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Problemas de Economia, Tecnologia, e a Capacidade de Adaptação1. E quanto à "mão invisível" do mercado e às leis da oferta e da procura? Quando o petróleo se tornar demasiado caro, será mais rentável investir em energias renováveis. Nessa altura pura e simplesmente faremos a troca. Se as três questões anteriores não deixaram perfeitamente claro que não existem actualmente recursos energéticos alternativos capazes de substituir o petróleo e o gás natural, então talvez esta citação de Michael Ruppert ajude a clarificar-lhe a situação: A todos os defensores da energia alternativa que nos asseguram não existir motivos de preocupação, eu sugiro que vão viver hoje para o nordeste e verão como se aquecem com os seus mitos -- geradores eólicos, painéis solares, biomassa e hidrogénio. Onde está a infraestrutura para integrar as mais ínfimas produções que as energias solar, eólica ou de biomassa possam oferecer? Além do mais, os indicadores de mercado chegarão provavelmente demasiado tarde para que possamos implementar quaisquer alternativas que estejam disponíveis. Quando o preço do petróleo se tornar tão alto que leve as pessoas a considerar seriamente as alternativas, essas alternativas tornar-se-ão demasiado caras para se implementar em larga escala. O motivo: o petróleo necessário para desenvolver, fabricar, transportar e implementar alternativas ao petróleo, tais como painéis solares, biomassa, geradores eólicos e, sobretudo, centrais nucleares, exigiria quantidades enormes de petróleo na sua construção e manutenção. Existem muitos exemplos na História em que a escassez de um recurso desencadeou o desenvolvimento de recursos alternativos. O petróleo, porém, não é um recurso qualquer. No nosso mundo actual, é a pré-condição de todos os outros recursos, incluindo os alternativos. Neste momento, um barril de petróleo custa 30 dólares. Para obter a quantidade de energia equivalente a esse barril, a partir de recursos renováveis, custaria entre 100 a 250 dólares. Isto significa que uma companhia energética não se sentirá verdadeiramente motivada a procurar obter energia renovável antes do custo do petróleo duplicar, triplicar, ou quadruplicar. Nesse ponto, a economia estará praticamente devastada. A capacidade para implementar a energia renovável estará completamente cerceada. Em termos pragmáticos, isto significa que se você quer a sua casa abastecida por painéis solares e geradores eólicos, é melhor despachar-se. Se você não tiver essas alternativas a funcionar quando as luzes se apagarem, escusa de esperar que a luz volte para fazer alguma coisa. 2. As companhias petrolíferas são tão gananciosas que hão-de inventar alguma coisa para continuar a ganhar dinheiro, não? Esperar que as companhias petrolíferas nos salvem da Queda do Petróleo é tão sensato como esperar que as tabaqueiras nos salvem do cancro do pulmão. Como se explicou acima, os empregados das companhias são obrigados por lei a zelar pelos interesses da empresa, desde que as sua actuação esteja dentro da lei. A sua obrigação legal é fazer dinheiro para a companhia, e não salvar o mundo. Nenhuma das alternativas actualmente disponíveis se aproxima sequer da margem de lucro que o petróleo permite. Por isso, mesmo que um executivo de uma petrolífera quisesse "proceder correctamente" e dedicar-se a desenvolver alternativas ao petróleo, isso seria uma ilegalidade dado não estar a actuar no melhor interesse da companhia. Na Conferência do "Peak Oil" em Paris, o economista holandês Maarten Van Mourik, do Instituto Económico dos Países Baixos, explicou que, devido às insuficiências financeiras de todas as formas actuais de energia alternativa, uma Quebra súbita seria a solução mais lucrativa para as companhias petrolíferas. Mais ainda, segundo o Dr. Colin Campbell: As principais companhias petrolíferas estão a fundir-se, a reduzir os recursos, a deslocalizar-se, não investindo em novas refinarias porque sabem perfeitamente que a produção está destinada a declinar, e as oportunidades de exploração são cada vez menores. As companhias têm de "cantar" para as bolsas, e as fusões escondem o colapso das mais débeis. O pessoal é dispensado e o orçamento combinado acaba por ser muito menor que a soma dos dois orçamentos anteriormente existentes. Além disso, muitos executivos e banqueiros realizam uma pipa de dinheiro com a fusão. Esperar que as companhias petrolíferas, o governo ou quem quer que seja, vá resolver este problema por nós, é um simples suicídio. Você, eu, e qualquer outra "pessoa normal", precisamos de ocupar-nos activamente com o agendamento deste assunto na ordem do dia, e assim possa ainda existir alguma esperança para a humanidade. 3. Acho que você está a subestimar o espírito humano. A humanidade adapta-se sempre aos desafios. Também nos adaptaremos a isto. Certamente que nos adaptaremos. Parte do processo de adaptação inclui a morte da maior parte de nós, se não tomarmos imediatamente muitas iniciativas. O espírito humano é capaz de coisas miraculosas. Precisamos rapidamente de um milagre, por isso é melhor que o espírito humano se despache, e já. Infelizmente, não existe nenhuma lei que diga que, quando a humanidade se adapta a uma escassez de recursos toda a gente consegue sobreviver. Pensemos nas tragédias em massa relacionadas com recursos, como o petróleo -- terra, comida, trabalho (escravos), búfalos, etc.. As sociedades afectadas geralmente sobrevivem, mas de uma forma drasticamente diferente e frequentemente irreconhecível. 4. Havemos de pensar em algo. É o que fazemos sempre. A necessidade é a mãe da invenção. Pois é. E o petróleo, muito e barato, foi o pai da invenção nos últimos 150 anos. Nenhuma invenção foi produzida em massa sem ele. O fim da era do petróleo é um jogo de vida ou morte. Se você quiser viver, não pode rejeitar este tema com um simples "Oh, alguém há-de pensar em alguma coisa". 5. E se alguém inventar uma tecnologia nova, ou fizer alguma descoberta que substitua o petróleo? Nós somos muito inventivos. Como é que alguém produziria em massa essa invenção sem petróleo barato? Como é que alguém distribuiria esse recurso sem petróleo barato? Existe actualmente alguma infraestrutura capaz de lidar com essa invenção ou descoberta não-existente? Qual é a margem de lucro? Existe uma margem de lucro? A implementação dessa invenção ou descoberta, destruiria as indústrias do automóvel, da energia, dos transportes ou da agropecuária? Essa invenção ou descoberta seria má para Wall Street? Que impacto causaria no mercado bolsista? Quanto tempo demoraria a sua generalização na sociedade? Poderia ser implementada antes de milhares de milhões de pessoas morrerem? Ou seria apenas após os horrores nos motivarem à implementação? Quanto petróleo seia gasto para a desenvolver? Para a fabricar? Para a transportar? Para a instalar? A nossa infraestrutura actual poderia ser readaptada a esta invenção ou descoberta ainda desconhecida? Como reagiriam os interesses instalados? Já reparou no facto da nossa riquíssima indústria energética ter investido somas astronómicas para esse fim, sem qualquer sucesso? Já reparou que, sem petróleo barato, nenhuma da nossa tecnologia actual teria produzido mais do que protótipos ou tiragens em escala experimental? Isto são questões que deve pôr a si próprio antes de apostar a sua vida em algo que nem sequer existe. Tenha presente que a maior parte das vezes não encontramos soluções para os problemas graves. Ou encontramo-las somente depois de morrerem muitas pessoas. Por exemplo, apesar de toda a nossa tecnologia, dinheiro e ingenuidade, não temos cura para a sida, o cancro, a diabetes, nem mesmo para o comum resfriado. Se lhe fosse diagnosticada uma doença que o pusesse em perigo de vida, você iria tomar cuidado, ou rejeitaria o diagnóstico com um "Oh, alguém há-de descobrir uma cura nos próximos anos, antes de o meu estado ficar verdadeiramente mau". Você deve encarar o tema da escassez do petróleo de uma forma pessoal e séria, se quiser sobreviver. |
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