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Energias Alternativas: Combustíveis do Futuro ou Embustes Cruéis?

1. E quanto a energias alternativas, como a solar, a eólica, o hidrogénio, etc.?

Infelizmente, a capacidade destas alternativas para substituir os combustíveis fósseis baseia-se mais num mito do que na realidade.

Os combustíveis fósseis representam mais de 85% no actual fornecimento energético global. Nenhuma das alternativas ao petróleo tradicionais se aproxima sequer a este valor, mesmo sem considerar o incremento necessário no futuro para responder ao aumento da população e da industrialização.

Analisemos resumidamente as insuficiências das alternativas ao petróleo mais conhecidas:

(Os dados seguintes foram exaustivamente investigados por Bruce Thompson, moderador do grupo "Running on Empty" no Yahoo)

A. Gás Natural:

O gás natural fornece actualmente 20% da energia global. Não é um substituto capaz do petróleo pelas seguintes razões:

1. O próprio gás começará a escassear a partir de 2020. A procura de gás natural na América do Norte começou já a ultrapassar a oferta, sobretudo a partir do momento em que as centrais energéticas passaram a usar o gás excedente para gerar electricidade.

2. O gás não é apropriado aos maquinismos existentes, como aeronaves, barcos, veículos, equipamento agrícola e outros.

3. A conversão consumiria grandes quantidades de energia e de dinheiro.

4. O gás natural não fornece a enorme quantidade de derivados químicos para os quais dependemos do petróleo.

B. Hidro-Eléctrica:

A energia hidro-eléctrica fornece actualmente 2,3% do total global. Não é um substituto capaz dos combustíveis fósseis pelas seguintes razões:

1. Não é apropriada para aeronaves nem para os 800 milhões de veículos existe

ntes.

2. Não proporciona a produção de pesticidas, fertilizantes ou plásticos.

C. Solar

A energia solar fornece actualmente 0,006% do total global. Como substituta dos combustíveis sólidos sofre de várias insuficiências:

1. A energia solar varia constantemente com as condições metereológicas e com a alternância dia/noite.

2. Não é prática para uso nos meios de transporte. Embora já tenha sido construída uma mão-cheia de veículos experimentais movidos a energia solar, ela mostra-se inadequada para aviões, barcos, carros, tanques, etc..

3. A energia solar não proporciona a produção de pesticidas, fertilizantes ou plásticos.

4. A energia solar é sensível aos efeitos de uma mudança climática global.

Um painel solar típico pode no entanto fornecer 50 a 85% da água quente con

sumida numa residência. Utilizar algum do precioso crude que ainda resta no fabrico do equipamento solar poderá ser uma opção inteligente.

D. Eólica

Eergia eólica

A energia eólica fornece 0,07% do total global. Como substituta dos combustíveis fósseis, os seus problemas são:

1. Tal como a energia solar, a eólica varia muito com as condições metereológicas, e não é transportável ou armazenável como o petróleo ou o gás.

2. O vento não proporciona a produção de pesticidas, fertilizantes ou plásticos.

3. Tal como a energia solar, também o vento é sensível aos efeitos de uma mudança climática global.

E. Hidrogénio

O hidrogénio representa 0,01% na energia global. Não é um verdadeiro substituto dos combustíveis fósseis pelas seguintes razões:

1. O hidrogénio é actualmente fabricado a partir do gás de metano. É precisa mais energia para o fabrico do que aquela que o hidrogénio depois vai fornecer. É portante um "condutor" de energia e não uma fonte.

2. O hidrogénio líquido ocupa um volume 4 a 11 vezes superior ao de uma quantidade energeticamente equivalente de gasolina ou diesel.

3. Os veículos, aeronaves e sistemas de distribuição existentes não são adequados ao hidrogénio.

4. O hidrogénio não proporciona a produção de plásticos ou fertilizantes.

As "Pilhas de Hidrogénio" deviam chamar-se "Pilhas do Ingénuo". A "Economia do Hidrogênio" é um logro absoluto e completo. O Dr. Jorg Wing, representante do gigante automóvel Daimler/Chrysler, tornou isso bem claro na Conferência do "Peak Oil" em Paris, quando explicou que a sua empresa não encarava o hidrogénio como uma alternativa viável aos motores baseados no petróleo.

Ele declarou que os veículos de pilhas de hidrogénio nunca conseguiriam uma quota significativa do mercado. O hidrogénio foi excluído como solução devido aos grandes custos de produção, insuficiências inerentes, falta de infraestrutura e dificuldades práticas, como a dificuldade e alto custo do armazenamento.

F. Nuclear

A energia nuclear está presentemente a ser abandonada a nível mundial. A sua capacidade de amortecer a quebra do petróleo é muito problemática devido a vários factores:

1. Possibilidade de acidentes e de terrorismo.

2. O custo: um reactor nuclear custa cerca de 3.000 milhões de dólares e requer quantidades brutais de petróleo na sua construção.

3. O número de reactores necessários: 800 a 1000 só nos EUA.

4. Não se adequa directamente aos transportes ou à agricultura.

5. O urânio requer energia petrolífera na sua extracção.

6. Todos os reactores abandonados permanecem radioactivos por períodos de tempo que vão de décadas a milénios.

7. Mesmo que fechássemos os olhos a estes problemas, a energia nuclear é uma solução de curto prazo. O urânio tem igualmente um pico de Hubbert, e as reservas actualmente conhecidas suportariam apenas a energia necessária na Terra durante um período de 25 anos, no máximo.

G. Carvão

O carvão representa 24% da energia total a nível global. Como um substituto do petróleo é inadequado pelas seguintes razões:

1. É mais pesado que o petróleo, entre 50 a 200%, por cada unidade de energia.

2. Substituir o petróleo por carvão levaria a uma expansão da actividade mineira, que por sua vez conduziria à degradação ambiental nas áreas de exploração e ao aumento das emissões de gases que provocam o efeito de estufa.

3. Ao contrário dos combustíveis petrolíferos e do gás, no carvão é praticamente impossível a afinação rigorosa do ponto de combustão. Por isso ele é usado em centrais energéticas para obter electricidade, desperdiçando assim metade do seu conteúdo energético.

4. As operações de minagem são alimentadas por combustíveis petrolíferos, tal como os maquinismos e transportes associados a esta indústria.

5. A poluição é também um problema principal. Uma única central alimentada a carvão produz por ano milhões de toneladas de resíduos sólidos. A queima de carvão nas residências polui a atmosfera com fumos ácidos, que contêm partículas e gases ácidos. Por último, os combustíveis líquidos obtidos a partir do carvão são pouco eficazes e requerem enormes quantidades de água.

H. Fontes Não-Convencionais, como Hulha, Areia de Alcatrão e Metano Carbonífero

Estas fontes não-convencionais fornecem actualmente 6% do consumo de gás nos EUA. Cada uma destas alternativas requereria um investimento enorme em investigação e infraestruturas para a sua exploração, e ainda grandes quantidades de petróleo, cada vez mais escasso, antes de se tornarem efectivas.

No Canadá, por exemplo, produzem-se em Alberta cerca de 200 mil barris diários de petróleo não convencional, mas são necessários cerca de 2 barris de patróleo de investimento energético para produzir 3 barris de petróleo equivalente, a partir desses recursos. Adicionalmente, os custos ambientais são terríveis e o processo utiliza uma enorme quantidade de água potável e também de gás natural, e ambos os recursos existem em quantidades limitadas.

O maior problema com o petróleo não-convencional é que ele não poderá ser explorado antes do choque petrolífero inviabilizar as tentativas de o tornar efectivo; por outro lado, o seu ritmo de extracção é demasiado baixo para responder à enorme procura global de energia.

2. Você está a esquecer-se da biomassa e do álcool etílico. Não poderemos cultivar o nosso próprio combustível?

[Observação: O autor parece desconhecer estudos brasileiros sobre o balanço energético e mesmo a experiência brasileira do pro-álcool. ]

Num artigo entitulado "O Paradigma do Pós-Petróleo", o Dr. Walter Youngquist, Professor de Geologia aposentado da Universidade do Oregon, refere-se às grandes limitações da biomassa e do etanol. Segue-se um excerto desse artigo:

O óleo de origem vegetal é por vezes promovido como uma fonte de combustível para substituir o petróleo.

Os fatos e a experiência com o etanol são um exemplo. O Etanol é um álcool de origem vegetal (geralmente extraído do milho) que é utilizado hoje em dia, principalmente, sob a forma de gasool, uma mistura de 10% de etanol e 90% de gasolina. Devido ao seu uso em determinadas circunstâncias, tornou-se comum aceitar que o etanol é uma solução, parcial mas aceitável, na questão do combustível para máquinas.

Contudo, o etanol é uma energia negativa -- é necessária mais energia para o produzir do que a que se obtém do etanol.

A produção do etanol é um desperdício dos recursos de energia fóssil. A energia necessária para produzir um galão de etanol, ultrapassa em 71% a energia contida num galão de etanol.

A produção do etanol sobrevive graças ao subsídio do governo norte-americano, com os dólares dos contribuintes. Manter a produção do metanol é um simples instrumento para comprar o voto rural do Midwest americano, e talvez esteja também relacionado com o facto da companhia que produz 60% do etanol americano ser ao mesmo tempo uma das que mais contribuem com dinheiro para a campanha eleitoral ao Congresso -- um exemplo perturbador de como a política se sobrepõe à lógica.

Algumas pessoas empreendedoras converteram os seus veículos ao consumo de óleo vegetal, depois de usado nos restaurantes de fast-food. É uma medida que deve ser encorajada; contudo, não é a resposta ao nosso problema, porque simplesmente não existe no mundo óleo vegetal suficiente para mover mais do que um número relativamente pequeno de veículos.

 

3. Acabei de ler um artigo sobre uns cientistas que desenvolveram um novo reactor que transforma álcool etílico em hidrogénio. O que é que diz a isto?

A minha resposta:

1. Veja na questão acima porque é que o etanol não substitui de facto o petróleo.

2. Veja numa questão acima porque é que o hidrogénio não substitui de facto o petróleo.

3. Pergunte a si próprio: Quanto tempo demoraria este protótipo a ser implementado em larga escala? Quanto é que isso ia custar? Poderia ser utilizado como combustível em aeronaves, tanques, navios de carga, grandes camiões, equipamento de construção, fábricas? Poderia originar a produção de fertilizantes ou plásticos?

Eu acho que você sabe as respostas.

4. E acerca de uma nova tecnologia que consegue transformar qualquer coisa em petróleo?

A "despolimerização térmica" consegue transformar muitos tipos de resíduos em petróleo, e pode ajudar-nos a subir o nível de eficiência energética, uma vez que perdemos energia com o esgotamento do petróleo. Embora essa tecnologia nos ajudasse a suavizar a Queda, não é uma verdadeira solução.

Tal como muitas outras formas de energia alternativa, não temos tempo para a implementar antes da Queda. Actualmente, apenas uma unidade de despolimerização térmica está operacional. Seriam necessárias milhares de instalações em plena laboração para que essa tecnologia fizesse uma pequena diferença na nossa situação.

Para além disso, o produto resultante do processo possui obrigatoriamente menos energia útil do que a que entrou nesse processo, como é exigido pelas leis da termodinâmica. Por último, a maior parte dos resíduos (como os plásticos e os pneus) já precisou de muito petróleo aquando do seu fabrico.

O maior problema com a despolimerização térmica é que tem sido anunciada mas mal explicada. Esse tipo de informação promove o consumo, dá-nos uma sensação de segurança falsa e perigosa, e encoraja-nos a continuar a pensar que não precisamos de fazer deste assunto uma prioridade.

5. E acerca da "Nova" energia? O Nikola Tesla não inventou uma máquina qualquer que produz montes de energia?

Bom eu seria um dos principais partidários das tecnologias da "Nova Energia", como a Fusão Nuclear a Frio ou a Energia do Ponto Zero, mas o meu optimismo, quanto à sua capacidade para nos compensar da escassez do petróleo, é reservado.

Apesar da Nova Energia ter algumas possibilidades excitantes, a triste realidade é que, neste momento, temos absolutamente zero por cento da nossa energia vinda dessas fontes, e não temos quaisquer protótipos funcionais.

Se quiser saber mais, aconselho uma visita pelo "Infinite Energy Magazine" ou a leitura do artigo do Dr. Eugene Mallove, "Universal Appeal for Support for New Energy Science".

6. Estas alternativas são então inúteis?

Não, de forma alguma. Qualquer civilização que se erga após a Queda, extrairá provavelmente uma boa parte da sua energia a partir destas tecnologias.

Embora as alternativas tradicionais como a energia solar ou eólica mereçam sem dúvida o investimento, não são de modo algum a solução mágica que por vezes é anunciada.

A seguir temos um extracto do livro do Prof. Richard Heinberg, "A Festa Acabou: Petróleo, Guerra, e o Destino das Civilizações Industriais", no qual ele explica porque a noção que "Tudo o que temos a fazer é mudar para a energia solar, eólica, etc...." é ilusória na sua simplicidade.

Obviamente, teremos de encontrar substitutos para o petróleo. Mas uma análise às actuais energias alternativas não é tranquilizadora.

A análise dos recursos energéticos acaba sempre por se render a uma perspectiva desconfortável mas inevitável: mesmo que se intensifique agora a mudança para os recursos energéticos alternativos, após o pico de extracção petrolífera as nações industriais terão menos energia disponível para realizar o trabalho útil -- incluindo o fabrico e transporte de bens, a agricultura, e o aquecimento das residências.

Sem dúvida, devíamos investir em alternativas e converter a nossa infraestrutura industrial para as usar. Se existe alguma solução para as sociedades industriais na aproximação da crise energética, ela será dada pelas energias renováveis e pela preservação. No entanto, para alcançar uma transição suave entre as energias não-renováveis e as renováveis, seriam necessárias décadas -- e nós não temos décadas antes de ocorrerem os picos na extracção do petróleo e do gás natural.

Além do mais, mesmo no melhor cenário, a transição exigirá uma mudança maciça do investimento de outros sectores da economia (tal como do sector militar) para o campo da investigação e preservação energética. E as alternativas disponíveis dificilmente suportarão os tipos de infraestruturas de transportes, alimentação ou habitação que possuímos actualmente; por conseguinte, a transição implicará um re-desenho quase completo das sociedades industriais.

 


 

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