1o, o que ficou evidenciado no s6 pelas baixas produçes havidas nos solos pobres como tamb&n no prprio ta1ho em JanaGba — as plantas da parte do terreno mais arenosa produziram:
    na parte mais pobre, arenosa — 3.225 kg/ha —índice 100
    na parte mais riça, argilo—arenosa — 6.578 kg/ha — dice 204
    Todas receberam boa adubaço em NPK.

    Folha 4
    O potencial de produço do pinhao em sementes ficou evidencia do, todavia, pelas produçes das melhores plantas: 6.468 kglha, 6.373 kg/ha no 19 ciclo de colheitas.

    A seleço de matrizes das melhores produçes assim furidamen tal no melhoramento da cultura do pinho, h sempre grande variaço nas pro duçes das plantas, muitas vezes lado a lado. Matrizes mais produtivas j& se acham marcadas em todos os.plantios da EPAMIG para esse fim. - Em 1986 iniciaremos tambm testes de enxertia da planta, para se garantir maior uni formídade no pinhal. O plantio por estacas esta tambm em estudos. O plan ti0 por mudas de raízes fluas, formadas em viveiros densos, com 3 a 4 meses de idade, transplantadas para o campo no inicio da poca das chuvas, o processo mais aconse1hve1 at o momento, podendo as mudas serem transportadas a longas distancias, desde que suas raízes sejam devidamente protegi das contra o ressecamento por embalagem apropriada. O plantio das mudas em covas profundas no centrd, com 75 por 25 cm, recebendo 10 a 20 litros de es terco bovino curtido no fundo e cheia a cova com terra de superfície, enri quecida por ca1crio dolomtico e NPIC, tem se mostrado ser pratica altamen te eficiente. Trabalhando com uma perfuratriz acoplada a trator,arn fei tas em Felixlndia 2 covas por minuto, em trabalho de 4 horas seguidas. Covas feitas a cavadeiras demandam 2 homens para 30 a 40 covas por um dia de — trabalho de 8 h.

    Outro caminho a seguir no melhoramento da cultura a obten — ço de material gentico diferente do nosso, tentar—se cruzamentos acompanhados de seleço. J escrevemos a Angola, Índia e ao I.R.H.0. (Institut de Recherches pour les Huiles et 0lagineux) da França, solicitando material de pinho, mas ainda •no obtivemos respostas.

    O pinho dado como originrio da Amrica Tropical, de acordo com v&rios autores. Mas em Minas jamais se acha esta planta em estado espontâneo, mas sempre plantada em cercas ou a beira de terreiros, prximas a moradias ( dito como protetora da moradia contra as ms influncias) .To do o material que temos coletado, desde Araçatuba (SP) at o Cear, tem se mostrado de absoluta uniformidade, o que faz pr em dívida sua autoctoni cidade americana. A semente do pinho usada pelos negros em suas cerim nias religiosas, talvez ela tenha sido trazida no período da escravidao.

    Folha 5
    J varias autores acham que os portugueses a disseminaram pela África, Ásia e Oceania. Na África o pinho conhecido em muitas regies como “pinho da índia”; a literatura botanica do sculo 18 cita esta planta em todos os países tropicais do mundo, mas espontanea tnente em Angola (Martius e De Candoile). Auguste Saint Hílaire, o notvel botníco que percorreu quase todo o norte de Minas em 1817 e numa segunda viagem a Minas mais tarde, no cita em parte alguma de suas obras o Jatropha curcas como ocorrendo na flora mineira, citando outras duas euforbiaceas oleaginosas bem distintas. O fato que necess&rio achar—se o centro gentico do pinho para a se acharem formas para seu melhoramento.

    O futuro da cultura do pinho.
    Por ser uma planta produtora de leo com todas as qualidades necessrias para ser transformado em 6leo diesel, sendo de fcil cultura,pe rene, o pinho merece toda a atenço dos brasileiros para que se torne uma cultura produtora de mataria prima como fonte opcional de combustvel.

    A propriedade de suas sementes se conservarem bem aps a colheita, por muitos meses, aguardando o transporte para os centros de sua industrializaço e a natureza do fruto semi—indeiscente — algo carnudo quando maduró, secando na planta depois: esta qualidade facilita em muito a colheita, podendo esta ir de dezembro a abril, em Minas Gerais. Os frutos que caem no solo, todavia, so facilmente achados pelo coletor e no se es tragam com facilidade. Resta fazer conseguir—se a melhoria da cultura, f a— zendo—a mais produtiva, com plantas de copas no muito altas, com colheita em período mais concentrado. Isto poder ser obtido com praticas agronSmi— cas adequadas e a obtenço e cruzamentos de plantas introduzidas, com carac teres agrontnicos mais desejáveis.

    Por suas boas qualidades de conservaço da semente colhida, o pinho uma cultura que pode se desenvolver nas pequenas propriedades, com a mio—de—obra disponível nos elementos da familia do proprietario e dos co lonos, como acontece na cultura da mamona, na Bahia principalmente. Sera mais uma fonte de renda das propriedades rurais, to carentes de apoio nas regies do norte de Minas. O plantio do pínho ao longo das cercas dívis rias ou dos pastos da propriedade uma pratica j existente, com a vanta— gemde no ocupar reas importantes para outras culturas e pastagens [Folha 6], noticia de envenenamento do gado pela folha do pinho, apesar desta ser a! go txica, mesmo porque quando ha falta de pastos, na poca da seca, o pi— nheiro est& totalmente sem folhas. Uma vantagem do pinho plantado em cer— cas de pastos garantir planta timas condiçes de insolaço, das quais muito exigente. As cercas tero de ser mantidas devidamente aceiradas, pois a planta muito sensível ao fogo, o que ser uma vantag1 para a conservaço das prprias cercas e para a melhor disciplina do uso das quei—inadas.

    O plantio do pinhao em talhoes podera receber plantas de con— srcio, pelo ménos nos 3 a 4 primeiros anos, pois o espaçamento para o pi— nho devera ser no mínimo 4 por 3 metros. O algodo, a mamona, o milho, feijo, a mandioca, poderio ser com vantagem assim consorciadas ao pinhas dependendo, todavia, dos recursos em mio—de--obra disponíveis para as capi — nas e tratos culturais. A cultura solteira permite o cultivo mecanizado in tegral da cultura do pinhão, mas havendo consrcio com o plantio de outra cultura nas ruas do pinhal, as capinas tero de ser feitas a enxada ou por traço animal. Nos terrenos pouco acidentados, com o plantio de 4 por 4 me tros, o pinhal pode ser cultivado por roçadeiras a trator nos dois sentidos do campo.

    Terminando, sugerimos que o projeto da produço do leo do pinho seja de imediato dinamizado, que a par dos recursos aplicados nos es tudos da produço da planta e da tecnologia do leo, que se inicie tambm a compra da semente em todo o Estado, a preço semelhante da semente da mamona, competitiva, de modo a se difundir no meio rural o interesse pela pra duço desta oleaginosa. Propomos isto baseados no fato de j haver uma pe quena produço de pinho em Minas, usada na fabricaço de sabo domstico ou na industria de sabonete — basta que o projeto entre nesse comrcio, du— .rante 4 a 6 anos, para que a produço do pínho se firme em grande esca la Enquanto isto, as contribuiçes dos meios tcnicos para as praticas a— gron&nicas com o pinho seriam adequadamente divulgadas, com o auxilio da EATER, rdio, televiso e pela imprensa. Ap6s esse perodo, o leo do pi— nho estaria sendo usado tamb&n como leo diesel, ainda que subsidiado pela renda estatal na venda dos derivados do petr6leo, no pais.

    Outra sugesto que apresentamos que o projeto seja levado [Folha 7] ImazSnia pois aparentemente o pinho prefere climas quentes e inidos para dar o maxímo de produço. A planta sobrevive bem sob condiçes de seca em terrenos altos, mas assim produz pouco. Atravs a EMBRAPA, em seu CPTH (Centro de Pesquisas dos Trpicos timidos), no Para, os primeiros testes p0 deriain ser feitos para orientaço futura. Um pequeno plantio sob condi— çes de clima amido e quente ja deve ter sido feito, no sul da Bahia, por intermdio da CEPLAC, para oqual mandamos sementes, em 1984.

    EPAMIG, 31 de março de 1986
    Sistema Cperacoriai da Agricultura. Vinculado a Secretara de Estado da Agricultura de Minas Gerais

    ------------[FIM DO DOCUMENTO]----------

    Estamos diante de uma situação kafkaniana: um membro da EMBRAPA diz uma coisa, outro escreve e assina outra sobre o pinhão-manso. Será que estamos no mesmo País, mesma cultura, mesmas regiões. Pergunto: pesquisa perde validade com o tempo igual a remédio ou produto perecível, ou as condições climáticas mudaram tanto de 1986? Terá sido CO2? Ou o efeito estufa?
    O Programa brasileiro de biodiesel tem problemas estruturais sérios, a mamona e seus defensores não têm sustentação técnica, econômica além de permanecerem no anonimato em não alertar sobre o passivo de saúde das albuminas 2S sobre os que lidam com ela, comportamento este no mínimo grave.
    O Sr. Liv faz parte dos protagonistas e condutores do atual programa. Divergimos na forma de pensar, princípios e objetivos. Mesmo sabendo que a estrutura pública é refrataria a críticas, como, técnico não me omito e contesto apoiado, conforme pôde ver, em fatos, documentos oficiais, livros publicados e tudo mais. Penso que a autonomia energética poderia livrar a agricultura familiar do cabresto secular e tradicional hoje travestido de PRONAF e outros programas. A Índia está fazendo isso com maestria.

    Dar autonomia energética ao pequeno agricultor deve ser premissa. Sou contrário à manipulação da população que vive á margem da sociedade como um novo processo de escravidão travestido de ajuda. Temos de regatar sua cidadania e dignidade. O pinhão-manso e suas externalidades como complemento aos tradicionais plantios e junto com os consorciamentos. Permitirão ao agricultor vender no mercado tanto o grão e preferencialmente o óleo de jatropha. Se for apoiado minimamente, permitindo-lhe deixar de ser um mero fornecedor de matéria-prima e vendedor de um produto mais elaborado, com maior valor agregado, deixando em sua propriedade os co-produtos para uso como ração animal ou como fertilizante. Abre novas possibilidades de ganhar dinheiro, autonomia, cidadania e deixar de uma vez por todas de participar de bolsas de ajuda neste que insistem em transformar num país de marsupiais. Acabrestados devidamente, claro.

    Um modelo pode ser o conceito do professor Dr. Klaus Becker
    Figura 24:
    Klaus Becker

    Todos os que se dedicam ao desenvolvimento de bases de biomassa destinadas à produção de biodiesel devem ter em mente de se munir sempre de um bom agrônomo com experiência no local pretendido para o projeto. Todas as oleaginosas são esgotantes dos solos e deverão merecer especial atenção, pois a fertilidade e sua manutenção são as bases para sustentabilidade e garantia de futuro. Isso vale para qualquer planta e não apenas para o pinhão-manso como muitos insistem em sublinhar.
    Não existe uma solução, mas várias e sempre uma combinação de todas as possibilidades das culturas regionais. Sr. Liv quero que saiba que continuo a questionar que continuar investindo na mamona para o biodiesel é um erro. Aos que incentivam sua plantação recomenda-se tenham igualmente a decência de informar sobre os riscos e das prevenções necessárias para proteção da ação das albuminas 2S e de seus efeitos que podem ser fatais. Se não for pelo espírito de humanidade, que pelo menos seja para que o Brasil não seja acusado lá fora de matar trabalhadores de exaustão no corte da cana-de-açúcar e de envenenamento no trato da mamona. Pelo menos não pequem por omissão.

    Mas fica uma questão. Por quê?

    Todos os que têm participado dos esforços para a disseminação da cultura nativa jatropha curcas têm sofrido uma rigorosa fiscalização por parte do MAPA, com as ameaças de prisão, retenção de sementes e multas pesadas, o que configura atos autoritários e exacerbados mesmo dentro da lei, conforme quem a interpreta. O Sr.Liv é um dos atores do enredo de interesses ainda não expostos. Talvez o retorno do “Sistema de Mercês” de reproduzir o poder e hierarquizar os sujeitos, inserindo-os em relações de favor e dependência e reforçar o exercício de suas prerrogativas de mando.

    Duvido que outra cultura no País tenha sofrido tamanha perseguição. Mesmo os plantadores de soja transgênica contrabandeada não sofreram tamanha pressão. Por que será? Zelo com o agricultor familiar, para que não embarque na tal canoa furada?

    Promoção: ganhe o mapa do biodiesel

    Se o MAPA e o MDA acham que realmente é uma canoa furada, por que não aproveitam o sistema do Selo Social e deixam a escolha da matéria-prima à empresa concessionária do Selo, em conjunto com o agricultor, com a condição de que a empresa garanta ao agricultor uma renda compatível com uma cultura aprovada pela EMBRAPA, para a região? Não seria esta uma forma (inteligente) de dividir os riscos dessa suposta (ou imposta) “canoa furada” a que se refere o Sr. Liv/EMBRAPA com empresas e associações de produtores que estão apostando no pinhão-manso?

    Outra omissão preocupante é o posicionamento passivo na compra dos bancos de genomas (sementes) de soja e milho por grupos internacionais, os ilustres Senhores do MAPA não levantam uma única pena em defesa dos interesses estratégicos da Nação brasileira. No futuro pagaremos para plantar milho, soja e quem sabe até jatropha curcas digo pinhão-manso.

    Senhor Ministro Reinhold Stephanes considero altamente necessário para sua gestão e para o bem do Brasil, dar atenção a esta luta de muitos brasileiros tentando resgatar culturas tradicionais do nosso Pais e que estão sendo injustamente punidos como se fossem bandidos e criminosos. O Pinhão-manso fazia parte importante da economia brasileira nos séculos XVIII e XIX era o óleo que iluminava a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro quando faltava o óleo de baleia. Sua existência está documentada com datamento anterior á criação do Ministério que Vossa Excelência atualmente gerencia.

    Estamos diante do Brasil oficial e do Brasil real. O oficial representado pelo Sr. Liv e o real feito pelos Tominagas, Cesares, Vedanas, Zenaides, Adonetes, Trentos, Möllers e muitos outros que, mesmo sob a ameaça do rigor da lei, não desistem de pensar em um Brasil melhor e lutam pelo que acreditam ser correto e estruturante. Sou apenas mais um na corrente do pinhão-manso. Peguei este barco quando passava pela qualidade dos remadores e participantes que mostram o Brasil real feito do trabalho e por este fiz minha opção.

    Não é preciso dizer que estou à disposição para discutir e rediscutir o tema, não obstante esteja convicto de que já é passada a hora de lutarmos juntos por um Brasil melhor, antes que mesmo juntos ainda sejamos poucos. Percebo que a data deste documento (Dia 19 de novembro de 2007) coincide com o Dia da Bandeira Nacional. Talvez não seja inteiramente por acaso.

    Neddo Zecca, mais um da membro da corrente do pinhão manso.
  1.  Denunciar
    Caro Neddo,
    Sua analise perfeita da situacao do Pinhao Manso, amplamente comprovada com documentos reais, expoe de maneira arrasadora o vies contra a cultura do Pinhao Manso. Necessitamos realmente que a EMBRAPA venha oficialmente a publico declarar os motivos reais para esta opiniao expressao pelo Sr. Liv.
    Acabamos de participar do II Seminario do Biodiesel e Pinhao Manso em Vicosa, MG (23-24 de novembro de 2007), onde foi constituida com o apoio irrestrito da ABPPM a RNPPM - Rede Nacional de Pesquisa do Pinhao Manso, juntando as empresas associadas da ABPPM e a Universidade Federal de Vicosa para um esforco conjunto na pesquisa e desenvolvimento de cultivares do Pinhao Manso para viabilizar seu registro no RNC.
    Totalmente lamentavel as restricoes miopes ao Pinhao Manso, pois o mundo la fora ja definiu a Jatropha curcas como a principal materia prima para producao do biodiesel.
    Meus parabens pela sua brilhante analise e exposicao. A ABPPM - Associacao Brasileira dos Produtores de Pinhao Manso concorda com cada ponto e virgula de sua posicao clara e transparente em prol do Pinhao Manso.
    O Brasil necessita de mais Neddos!
    Mike Lu
    Presidente
    ABPPM - Associacao Brasileira dos Produtores de Pinhao Manso
  2.  Denunciar
    Reforçando as palavras do Neddo Zecca, destaco uma apresentação feita pelo Dr.Ajay Kohli, Doutor em biologia da Universidade de Newcastle.

    Nesta apresentação ele afirma existir na Índia 400 mil hectares (em uma segunda fase terão 2.5 milhões de hectares) e diz que o Comitê Nacional de Planejamento em Biocombustíveis indiano (citado no texto do Neddo Zecca), está definindo uma área de 11 milhões de hectares para o plantio de jatropha.

    Na apresentação o Dr. Kohli cita o Brasil como o "país mais inesperado para adotar a jatropha". Isso mostra como estamos atrás no desenvolvimento do pinhão manso.

    http://www.newcastle.ac.uk/environment/people/profile/ajay.kohli
  3.  Denunciar
    Prezado Sr. Neddo,

    Parabens pelo seu texto, suas colocações são absolutamente pertinentes. Fico atônito ao constatar que existe uma ou mais correntes dentro do MAPA e do MDA que são DESCARADAMENTE contra o Pinhão manso; tudo nos leva a crer que essa turma realmente vendeu a alma ao diabo. Aí eu me pergunto: a quantos "almoços grátis" esses homens foram convidados?
    Francamente, onde está a honra dessas pessoas? Será que eles conseguem ter paz quando se deitam para dormir?

    Estou muito preocupado com tudo isso; já perdemos tempo demais, precisamos despertar esse país, não podemos mais tolerar tamanhas barbaridades.
    Temos um grande caminho a percorrer, não temos o direito de desanimar.

    Grande abraço.
    Roberto Bandeira
    rmban@click21.com.br
  4.  Denunciar
    Quando elaborava um CD sobre as vantagens do pinhão manso tive a inestimável colaboração do Neddo, um especialista que merece a nossa consideração pelos conhecimentos das vantagens para o país com o uso dessa cultura nativa para viabil;izar o programa do biodiesel. Este CD está disponível, pois mostra as diversas experiências locais e internacionais com a exploração do pinhão, com destaque para as pesquisas da Epamig, antecidas pelos ensaios em Pernambuco, em 1981. Recentemente, fiz palestra na Associação Comercial de Pernambuco, mostrando com esse CD as enormes perspectivas que a cultura do pinhão manso poderia ensejar às regiões mais necessitadas e, como é o caso do Nordeste, da predominância da agricultura familiar. Aplaudo mais uma vez o parecer competente do Neddo na defesa da cultura do pinhão manso, almejando que o nosso Ministro interfira para permitir o andamento dos trabalhos de pesquisas e fomento tenham andamento e prioridade, pois acredito no potencial dessa oleaginosa que vem ganhando destarque em outros paises. Lembro que na Guatemala, usando cultivares selecionados de Cabo Verde, tradicional exportador de pinhão manso para Portugal, na década de sessenta, obteve resultados positivos e já dispõe de material selecionado para distribuição com os agricultores. Almejo que o Ministro da Agricultura interfira para dar condições e prioridade aos trabalhos de pesquisas, bem como o fomento com tecnologias disponíveis a cargo da Epamig e entidades privadas interessadas, como bem sugere o nosso Neddo no seu irrepreensível parecer.
    Fernando Chaves Lins
    Agrônomo
    • CommentAuthorzlito
    • CommentTime26/11/2007
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    Excelente, porque esclarecedora do ponto de vista político e técnico. Não há dúvida da real possibilidade da coexistêncioa do pinhão manso com outras oleaginosas até para avaliação da cultura mais viável por região, isoladamente ou consorciada.
    Espero agora o contraditório do Engenheiro Liv Severino, pois, tal discussão/polêmica é salutar e condição do debate técnico de há muito deixado de lado no Brasil. Talvez por isto, alguém tenha eleito, atropeladamente, a mamona como a a oleaginosa "perfeita" para produção de biodiesel. Acredito na viabilidade de seu aproveitamento energético, além de biodiesel, da mesma forma que acredito no pinhão manso e refuto a utilização da soja entre outras de uso alimentar concorrente.
    Vamos lá!
    Parabéns SR Neddo
    • CommentAuthorlandrade
    • CommentTime26/11/2007 editado
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    Caro mestre neddo zeca

    Fico feliz de constatar que ainda existem pesquisadores serios nesse pais e seus argumentos deveriam estar publicados na imprensa nacional para ver se alguem do governo descubra um pouco da realidade do biodiesel no mundo.

    É absolutamente ridiculo que venham a questionar o pinhão manso como fonte adequada de materia prima para produção de oleo destinado a produção de biodiesel quando existem bilhões de dolares sendo investidos no plantio desse cultivo no mundo e isto esta sendo feito com a participação de grandes empresas de petroleo e pelos governos da china, india, malasia, moçambique e em varios paises africanos.

    Naturalmente sendo um cultivar com pesquisas agronomicas ainda muito recentes , existem muitos conceitos antigos que são citados equivocadamente - pois foram elaborados quando ainda praticamente inexistiam pesquisas de caracter cientifico e sim opiniões de pesquisadores isolados que se baseavam em citações tambem empiricas -- como afirmar que a planta não é atacada por insetos e pragas ou que sua resistencia ao extresse hidrico não traria nenhuma perda de produtividade ou que poderia sobreviver e ter alta produtividade sem adubação adequada em solos pobres e sem agua ..

    Mitos que estão se desfazendo com as publicação de relatorios de pesquisas cada vez mais frequentes nos centros de pesquisa das universidades de viçosa,lavras,e em muitas outras e nas instituições estaduais de pesquisas da bahia ,pernambuco e minas geraes ,

    Onde a epamig possui importante experiencia recente e sua atual administração vem tentando resgatar o pioneirismo iniciado nos anos 80 ,que fiquei muito feliz de ver reproduzido e transcrito no seu documento pois é lamentavel que as pesquisas iniciadas nessa época --com apoio do cnpq-conselho nacional de pesquisas ,onde fui conselheiro representando o então ministro da fazenda( mario henrique simonsem )---tenham sido abandonadas pelo governo de minas gerais por razões desconhecidas ,provavelmente politicas ,e que seus resultados ainda que parciais e preliminares praticamente nunca foram divulgados.

    Ao divulgar esse documento da epamig de 1986 você prestou um inestimavel serviço publico ao brasil e a todos pesquisadores brasileiros e colocou no seu devido local os obscurantistas que se colocam ,conscientemente ou por ignorancia, a serviço de interesses não nacionais.

    Não existe nenhuma duvida que o pinhão manso se configura como a mais saudavel e eficiente alternativa para produção de oleo vegetal por um cultivar não concorrente com as oleaginosas utilizadas para consumo humano , autorizando e permitindo a definitiva eliminação do tão mundialmente discutido confronto entre a produção de energia e a de alimentos.

    Por sua rusticidade e resistencia natural é a melhor alternativa a ser explorada nas regiões semiaridas com possibilidade do uso de irrigação, podendo ser plantado em terras pobres ou degradadas devidamente corrigidas e adubadas ,com excelente produtividade.

    Em resumo penso , a luz das pesquisas disponiveis , que onde existir sol ,agua e terras de qualquer qualidade o pinhão manso poderá ser produzido de modo eficiente e competitivo com as outras oleaginosas.

    Seu depoimento sem dúvida se constitui o mais consistente libelo contra os interesses que se opoem a difusão do cultivo do pinhão manso no brasil.

    Alem de parabenizá-lo pelo seu belissimo depoimento tenho apenas um pedido a fazer :

    O seu documento apresenta a reprodução de alguns importantes documentos e correspondencias resultados de suas pesquisas ,mas sua reprodução no site deixa a desejar não permitindo sua facil leitura ,pois muitas vezes a imagens estão com letras reduzidas e as legendas dos graficos estão inelegiveis (fig 24 p/ex.). Outro exemplo a bibliografia citada reproduzindo a capa das publicações e livros nem sempre nos permite identificar suas origens/editoras para facilitar sua aquisição ; e naturalmente apreciariamos se pudesse complementar seu depoimento fornecendo a lista dos sites por você pesquisados (por exemplo as paginas do relatorio da daimler chryler.imagens 15-16-17)

    Desse modo solicito que disponibilize, pelo menos aos mais interessados, em absorver seus conhecimentos e experiencia o acesso a esses anexos de modo direto em seu formato original e que tambem nos forneça seu email pessoal e que se comunique conosco para que possamos lhes encaminhar mais material tecnico sobre a expansão do pinhão manso no mundo, estamos certos que a sua experiencia , ação e liderança será fundamental para obtençaõ da revisão dos equivocos do programa nacional do biodiesel.

    Conte com nosso apoio agora e sempre, e não hesite em nos procurar, a qualquer tempo.

    Luciano Mauro de Andrade
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    Me da muito pracer ler perto do pinhao m. eu sei que o Brasileiro se preocupa pela agricultura , e nao como El salvador que o goberno nao poe interesse en esto que agoura nos esta matando au poucos como sao os altos precos do prtroleo.Felicito ao governo Brasileiro que sim esta com todas as clases sociais. Abracos.Abelino Argueta . Ing. Agronomo formado na UFAL em mil novecentos e oitenta e treis.TRabalhe com cana de acucar por deiz anos em usinas de Alagoas.
    •  
      CommentAuthorNeddo Zecca
    • CommentTime26/11/2007 editado
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    Caro Luciano Mauro de Andrade,
    Grato pelas suas palavras.
    Meu contato: Neddo Zecca


    abs, neddo zecca um engenheiro esforçado como o meu flamengo.
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    Não podemos ser o Dom Quixote nem da mamona e nem do pinhão manso, nós do CETENE/MCT acreditamos no pinhão manso, por isso, estamos com campo experimental de 2,0 ha no agreste de PE visando fazer seleção das melhores plantas e escolher umas plantas matrizes para os procedimentos de cultura de tecidos e micro propagação na nossa biofábrica. Mais uma vez me posiciono, para se investir mais em pesquisas e estudos e se falar menos.
    Na Asia a cultura do pinhão manso está de vento em poupa e se produzindo biodiesel somente da oleaginosa, onde as condições edafoclimaticas não são tão diferentes das nossas, por isso vamos aguardar um pouco mais antes de detonar-mos a jatropha Curcas Linnus que é altamente promissora.
    Almir Monteiro
    Pesquisador CETENE/MCT
    Biodiesel
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      CommentAuthorDurival
    • CommentTime26/11/2007
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    Neddo Zecca , parabens por esta sua dedicação em defesa da verdade. Encaminhei e-mail para alguns depudados e senadores solicitando a leitura neste site referenciando o seu fenomenal trabalho de esclarecimento sem emoção mas com muita propriedade quanto a cultura do pinhão manso e o desmascaramento da pesquisa dos doutores da Embrapa que foram passear na India.

    Sugiro que outros tambem acionem deputados , senadores, e até governadores e prefeitos. Esse pessoal tem que tirar o respectivo da cadeira.
    Temos vários exemplos que vira em pizza mas os que acreditam no pinhão não podem se dar a este luxo e deixar a coisa em banho maria.
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    Sr Neddo Zecca Parabens.

    O carater para negar é um só :

    A MAMONA é do PT e o PINHÃO MANSO é do PSDB.

    Só pode ter carater politico não tem outra exlpicação.

    CLAUDIO
    •  
      CommentAuthorDurival
    • CommentTime26/11/2007
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    O Claudio, o pinhão manso ou qualquer outra cultura perene nada tem a ver com o PT ou PSDB, veja nos comentários deste Forum que não existe partido envolvido.
    Avaliando os comentários do Neddo e outros de participantes notamos que existe realmente uma inércia muito grande por parte do Governo que na verdade pode-se dizer talves que existe interesses direcionados para alguem ou é incompetência mesmo. Carater politico sim sempre teve e em qualquer decisão neste pais o tecnico e viavel nem sempre prevalece mas não é só aqui não , Leia o livro "O Banco" e vais ficar sabendo o que é a politica de manipulação nos EUA.
    •  
      CommentAuthorDurival
    • CommentTime26/11/2007
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    Não podemos ficar calados mediante manipulações como esta do pinhão manso ou mesmo de outras plantas ou produtos.
  8.  Denunciar
    não dar para imaginar uma coisa dessa. Como podemos ser tão atrasados e poucos práticos e menos vaidosos. Porque os pesquisadores ainda insistem em serem tão vaidosos? por que não somos diretos e vamos direto ao assunto. Com isso ficamos sempre para trás, perdemos o bonde da hístoria sempre, enquanto os pesquisadores irão fazer seus pós-doutorados e aposentarem-se ao final e os nordestinos ficam a verem navios sem nunca chegarem ao litoral.
  9.  Denunciar
    Parabéns Sr. Neddo Zecca pelo texto e declarações!
  10.  Denunciar
    Através de um grande projeto de pesquisa, diversas unidades da Embrapa já estão trabalhando no desenvolvimento de tecnologias para o pinhão manso, incluindo a criação de bancos de germoplasma, experimentos a campo em diferentes regiões do país, estudos em casa de vegetação e em laboratórios.
    Sendo uma cultura perene, que só estabelece a produção após o quato ano, serão necessários alguns anos para que se disponha de informações mais seguras sobre a cultura no Brasil.
    Como dizia meu Tataravô, "não vamos colocar a carroça na frente dos bois".

    Julio Cesar Albrecht
    Embrapa Cerrados
  11.  Denunciar
    "Ai daquele que é 'escravo' duma única idéia. Ela toma-lhe o fôlego, tira-lhe o raciocínio e pertuba-lhe a mente, tornando-a doentia ou 'presa fácil' de agentes invisíveis" - Adrino (imperador)

    Para o senho Liv. Severino
    • CommentAuthorGONZAGA
    • CommentTime28/11/2007
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    Aos NOBRES E, DIGA-SE DE PASSAGEM, QUANTA NOBREZA!!!!!

    Como participante neófito deste forum de discussões acentuadas e de vanguarda na produção de Pinhão-Manso, peço antecipadamente que desculpem-me a incapacidade de assimilar os contundentes esclarecimentos da matéria aqui focada.
    Em primeiro lugar que reportar-me à companheira de MG que precisa saber sobre onde comercializar as sementes, esclarecerei:
    a)Ví matéria na TV que a Universidade de Viçosa está trabalhando um piloto de produção das sementes do "MANSO" e que a produção será escoada para o município de Barbacena onde, salvo engano existe já um monitoramento do recebimento das sementes para serem utilizadas na refinaria.
    b)Quanto ao Nobre Companheiro Sr. Souza Lima (Transamazônica"298"), parabenizo-o pela idoneidade de suas pertinentes palavras esclarecedoras.
    c)Na qualidade de discente da Academia de Direito em MG, venho a tempos trabalhando como Consultor na elaboração de Projetos alinhavando aí a captação de recursos financeiros para aplicabilidade neste tipo de cultivo e outros e principalmente aqueles que adotam a linha social-média, ou seja, incentivo à escola do jovem/adulto e direcionamento infantil com características pedagógicas para a área rural como um todo de forma cognitiva e adequada aos meios e necessidades de cada habitat.
    Hoje esta cultura do "MANSO" pode até parecer uma alucinógina viagem para alguns contraditórios, mas dentro de quatro anos, com suporte de informações direcionais, cooperativismo, associativismo, desenvolvimento de aplicações coletivas, etc, inúmeras coisas acontecerão e boas coisas,
    (a emissora de rádio/TV já está sendo encaminhada, com projeto registrado e tudo mais), quem viver verá!!!!!
    Estou na iminência de mobilizar parceiros internacionais que estão acreditando neste potencial do "MANSO" e que estão dispostos a investir uma vez que este plantio é aaltamente equilibrado ecologicamente correto assim como seu uso e insumos em produções vicinais na agricultura familiar, médio, grande e mega-porte.
    Deixo aqui meu ctc(a quem interessar) para que possamos aprofundar nesta discussão: (31)9317-2077(GONZAGA/JUNINHO) 35 horas no ar e para reflexão lembrarei do meu saudoso "PAI, GONZAGÃO DA SANFONA 12O";
    ... Não podemos ser apenas mais uma nesta multidão e sim nos destacarmos como "aquele" um nesta multidão....

    É de povo que acredita em seu potencial de trabalhador e empreendedor que nosso país necessita, chega de choro, vamos à luta que o sol da liberdade já raiou!!!!!
    Ah! meu mailing:guerreirosocial@ig.com.br
    •  
      CommentAuthorDurival
    • CommentTime28/11/2007
     Denunciar
    Parabens sr Julio Cesar Albrecht , da Embrapa Cerrados.

    Ficamos sabendo dos experimentos da Embrapa atraves de alguns participantes. O SR assumiu um postura digna, humilde e clara quanto ao estudo sobre o pinhão manso e nao o desqualificou. Talves a empresa não queira aproveitar ou aceitar que outros já fizeram esta pesquisa e com razão fazer a dela propria.
    Muito bom, e nós como ficamos? Vamos ter que aguardar? Será que a Embrapa pode agilizar e pelo menos junto ao MA, dar um parecer para que as sementes existentes não sejam confiscadas?
    NO passado , infelismente outros pesquisadores não tiverem esta mesma postura e pontuaram negativamente. Mesmo sabendo de tudo isto que esta acontecendo não vieram a publico pelo menos para admitir que erram em orientar o governo sobre a mamona para o biodiesel > Não tinham dados sobre o pinhão mas negativaram.

    att.
  12.  Denunciar
    Caro Professor Neddo Zecca.
    Tinha certeza de que o seu silencio após a resposta ao Manifesto do Pinhão Manso tinha motivos. Vejo agora que a provocação feita por mim, em um comentário deste site não foi em vão. Como sempre o nobre Professor foi buscar nos mais reconditos cantos do mundo, onde se publicou uma pesquisa sobre o Pinhão Manso as matérias necessárias para poder explicitar com galhardia todo seu apreço por esta planta e desmistificar certos pesquisadores que em vez de vestir a camisa do País, (que lhes paga o salário) ficam em "cima do muro" mas que com certeza, não prejudicarão o trabalho sério que é feito por nossas Instituições de Pesquisas. Gostaria de ver o Nobre Professor participando da RNPPM (REDE NACIONAL DE PESQUISAS DO PINHÃO MANSO) Criada durante o II Seminario do Biodiesel e Pinhao Manso realizado em Vicosa, MG nos dias 23-24 de novembro de 2007, a REDE tem por objetivo congregar todas as Entidades de Pesquisas que trabalham com Pinhão Manso, para num trabalho conjunto validar a incrição do Pinhão Manso no RNC.
    Aliás, já estamos de posse da Minuta da Instrução Normativa elaborada pelo Ministerio da Agricultura, onde o Sr Ministro autoriza a Inscrição no RNC (Registro Nacional de Cultivares) da espécie Jatropha Curcas L. Se aprovada como está, (ainda depende de um parecer da área jurídica do MAPA) Nós (produtores) já poderemos plantar e comercializar o Pinhão Manso (sairemos da ilegalidade da lei 10.711), mas ainda não poderemos obter o financiamento desta cultura. Por este motivo, muito me alegraria ve-lo participando desta REDE. Espero em breve tornar a nos encontrarmos pessoalmente por estes caminhos do Pinhão Manso.
    Forte Abraço.
    José F Torres.
  13.  Denunciar
    Peço licença e paciência dos comentaristas para reeditar o parecer do agricultor João de Souza Lima, de Repartimento, no Pará sobre os resultados da sua experiência com o pinhão manso:
    "Sr. Durival e Sr. Aguinelo Neves
    Somente agora tive acesso ao FÓRUM, sou agricultor aqui na Transamazônica, Novo Repartimento Pará, e a coisa aqui em termos de internet é o bicho.
    Vamos ao que interessa: “a colheita do pinhão manso”.
    Fiquei surpreso ao verificar que até agora não houve uma resposta eficaz sobre a questão da colheita do pinhão manso. Nossa família trabalha com o pinhão há mais de 280 anos, portanto estamos prontos para informar sobre o quantitativo de mão de obra em cada etapa desta planta. Se é sobre a colheita somente, podemos informar o seguinte:
    O Sr. Univaldo quase acertou. Três trabalhadores braçais atende na verdade 10,0 hectares de plantio do pinhão. Não leva em conta este negócio de alta produção, espaçamento, etc., não é isso. É preciso três pessoas para colher pinhão em um plantio com idade de três para quatro anos, por considerar as seguintes tarefas importantes: A) estender lonas plásticas de ATÉ 30 METROS de comprimento por 3 de largura na linha (beco, eito, etc.), isso irá atender no mínimo 10 pés de pinhão e um máximo de 15 pés, permitindo colher a metade de cada pé de um lado e do outro. B) A primeira ação é fazer vibrar os galhos e com isso fazer cair o pinhão mais maduro (frutos já atingindo a coloração escura), em seguida os trabalhadores com varas compridas derriça os frutos amarelos e que estão amarelando. (se tiver três lonas, faça isso na primeira lona e deixa um trabalhador ajuntando na primeira e os outros dois trabalhadores passam para a segunda lona e assim sucessivamente). Com esta prática simples de colheita, três trabalhadores colhem até às 14:00 horas 750 quilos de sementes, sendo que por ser ainda o pinhão em bagas, torna imperativo que das quatorze horas em diante esteja à disposição dois ou três animais de serviços para transportar a produção para o terreiro ou depósito para retirada da casca de fora. Isso é muito importante, pois logo após a colheita do fruto a semente entra em estado de recebimento de choque para nascer.

    Portanto, Senhores, um trabalhador colhe 250 quilos de sementes por dia, pelo que três trabalhadores em dez dias colhem 7.500 quilos de sementes. Aqui na região Transamazônica, dois alqueires poderão produzir 60 mil quilos de sementes em sete meses (dezembro a junho). Assim os três trabalhadores em sete meses trabalhado colhem tranquilamente as sementes de dois alqueires, gastando somente 10 dias de cada mês, os dias restantes serão destinados às demais atividades do pinhão manso e da propriedade, afinal de constas o agricultor familiar não terá somente pinhão manso em sua terra.
    Estas informações são precisas, temos experiência real com elas. É todos aqueles agricultores familiares que adentrarem nesta atividade pode se preparar para conviver com as seguintes rotinas: manter as linhas e entrelinhas sempre roçadas, (limpas); ter cuidado com as peçonhas (a sombra do pinhão é muito fresca, atrai cobras venenosas); estar atendo dia a dia quando o pinhão começar a produzir, (os frutos que caem no chão perdem seu poder de produção de azeite); colocar a família para trabalhar e ter dois ou três animais de serviços para transportar os fardos de frutos colhidos (o pinhão produz centenas de fardos semanal, quinzenal e mensalmente), a força dos braços não são suficientes para transporta-lo da lavoura até o terreiro de secagem; providenciar um descaroçador (máquina para debulhar o pinhão), esta máquina, mesmo sendo manual é importante, pois não precisaria correr o risco de fermentar o pinhão nos montes; providenciar um terreirão de secagem ou lona preta, ou ainda um secador, pois nos três dias subseqüentes à colheita é importante que o pinhão entre em processo de secagem gradativa, não permitindo que receba o choque de germinação; e finalmente que se tenha o depósito adequado, forrado com madeira para evitar umidade e, desta forma estocar a produção em condições que assegure a qualidade das sementes.
    Por enquanto é só. Estamos à disposição para as perguntas e dúvidas".
    São fatos da experência do agricultor e não teorias acadêmicas. E o João de Souza Lima o que diz do seu projeto?
    Aguardamos seu novo parecer.
    Fernando Chaves Lins
    Agrônomo aposentado, mas vivo e preocupado com a passagem do "bonde"que outros países já tomaram enquanto nós latinamente falamosss
    •  
      CommentAuthorDurival
    • CommentTime29/11/2007
     Denunciar
    Sr Fernando Chaves Lins, muitos aqui não estão somente falando, tem plantaçoes e mais algumas em andamento. O quê estamos questionando é por que com todo o conhecimento já existente comprovado (veja texto escrito pelo Prof. Neddo) a embrapa e outros não aceitam.
  14.  Denunciar
    Prezado Durival,
    Quando me referir a falar estava estranhando a prioridade à pesquisa em detrimento do andamento do projeto que vem sendo feito pela iniciativa privada eda experiência do João Lima que mencionei acima. Tenho me pronunciado diversas vezes nesse forum em defesa do cultivo do pinhão manso de que Pernambuco foi pioneiro em 1981 com apoio do CNPQ. Peço ao amigo que leia o meu elogio aos argumentos irrepreensiveis do Neddo Zeca logo no início deste documento. Mencionei também que tenho um CD destacando as experiências do Brasil e do exterior que apresentei na Associação Comercial de Pernambuco e que enviarei se for o caso.
    Ao seu inteiro dispor.
    Fernando Chaves Lins
    E-mail fc.lins@yahoo.com.br
  15.  Denunciar
    Caro Sr. Neddo Zecca,
    No II Congresso da Rede Brasileira de Tecnologia de Biodiesel, realizado nos dias 27 a 29 novembro deste ano em Brasília, foi apresentado um interessante trabalho científico sobre o potencial alergênico de sementes de Pinhão-manso por pesquisadores da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Maciel et al. 2007). Os pesquisadores verificaram a presença de uma fração alergênica em sementes de pinhão-manso capaz de desenvolver processos alérgicos à semelhança das proteínas alergênicas da mamona (desgranulação dos mastócitos in vitro e liberação de histaminas pelos mastócitos quando incubados justamente com soro contendo IgE anti-albumina 2S de mamona). Assim, a afirmação quanto à ausência de riscos à saúde pública com a manipulação de sementes ou de co-produtos de pinhão-manso, talvez, necessita de revisão.

    Atenciosamente

    André Soares de Oliveira
    Zootecnista
    •  
      CommentAuthorNeddo Zecca
    • CommentTime08/12/2007 editado
     Denunciar
    Caro Sr. André Soares de Oliveira
    Zootecnista

    A diferença entre as duas situações é que na mamona no processo de reprodução a maior concentração de albumina se da no polén. A forma de reprodução do pinhão difere em muito. Necessita da presença de pequenos insetos que transferem e transportam para a fecundação. O fato é que quem esta mesmo visitando ou morando ao lado das plantações de mamona corre perigo no periodo de floração. Com relação ao pinhão difere um pouco.
    Mesmo a mandioca da qual se faz a farinha tambem apresenta substancias toxicas na sua manipulação. Experimente sorver o caldo que lhe será fatal. Colocações feitas aleatoriamente precisam de mostrar o contexto na sua totalidade e os graus de riscos envolvidos. Principalmente alertar quanto aos fatores de risco e como evita-los isto compete aos tecnicos do ramo. Em qualquer situação que um agricultor estiver acabrestado e induzido a plantar mamona é de bom senso e mais humanitario plantar pinhão manso. Pois os riscos são menores, os custos menores e após o quarto ano o cabresto se rompe e ele está livre.

    em tempo todas as plantas que se reproduzem com lançamento do polen no ar apresentam defesas naturais para permitir sua perpetuação não estando restritas � mamona, girassol, colza,..... e outras, o que difere é a concentração e o tipo de alergeno.
    abs, neddo

    grato pela sua colocação é um alerta bem vindo e importante.
  16.  Denunciar
    Ola Amigo sou Gilberto Pereira e estou no exterio no momento exatamente no Japao onde moro a vinte anos. Tenho uma propriedade na Paraiba e estou me preparando pra planta pinhao manso na area toda pois aqui onde moro so se fala neste produto como essencial fornecedor de materia prima para biodiesel. Empresas como Mitsubishi e Toyota testam carros movidos a biodiesel extraidos do nosso pinhao manso. Um projeto destes envolve milhoes e milhoes de dolares para se ter um futuro de carros movidos e este combustivel que sera nosso principal fonte de renda ai no Brasil. Empresas como estas naun estaun numa canoa furada e sim vom uma visao futurista do que vai acontecer com o Petroleo e sim ja se preparando para este futuro proximo. Nos Brasileiros devemos acreditar nesta planta perene, pois somente assim teremos como nos livrar deste inferno que e moer soja e milho para se ter combustivel. Nosso pinhao manso esta tambem sendo sondado pelos japoneses. Atualmente o pinhao manso vem da India e Africa. Tenho acessado sites de empresas e colhido resultados que saun muito animadores . Pessoal estamos no caminho certo.
  17.  Denunciar
    Testes realizados pelo MCT que foram extraviados dos arquivos (será que propositalmente) copia em anexo

    a Coordenação organizou um grupo de trabalho denominado Comissão Técnica do OVEG I - composta por representantes da STI/MIC, do GE/CNE, dos fabricantes de motores diesel (ANFAVEA, ABIMAQ, Caterpillar, Cummins, Fiat Diesel, Ford, GM, Mercedes Benz, MWM, Perkins, Volkswagen, Volvo e Saab Scania), das indústrias químicas produtoras de ésteres de óleos vegetais (Abiove, Chemicals Specialities e IQT) de instituições de P&D (IPT, INT, CENPES/Petrobrás, NES/FTI, Embrapa), órgãos de governo (FINEP, SAE/MT, MME, IPEA/CSE, CEPAT e DIRAB/CNP), distribuidores de combustíveis e óleos lubrificantes (ESSO, Petrobrás, Shell, Texaco e Tutela) e transportadores/frotistas (CMTC, Cometa, Camargo Correa, Irmãos Borlenghi, Itapemirim, Primorosa, OESP, Transmaribo, Transpiguete, e ultragás).


    Os resultados obtidos, de maneira geral, segundo o Secretário de Tecnologia Industrial, “após milhares de horas de ensaio em laboratório de motores e mais de um milhão de quilômetros rodados, indicaram que os óleos vegetais (beneficiados) constituem uma opção adequada para substituir o diesel, podendo ser utilizado de pronto numa situação de emergência, como o brusco corte no fornecimento do petróleo ou em condições regionais”.
    O parecer final da Massey Perkins/General Motors, ainda, assegura que “aperfeiçoamentos introduzidos nos motores 6358 a partir de março de 1983 eliminaram a maioria dos problemas notados nos motores utilizados no ensaio”.
    Por sua parte, a Cummins Brasil S.A. – que testou a mistura 70/30 diesel éster metílico em ônibus rodoviário rodando 116.565 km – concluiu: “o desempenho do motor antes, durante e após o teste atendeu aos requisitos e o nível de desgaste dos componentes foi considerado normal. Com base nesses dados, a Cummins Brasil S.A. considera os resultados do teste altamente satisfatórios, e a mistura 70/30 perfeitamente confiável para utilização em seus motores”. Ainda, “os resultados finais – após a análise final do teste das 2000 horas – provavelmente confirmarão a viabilidade técnica de se usar 100% de éster etílico de soja como combustível alternativo para motores diesel Caterpillar da família 3300, tipo injeção direta, sem nenhuma alteração em seu projeto original”.


    Sr. Liv a EMBRAPA estava presente o Sr fazia parte da equipe?
    As afirmações do Sr. Nedo estão sem resposta até quando?
  18.  Denunciar
    O pessoal do Jornal do Brasil quando publicou nos classificados de sábado de 28 de -05- 1983. Estavam mentindo ou são também fontes não confiaveis

    ""- 8 * CLASSIFICADOS * JORNAL DO BRASIL * sábado, 28-5-83


    ‘:M-inas testa óleo de. pinhão manso na substituição do óleo diesel Belo Horizonte — Os técnicos da Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerais (CETEC) começam a pesquisar a utilização do óleo do fruto do pinhao manso — planta nativa do Vale do São Francisco e Vale do Jequitinhonha — como substltudo do diesel em motores de combustão interna. As chances, segundo os estudos preliminares, são de melhor desempenho que os Óleos extraídos de outras plantas, principalmente pelo fato de não apresen •ta certos resíduos que provocam desgastes no motor.
    A CETEC deverá concluir suas pesquisas em dois anos e aplicará Cr$ 44 milhões de recursos
    da Finep — agência financiadora de estudos e projetos. As pesquisas já vêm sendo encaminha-
    das a nível de laboratório há mais tempo e buscam identificar três formas de queima do óleo do pinhão manso nos motores: estado puro, bruto e etnoilzado. do cafe, porém em tamanho maior. Por enquanto, os técnicos não determinaram qual a sua rentabilidade, mas acreditam que num plantio ordenado será possível manter uma colheita média de 4 a 5 toneladas por hectare.
    As pesquisas de campo estão a cargo da Epamig — Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais, do governo estadual. Utilizando, também, recursos da Finep, os técnicos da Epamg já determinaram uma área de cerca de 30 hectares para suas pesquisas. Em princípio, os trabalhos de campo serão prejudicados, porque já passou a época da colheita dos frutos do pinhão manso.
    Ainda com relação às pesquisas de laboratório, os técnicos do Cetec já detectaram que o pinhão manso é mais viscoso do que o óleo Diesel, daí a necessidade da transesteriflcação. Com relação aos resíduos e subprodutos, no processo de extração do óleo, irá liberar, entre outros, glicerina, que poderá ser consumida •para indústria química, e uma torta protéica, em condições de consumo na ração dos animais ou para aplicação na terra como adubo. As regiões onde o pinhão manso é encontrado em maior abundancia em Minas são na área da Sudene e no Vale do Jequitinhonha, as mais pobres, principalmente nos Municípios de Brasília de Minas, Manga e Januária. Isso está orientando o Governo de Minas a aproximar mais as pesquisas para a produção de um Óleo de fácil consumo regional, quer seja em motores estacionários ou de veículos.

    • - e
    Óleo de: pinhão manso e testado
    Pág.8
    PESQUISAS
    No caso de sua queima no estágio que técnicos classificam de bruto, o • . Óleo do pinhão manso teria uma mistura de 50% de diesel Com relação à mistura de álcool, ainda não têm determinada
    qual seria a porcentagem. No estágio puro, o que se pretende é, atra vez de análises químicas, aproximá-lo ao máximo das características do diesel, com uso da transesteriticação. O pinhão manso, uma
    espécie de pinheiro da região arenosa, é uma planta perene. Seus fruto são semelhantes ao caju."

    Até quando a EMBRAPA vai se omitir com relação ao assunto?
  19.  Denunciar
    Excelente a evolução deste caso pinhão-manso que começou com o Sr. Liv respondendo a uma pequena provocação minha á EMBRAPA no inicio do debate neste site.

    Penso que, com o excelente trabalho do Neddo e de outros comentaristas, todos puderam ter uma visão mais democrática do pinhão, até menos preconceituosa por este beneficiar mais pequenos produtores rurais de áreas menos favorecidas e por não beneficiar as multis de sementes, agroquímicos e alguns maus patriotas.

    Parabéns ao biodieselbr por nos conceder tal vitrine e permitir tal debate de alto nível, espaço que sempre nos foi negado pelos boletins oficiais.

    Professor Cézar
    •  
      CommentAuthorNeddo Zecca
    • CommentTime17/12/2007 editado
     Denunciar
    Caros Senhores, recebi de um membro da corrente do pinhão manso um relatório da conferencia realizada na Índia. São diversos trabalhos de como estão sendo conduzidos (374 folhas). Os interessados podem solicitar diretamente ao Dr. Brahma Singh copia dos textos.
    Tenho parte em PDF que recebi e posso disponibilizar.

    Biodiesel Conference Towards Energy
    Independence – Focus on Jatropha
    Papers presented at the Conference
    Rashtrapati Nilayam, Bolaram, Hyderabad
    On 9 – 10 June, 2006

    Contact Person :
    Dr. Brahma Singh
    OSD (Hort.), Presidentís Secretariat
    23010543, 23015321 Extn. 4241
    9818313661
    Fax ñ 23013249
    e-mail : brahma88@hotmail.com

    saudações aos membros da corrente do pinhão manso. neddo
  20.  Denunciar
    Sr Liv o sr é um dos consultores do projeto ou um mero incentivador?

    Trabalhadores abandonam projeto de biodiesel no Piauí

    Células da Fazenda Santa, em Canto do Buriti

    Abandono: é assim a situação do assentamento Santa Clara, localizado a 70Km entre os municípios de Canto do Buriti e Eliseu Martins, região Sul do Piauí. Em 2004, o Governo do Estado inaugurou um núcleo de produção de mamona na região e assinou um acordo com a empresa Brasil Ecodiesel Participações LTDA para produção do vegetal como matriz energética, tendo a organização familiar como pressuposto da inclusão social no projeto.

    Na semana passada houve uma manifestação dos moradores do local contra a atuação da empresa Brasil Ecodiesel. Segundo o secretário de formação e organização sindical da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Piauí (FETAG), Adonias Higino Cunha, a população do local está revoltada com a situação de abandono. Adonias falou que grande parte das 600 famílias que residiam no local estão desistindo e indo embora, pois o descontentamento é grande.

    O secretário denunciou que, quando teve início o projeto, o assentamento contava com 25 tratores e hoje só possui 3. Há suspeita de que esses três são também alugados para carvoarias da região, “servindo para que a empresa Brasil Ecodiesel arrecade dinheiro por fora”.

    Adonias relatou também a situação dos ônibus que levam os estudantes da região às escolas. Segundo ele, os veículos estão depredados, causando riscos para quem os utiliza.

    Adonias ressaltou ainda que os R$ 250 adiantados para os agricultores (que servem como garantia para compra da safra), são insuficientes para a subsistência dos trabalhadores. O secretário denunciou ainda que a área disponibilizada para o plantio também vem sendo diminuída: no início, eram 5 hectares e hoje são somente 2. Para Adonias Higino, essas situações acabam gerando o descontetamento da população.

    O secretário de formação e organização sindical da FETAG disse que desde o início, a Federação verificou a necessidade de projetos paralelos que gerassem renda à população. Segundo ele, o plantio da mamona e do feijão não são suficientes para garantir o sustento dos agricultores. Adonias informou que foi construído um núcleo criatório de galinhas, mas a Brasil Ecodiesel “abandonou”. “Há um contraste entre o que a empresa representa e o que ela realmente pratica”, lamentou o secretário.

    Fonte: www.tvcanal13.com.br

    Até quando Sr. Liv ?
    •  
      CommentAuthorNeddo Zecca
    • CommentTime27/12/2007 editado
     Denunciar
    Caro Sr. Liv Severino e pesquisadores da EMBRAPA como não estou obtendo de Vossas Senhorias até a presente data contraditórios aos dados e informações na discussão sobre o nosso pinhão manso. Pelo vosso silencio volto ao assunto para instigar os questionamentos. Por que defendo o uso do pinhão manso para o NORDESTE na agricultura familiar como cultura complementar a sua tradicional de subsistência?

    Primeiro motivo Combate à desertificação. Em defesa do maior patrimônio a terra e sua fertilidade para a sobrevivência.

    texto extraído

    REVISTA DE BIOLOGIA E CIÊNCIAS DA TERRA ISSN 1519-5228
    Planos de combate a desertificação no nordeste brasileiro
    Marta Aurélia Dantas de Lacerda1; Rogério Dantas de Lacerda2

    “A DESERTIFICAÇÃO NO BRASIL Para o Brasil, as áreas que se enquadram no conceito de desertificação aceito pelas Nações Unidas são aquelas abrangidas pelo trópico semi-árido. Mas, tem sido identificado processo de degradação ambiental em outras partes do país, como é o caso do já conhecido fenômeno de Alegrete, RS, dos fortes processos erosivos que ocorrem no Paraná, São Paulo, Rondônia e na região Centro-Oeste. São áreas que reconhecidamente apresentam um quadro grave de deterioração ambiental. No entanto, essas áreas não estão enquadradas no escopo de aplicação da Convenção das Nações Unidas de Combate á Desertificação e do capitulo 12 da Agenda 21. No Brasil, conforme diagnóstico realizado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), as perdas econômicas podem chegar a US$ 800 milhões por ano devido à desertificação. Os custos de recuperação das áreas mais afetadas alcançam US$ 2 bilhões para um período de vinte anos. Principalmente nos estados mais atingidos os da região Nordeste e o Norte de Minas Gerais. No Brasil, as áreas susceptíveis à ocorrência de desertificação (zonas áridas, semi-áridas e sub-úmidas secas do país) encontram-se na região Nordeste e ocupam mais de 900.000Km2, atingindo direta ou indiretamente mais de 15 milhões de pessoas. O Brasil tem 180 mil quilômetros quadrados de área em processo grave e muito grave de desertificação concentrada principalmente no Nordeste. Em acordo com a Agenda 21 e a Convenção das Nações Unidas de Combate á Desertificação, foi realizado workshop com a participação de instituições e técnicos envolvidos com a temática, objetivando a discussão e definição dos marcos de uma política nacional de controle da desertificação. Os resultados dessa interação interinstitucional e multidisciplinar pretendem servir de base para a formulação das políticas de controle da desertificação que assegurem: ● à s comunidades afetadas, melhores condições de vida; ● às agências e órgãos federais, maior capacidade de indução do desenvolvimento com sustentabilidade.

    A luta contra à desertificação depende, além da tomada de ações, da conscientização pública e de uma adequada difusão de informações. Neste sentido, podem ser citadas as elaborações do Plano Nacionais de Combate à desertificação; a participação na Rede de Informação e Documentação em Desertificação-REDESERT; e o apoio prestado aos núcleos de Desertificação no que diz respeito à organização e capacitação institucional.
    Essas iniciativas vêm sendo desenvolvidas em cooperação com outras instituições regionais e nacionais, tais como a Fundação Cearense de meteorologia, a Universidade Federal de Pernambuco, a Fundação Joaquim Nabuco, o Centro de Pesquisa do Trópico Semi-Árido, a Faculdade do Médio São Francisco, o Instituto Desert, o IBAMA, o INPE e o IPEA.

    A DESERTIFICAÇÃO NO NORDESTE
    Estudo realizado em 1991 pelo professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Manuel Osório de Lima Viana, e pela economista Maria Ivoneide Vital Rodrigues, garante que 17,7% da área do semi-árido está desertificada. É hora de todas as autoridades federais, estaduais e municipais – e as entidades da sociedade civil se articularem conjuntamente para bloquear ou amenizar este grave problema. De acordo com pesquisa da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Fuceme), o semi-árido brasileiro corresponde a 937.000 Km2 de superfície, representando 9,3% do território nacional e 48% do Nordeste. No Brasil, as áreas mais gravemente afetadas pela desertificação na região Nordeste abrangem cerca de 181.000 Km2, em diferentes estados e que as perdas econômicas podem chegar a 100 milhões de dólares anuais.”

    O destaque sublinhado no texto mostra a necessidade de um programa integrado e o pinhão manso será este elo. Penso que uma consulta ao departamento da GTZ na Alemanha quais foram os motivos para eleger a Jatropha curcas como planta de referencia já seria um inicio de caminho.

    Neddo zecca membro da corrente do pinhão manso

    Outras externalidades serão apresentadas para ampliação das discussões.


    Fonte para consulta.
    Deutsche Gesellschaft für Technische
    Zusammenarbeit (GTZ)
    Convention Project to Combat Desertification (CCD Project)
    Tulpenfeld 2 D-53113 Bonn, Germany
    Tel: +(49)-228-98371-0
    Fax: +(49)-228-98371-25
    E-mail: project@gtzccd.de
  21.  Denunciar
    o comentário em defesa do Pinhão Manso é excelente,mas quero acrescentar: Pinhão Manso para o Brasil com 10 milhões de hectares em morros onde as máquinas modernas nunca chegarão a colher soja, girassol, etc se prestam todos para a produção do Pinhão Manso. Os morros estão desnudos, com pasto pobre? Coloque pinhão Manso, , o gado não come uma folha sequer.Não precisa acabar com o pasto. Teremos reflorestamento, sequestro do Carbono do ar, muito serviço para a mão de obra avulsa dos bairros pobres das cidades. Dinheiro circulando, progresso, produção de biodiesel com menor poluição do ar, os tratores das fazendas usando biodeisel. Assim, as empresas rurais pormenores que sejam, estrão dando mais uma contribuição para a qualidade de vida para nossa população, além de reservar mais de 20 % de suas terras com matas ciliares e Matas nativas.Nenhuma empresa da cidade colabora tanto quanto o produtor rural

    Marinus Adrianus Sleutjes
    •  
      CommentAuthorDurival
    • CommentTime16/01/2008
     Denunciar
    Marinus, muito bom seu comentário e tambem acho que deveriamos ocupar os morros junto com as pastagens (pinhão e outros tipos arvores perenes). Vamos avaliar alguns topicos realisticos para nossa região.
    1) Plantio do Pinhão não seira o problema.
    2) Cuidar do Pinhão no morro é um grande problema. (ele não sobrevive sem alguns cuidados iniciais já descrito nos comentários anteriores).
    3) Colher os frutos que amadurecem irregularmente nas plantas é o outro problema.
    4) Achar mão de obra para colher é o maior e o pior dos pesadelos dos agricultores pequenos (não tem porte para bancar um trabalhador rural alem de não encontrar) e sozinho como já explicado não consegue a colheita.

    Para familias que produzem por opção de negócio pode ser um item para agregar na lavoura sim, plantados inclusive em areas de preservação ambiental degradada e que deve ser recuperada. (a lei permite?) será que esta interpretação será feita corretamente pela autoridade durante as vistorias? Já vi vários tipos de interpretação da Lei por conta de formação quase que somente veiculada pela Televisão e de algumas palestras superficiais. Mesmo por que até hoje ninguem se entendeu sobre os 20 % de reserva, visto que no paragrafo da lei não ficou claro que é da propriedade e sim 20 % de reserva. Qual a reserva?

    Tem alguem fazendo experimento nestas areas?
    att.
  22.  Denunciar
    Prezado Dr. Nedo Zecca,
    Sou um mero produtor rural... Costumo dizer que sou "própriootário" rural, pois reflete melhor a condição dos que, assim como eu, vivem assim porque preferem viver assim.
    Sua reflexôes e alertas "dóem"... e dóem de montão!
    Lamento informá-lo, que suas afirmações, todas absurdamente pertinentes, e ouso dizer, absolutamente incontestáveis, não apenas correm o "risco" de endereçarem a ouvidos "moucos" nas esferas governamentais. Uma pena... Mas uma realidade. Tristre é verdade...
    Acaba que temos que "acreditar em duendes" pois acabam nos obrigando a acreditar em "teorias conspiratórias", quando avessamente acabamos percebendo que elas existem sim, e muito mais do que ousaríamos imaginar.
    O "advogado do diabo" ganha, e o diabo torna-se santo. E o arauto da esperança ao pregar as verdades como elas são acaba condenado, sentanciado ao limbo, do qual jamais sairá ileso... Ao menos no brasil, mais verdade do que se possa imaginar. Triste verdade.
    Os interesses "ocultos" visto que "