Em 2002, a demanda total de diesel no Brasil foi a maior dos últimos anos, alcançando 39,2 milhões de metros cúbicos, dos quais 76% foram consumidos em transportes. O país importou 16,3% dessa demanda, o equivalente a US$ 1,2 bilhão. Como exemplo, a utilização de biodiesel a 5% no país, demandaria, portanto, um total de 2 milhões de metros cúbicos de biodiesel.
Existem comunidades na Amazônia em que o custo de geração da energia elétrica com óleo diesel chega a oitocentos dólares o megawatt, denotando claramente a potencialidade da geração com óleo vegetal in natura. Nestas comunidades, partir de uma organização social mínima é possível produzir o óleo e apesar de algumas desvantagens em relação à eficiência do motor, ela se compensa pelo custo extremamente baixo na sua produção.
No processo do mecanismo de desenvolvimento limpo (MDL) estão previstas regras simplificadas para os projetos de pequenas escalas. São considerados projetos de pequena escala, aqueles com capacidades instaladas de até 15 mega-watts. Assim, é possível que vários projetos pequenos sejam apresentado ao conselho executivo internacional como um projeto só, para diminuir os custos de transação dos pequenos projetos. As reduções de emissões provenientes de projetos de pequena escala podem representar mais um incentivo positivo para o fluxo de caixa desses projetos.
Considerando-se os vários setores da economia que sofrerão impactos positivos ou negativos com a implantação do biodiesel, cenários de produção, distribuição e uso devem ser estabelecidos. Um deles é colocado pela Petrobrás quando vislumbra as mini-usinas produtoras de biodiesel, gerando mudanças na matriz energética nacional e em segmentos como o agrícola e industrial do próprio biodiesel.
Certamente haverá um distanciamento em termos de competitividade entre unidades produtoras de biodiesel de grande escala e as pequenas. Tributação, logística de transporte e distribuição são alguns fatores determinantes para essa situação. Dessa forma as pequenas produções devem ter mercado cativo seja para uso veicular, industrial ou para geração de eletricidade.
O mercado dos sistemas veiculares precisa de um biodiesel qualificado e apresenta uma grande demanda. São volumes grandes para as regiões em torno dos centros urbanos, em todo o país. A soja e a mamona deverão atender. O dendê, se apoiado em um programa de incentivo devido às suas características de atividade de maturação lenta, deverá ocupar um espaço significativo no mercado. O óleo in natura e o óleo diesel de biomassa produzido através do craqueamento, também se agregam nas situações específicas.
Como nicho de mercado para o biodiesel, tem-se o uso para a indústria do petróleo, por ser um excelente solvente em caso de derrames de óleo e também na remoção de borras e parafinas em oleodutos.
Outra alternativa a ser melhor investigada é a da mistura álcool diesel. Principalmente pelo seu forte apelo ambiental para os grandes centros urbanos, uma vez que adições pequenas de álcool ao óleo diesel, 5 a 8% por exemplo, aditivada com biodiesel para recuperar a lubricidade, provocará significativas reduções de emissões atmosféricas na aplicação veicular.