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Resíduo da Cana-de-Açucar: Energia

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Revista BiodieselBR
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De acordo com a FAO, cerca de 1.333 Mt de cana foram produzidos em 1997, com o bagaço correspondendendo a 335 Mt (25%). A energia contida em uma tonelada de bagaço, com 50% de umidade, corresponde a 2,85 GJ. Pelo conceito de bagaço entende-se apenas o caule macerado, não incluindo a palhada e os ponteiros, que representam 55% da energia acumulada no canavial. Este potencial fabuloso é muito pouco aproveitado, sendo, na maioria dos casos, queimado no campo.

A cana-de-açúcar é plantada em vários estados brasileiros, estimando-se em 5,5 milhões de hectares a área colhida em 2004 (UNICA, 2004). Cerca de 85% da produção brasileira concentra-se nas regiões Centro Oeste, Sul e Sudeste, sendo os 15% restantes produzidos no Norte e no Nordeste. São Paulo é o maior produtor nacional, com cerca de 60% da produção, sendo Alagoas o segundo maior produtor nacional (8% da moagem na safra 2003-2004).

A sazonalidade da cultura de cana-de-açúcar interfere na disponibilidade de resíduos de interesse energético. No Centro-Sul do Brasil, a colheita concentra-se nos meses de abril/maio a novembro/dezembro de um mesmo ano. Já na região Norte e Nordeste, a colheita concentra-se nos meses de agosto/ setembro de um ano até março/abril do ano seguinte.

Para o segmento sucro-alcooleiro, os resíduos que podem ser utilizados na produção de eletricidade são o bagaço, as pontas e folhas, e o vinhoto. Alternativamente à co-geração dentro das próprias usinas e destilarias, o bagaço pode ter uso energético fora das usinas e destilarias; insumo para volumoso de ração animal; fabricação de papel de bagaço; fabricação de elementos estruturais; e hidrólise para produção de álcool. Tecnologias de produção de etanol a partir da hidrólise do bagaço estão em desenvolvimento e poderão atingir estágio comercial em 10-15 anos. Com viabilização da tecnologia, passa a ser muito importante o custo de oportunidade de aproveitamento do bagaço, pelas múltiplas alternativas para seu aproveitamento econômico.

Pontas e folhas da cana-de-açúcar costumam ser deixadas no campo e podem representar até 30% da biomassa total. Seu poder calorífico superior é da ordem de 15 GJ/t, com umidade de 50%. O poder calorífico inferior é em 13 GJ/t.

Já o vinhoto é resíduo da produção de álcool, sendo gerado somente nas destilarias. O seu aproveitamento energético é possível através da biodigestão anaeróbica, com obtenção de biogás. Atualmente, o principal destino do vinhoto é a fertirrigação na lavoura de cana-de-açúcar. O poder calorífico do biogás foi estimado em 21,32 MJ/ Nm3.