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Pico, Guerra e Política
Enfrentar a catástrofe
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"Peak Oil", Guerra e Política

1. O que é que o governo está a fazer para resolver este problema?

Não será por certo surpreendente saber que os nossos líderes estão a fazer mais para agravar o problema do que para o resolver. Em vez de desenvolver um plano razoável para lidar com a aproximação da Quebra do Petróleo, os nossos líderes decidiram cavar um último buraco para o último petróleo barato existente, ao roubá-lo aos países que ainda o possuem. Controlando os últimos recursos mundiais do petróleo barato em extinção, terão a possibilidade de escolher quem vive e quem morre.

A dinâmica do nosso sistema eleitoral impede os nossos líderes eleitos de desenvolver qualquer outro plano. Para conseguirmos enfrentar a crise que se avizinha, teremos de descer drasticamente os nossos níveis de consumo. Isto significa menos condução, menos fast food, menos objectos consumidos, etc..

A maior parte dos nossos líderes, ou são antigos executivos das indústrias energéticas, dos transportes, da agropecuária, ou então recebem enormes donativos dessas indústrias. Essas são precisamente as indústrias que seriam atingidas por uma campanha eficaz de preservação. Consequentemente, é inútil esperar que o governo lance uma campanha dessas. Teremos de ser nós a fazê-lo.

Lembrem-se que, quando pedimos soluções para o terrorismo, tudo quanto nos deram foi uma tabela colorida, um rolo de fita, e um vídeo de um sem-abrigo barbudo com direito a um exame dental gratuito; foram estas as soluções para o terrorismo.

Por outras palavras, estamos mesmo por nossa conta.

2. Quem tem mais culpa nesta situação? Bush ou Clinton? As grandes corporações ou os activistas ambientais? Os bancos ou os terroristas?

Se está à procura de bodes expiatórios, não me parece que os vá encontrar entre os suspeitos do costume.

Se acha que a culpa é da política de esquerda, e favorecer uma solução mais conservadora, o resultado será a exacerbação do que temos visto nos últimos anos: mais guerra e menos direitos civis.

Se acha que a culpa é da política de direita, e favorecer uma solução mais "esquerdista", o resultado será provavelmente semelhante ao que se viu durante as revoluções Russa e Cubana: mais guerra e menos direitos civis.

Muita da política energética de George W. Bush irá provavelmente agravar a situação. Ao mesmo tempo, a sua administração investiu muito mais dinheiro no desenvolvimento das energias renováveis do que a de Clinton.

Neste ponto, andar a apontar pessoas a dedo não nos vai servir de muito.

3. Porque é que eu nunca ouvi nada sobre isto nos noticiários da noite?

O "Peak Oil" tem sido noticiado nos meios de comunicação alternativos. Se estiver com atenção, reparará que o "Peak Oil" também foi noticiado nos media principais. Contudo, é normalmente atirado para a última página do jornal, ou para o lado obscuro do sítio de uma agência noticiosa. Por exemplo, a cnn.com passou recentemente um artigo sobre o "Peak Oil", confirmando que as reservas petrolíferas são 80% menos do que se supunha, que a produção mundial de petróleo atingirá o pico dentro dos próximos 5 anos, e que após o pico da produção o preço da gasolina atingirá "níveis desastrosos".

Existem algumas razões para que não se vejam mais notícias destas:

A. 75% dos media (todos os jornais, televisão e estações de rádio) são propriedade de 5 empresas. Cada uma destas empresas tem grandes investimentos nas indústrias da energia, transportes ou agropecuária. Se fossem anunciar publicamente a verdade sobre o "Peak Oil", o investimento na bolsa ia secar, a economia afundar-se-ia, seguir-se-ia o caos, e todo o castelo de cartas desmoronar-se-ia antes de os nossos líderes e a elite empresarial ter a hipótese de assegurar o seu próprio bem-estar.

B. As ramificações do "Peak Oil" são tão graves que se torna difícil a qualquer pessoa, incluindo jornalistas e políticos, aceitá-las. Ninguém quer ser chamado de "profeta da desgraça". Tal como Jimmy Carter descobriu em 1980, fazer do fim da era do petróleo um tema de discussão é um suicídio político.

C. O americano médio poderá não estar emocionalmente preparado para lidar com o "Peak Oil". O "Peak Oil" é uma sentença de morte literal para muita da nossa população, e também uma sentença de morte figurada ao estilo de vida americano, dependente da energia. Quando confrontadas com tais notícias, a maioria das pessoas prefere "matar o mensageiro".

4. O "Peak Oil" tem alguma coisa a ver com legislação, como o "Patriot Act I" e "Patriot Act II"?

Quando o preço dos alimentos disparar, o único modo de controlar a população será através da instituição de um estado policial ao estilo fascista. Os "Patriot Acts" e a legislação conexa são a fundação desse estado.

5. Isto tem alguma coisa a ver com as Guerras do Irque e do Afeganistão?

No contexto do "Peak Oil", as guerras do Médio Oriente não são guerras de ganância; são antes guerras de sobrevivência. Dada a nossa infraestrutura actual, esse petróleo é necessário para manter activo o nosso fornecimento de água e alimentos.

É de esperar que os EUA invadam outros países ricos em petróleo, como a Síria, o Irão e a Arábia Saudita, nos próximos 2 a 5 anos. Quando se ouvem as notícias, as alusões escapam: "O Irão possui armas de destruição maciça", ou "A Síria não está a cooperar na guerra contra o terror", ou "A Arábia Saudita está a financiar o terrorismo", ou "A guerra contra o terror vai durar décadas". Está a ser preparado o terreno para a opinião pública americana aceitar estas invasões futuras.

6. O que vai acontecer quando a China, recentemente industrializada, decidir que pecisa tanto quanto os Estados Unidos do pouco petróleo barato que ainda resta?

A Terceira Guerra Mundial.

7. E os outros países "Ocidentais"? Não precisam também de petróleo?

Nenhum país está a salvo. Por exemplo, vários altos funcionários da Administração Bush estão a avançar com um plano para forçar os países a "escolher entre Paris e Washington".

Do mesmo modo, a NAFTA (Associação do Comércio Livre da América do Norte) exigiu ao Canadá a venda de 60% do seu gás natural aos EUA. Quando o Canadá começar a sentir dificuldades com a escassez de energia, poderá tentar mudar os termos desse acordo, mas é improvável que os EUA o permitam.

8. Pelo menos não temos de nos preocupar com a Rússia, não é?

Desde 1999 que Vladimir Putin tem estado a edificar a capacidade nuclear russa.

Porquê este grande aumento da capacidade militar? Porque os russos temem (legitimamente) que os EUA tentem apoderar-se do petróleo do Mar Cáspio.

Em Fevereiro de 2004, foi noticiado que as forças nucleares da Russia preparavam as suas maiores manobras desde há duas décadas, um exercício que envolvia simulações com mísseis intercontinentais e o voo de dezenas de bombardeiros na simulação completa de uma guerra nuclear.

9. Esqueceu-se da Coreia do Norte?

Sim, claro, eles também.

10. Guerra com o Iraque, Afeganistão, Irão, Síria, Arábia Saudita, China, França, Rússia e Coreia? Isso não exigiria uma remodelação do destacamento militar?

George Bush aprovou recentemente um grande aumento ao orçamento do Serviço de Selecção para o ano 2005. O Serviço de Selecção atravessa actualmente um exame rigoroso e foi anunciado que terá de estar em condições de se apresentar ao presidente em Junho de 2005. Isto significa que é de esperar uma remodelação do destacamento militar algum tempo depois.

Um processo a que os militares designam "Fim das Baixas", também conhecido por "Destacamento Silencioso", decorre já há algum tempo.

No essencial, cada jovem rapaz tem sido contabilizado como um soldado para as futuras guerras do petróleo.

11. Graças a Deus sou uma mulher. Pelo menos não terei de me preocupar com a incorporação.

Mais devagar. Se você é mulher e trabalha na área da medicina, poderá estar sujeita ao Sistema de Distribuição de Cuidados Sanitários Pessoais, mais conhecido por destacamento médico.

Segundo Lewis Brodsky, director interino do Sistema de Serviços de Selecção, "Vamos elevar esse tipo de destacamento para que se torne uma prioridade".

12. Que tipo de armas estão a ser desenvolvidas para estas guerras do petróleo?

Em "Reconstruir as Defesas da América", o Secretário de Estado para a Defesa, Paul Wolfowitz, explica que os EUA desenvolverão "formas avançadas de guerra biológica, que poderão ter como alvo genótipos específicos".

Por outras palavras, armas que atingirão determinados grupos étnicos.

Se você é branco não pense que está a salvo, a Coreia do Norte desenvolve neste momento uma "bomba étnica" que só atinge brancos.

A China está a desenvolver armas pós-nucleares verdadeiramente horríveis, empregando "nano-tecnologia molecular".

13. Existe alguma hipótese de resolvermos esta crise energética sem uma guerra mundial?

Do modo como as coisas estão, certamente que não.

A Academia Militar dos EUA escreveu que, durante o séc. XXI:

Não existirá paz. Em qualquer momento do resto das nossas vidas, existirão conflitos múltiplos e em modificação à volta do mundo. Os conflitos violentos dominarão os títulos noticiosos, mas as lutas culturais e económicas serão mais constantes e, em última análise, mais decisivas. O papel real das forças armadas dos EUA será a manutenção de um mundo seguro para a nossa economia e aberto ao nosso assalto cultural. Com esses objectivos, faremos muitas mortes.

 

14. Acho que estou me sentindo mal...

Eu conheço a sensação.

15. À luz da situação energética que enfrentamos, porque é que a Administração Bush gasta dinheiro e corta em serviços como se o amanhã não existisse?

Da perspectiva deles, o amanhã não existe.

16. O "Peak Oil" tem alguma coisa a ver com o regresso à Lua e a Conquista de Marte?

Vamos regressar à Lua e seguiremos para Marte por quatro motivos:

A. Desenvolver técnicas avançadas de perfuração petrolífera:

Segundo Steve Streich, cientista da Haliburton:

A tecnologia de perfuração, na invertigação de Marte, será útil para as indústrias do petróleo e do gás. A indústria petrolífera está a precisar de uma técnica de perfuração revolucionária, que permita um acesso mais rápido e económico às reservas. A missão a Marte representa uma oportunidade sem precedentes no desenvolvimento dessa técnica de perfuração e no aperfeiçoamento da nossa capacidade de sustentação da procura de petróleo e gás na Terra.

B. Desenvolver e instalar armamento espacial:

Segundo a União de Cientistas Preocupados, está agendada para 2007 ou 2008 a colocação em órbita do primeiro protótipo de uma arma espacial -- antes do termo do segundo mandato de Bush.

C. Extracção de Hélio-3, na esperança que possa ser usado como combustível:

O hélio-3 é um elemento raro na Terra, mas que se encontra em abundância na Lua. Os investigadores vêem-no como um combustível perfeito: extremamente energético, não-poluente, praticamente sem resíduos radioactivos.

O hélio-3 parece uma maravilha, mas depois descobre-se que é preciso um reactor de fusão nuclear para que ele tenha alguma utilidade. Contudo, após 40 anos de investigação e milhares de milhões de dólares gastos, ninguém conseguiu construir um tal reactor.

Mesmo que os cientistas resolvam o problema da fusão, o regime económico da extracção e transporte de hélio-3 desde a Lua é particularmente problemático. Segundo Jim Benson, presidente da SpaceDev em Poway, Califórnia, "seria economicamente impraticável... seria necessário escavar grandes superfícies da Lua".

O facto de a Administração Bush perseguir um recurso combustível tão improvável, mostra quão desesperada a situação está a ficar.

D. Para mandar mais empregos para o largo:

Esta era só para ver se estava a prestar atenção.

17. Custa-me a crer que um país tão poderoso como os Estados Unidos esteja à beira do colapso.

Vejamos o que aconteceu nos EUA nos últimos quatro anos:

O World Trade Center foi destruído, o superavit do orçamento de estado desvaneceu-se, o sistema de saúde está com grandes problemas, acabaram-se as eleições honestas, perderam-se 2,5 milhões de empregos, a segurança social quase desapareceu, a fiscalização do governo às grandes empresas acabou, a infraestrutura fragilizou-se, a classe média diminuiu, as liberdades civis foram debilitadas, o fornecimento alimentar foi contaminado.

A um nível simbólico, o facto da Estátua da Liberdade estar agora encerrada (devido a problemas de financiamento) diz-nos de facto em que direcção seguimos.

Não seremos a primeira super-civilização a desabar. Isto é o que acontece quando uma civilização ultrapassa a sua base de recursos. Não é uma coisa nova. No decurso da História, o colapso das civilizações é tão inevitável como a morte e os impostos. Qualquer bom livro sobre a queda do Império Romano lhe dará uma sensação de deja vu na próxima vez que estiver a ver o noticiário da noite.

Aqueles, entre nós, que têm a felicidade de viver nos EUA, são como os miúdos estilosos que foram convidados para uma grande festa. Infelizmente, a festa acabou.



 

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